A guerra do gás

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Segundo notícia de 15-1-2022, da agência Reuters, fontes das autoridades norte-americanas e do setor de gás dizem que o governo dos Estados Unidos abordou várias empresas internacionais de energia sobre planos de contingência para o fornecimento de gás natural à Europa se o conflito entre a Rússia e a Ucrânia interromper o abastecimento russo.

Os Estados Unidos estão preocupados que a Rússia esteja a preparar-se para a possibilidade de um novo ataque militar ao país que invadiu em 2014. A Rússia nega ter planos de atacar a Ucrânia.

A União Europeia depende da Rússia em cerca de um terço do fornecimento de gás, mas as sanções dos EUA por eventual conflito podem interromper esse fornecimento.

Qualquer interrupção do fornecimento de gás da Rússia para a Europa exacerbaria uma crise de energia causada pela escassez desse combustível. Os preços recorde da energia já aumentaram as contas de energia do consumidor, bem como os custos das empresas e provocaram protestos nalguns países.

Autoridades do Departamento de Estado dos EUA abordaram empresas para saber de onde poderiam vir abastecimentos adicionais de gás se fossem necessários, disseram à Reuters fontes do setor familiarizadas com estas discussões – falando sob anonimato devido à sensibilidade do assunto.

As empresas disseram aos funcionários do governo dos EUA que o abastecimento global de gás está condicionado e que há pouco gás disponível para substituir os grandes volumes fornecidos pela Rússia.

Um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, falando sob anonimato, disse ainda que as discussões do Departamento de Estado com as empresas de energia foram lideradas pelo conselheiro sénior de segurança energética Amos Hochstein. Acrescentou que o Departamento de Estado não pediu às empresas que aumentassem a produção.

A mesma fonte diz: “Discutimos uma série de contingências e conversámos sobre tudo o que estamos a fazer com os nossos parceiros e aliados”.

“Fizemos isso com a Comissão Europeia, mas também com empresas de energia. É correto dizer que falámos com eles sobre as nossas preocupações e sobre uma série de contingências, mas não houve qualquer espécie de pedido em relação à produção.”

Além de perguntar às empresas qual a sua capacidade de aumentar os fornecimentos, as autoridades dos EUA também questionaram se têm capacidade para aumentar as exportações e adiar a manutenção dos campos de exploração, se necessário.

Não ficou claro quais as empresas que os funcionários dos EUA contactaram. A Royal Dutch Shell (RDSa.L), ConocoPhillips e Exxon (XOM.N) recusaram-se a comentar se foram contactadas. Chevron Corp (CVX.N), Total, Equinor (EQNR.OL) e Qatar Energy não responderam de imediato a um pedido de comentário pela Reuters.

Uma segunda fonte do setor disse que a sua empresa foi indagada se teria capacidade para adiar a manutenção em campos de gás, se necessário.

Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA não comentou as discussões dos EUA com as empresas de energia, mas confirmou que o plano de contingência está em curso.

“Avaliar potenciais repercussões e explorar maneiras de reduzir essas repercussões é uma boa providência e uma prática padrão”, disse.

“Quaisquer detalhes a este respeito que cheguem ao público apenas demonstram o extenso detalhe e a seriedade com que estamos a discutir e estamos preparados para impor medidas significativas com os nossos aliados e parceiros”.

Moscovo alarmou o Ocidente ao reunir tropas perto da Ucrânia nos últimos dois meses, após a tomada da península da Crimeia em 2014 e o seu apoio aos separatistas que combatem as tropas de Kiev no leste da Ucrânia.

Biden disse anteriormente ao presidente russo, Vladimir Putin, que um novo movimento russo na Ucrânia atrairia sanções e um aumento da presença dos EUA na Europa.

A Rússia nega planear atacar a Ucrânia e diz que tem o direito de mover as suas tropas no seu próprio solo como quiser.

A segunda fonte do setor disse também: “Os Estados Unidos prometeram apoiar a Europa se houver escassez de energia devido a conflitos ou sanções”.

“Amos está a dirigir-se a grandes empresas produtoras de GNL e países como o Qatar para ver se podem ajudar os Estados Unidos”, acrescentou, referindo-se a Hochstein.

Se o fornecimento de gás pelos gasodutos da Rússia à Europa for reduzido, os compradores europeus precisariam de gás natural liquefeito para compensar.

As exportações de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA devem aumentar este ano para torná-lo o principal fornecedor mundial deste combustível. A Europa compete, no consumo de GNL dos Estados Unidos e Qatar, com os principais consumidores, a China e o Japão, que também enfrentam uma crise de energia.

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Written by

Sub-diretor do Inconveniente

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