Génesis do Feminismo

É preciso ter claro que o Feminismo não ataca a Igreja porque esta é machista, mas sim porque este movimento é um rebento da mentalidade revolucionária. Historicamente, ele está profundamente ligado a todas as linhas de pensamento subversivo anti-cristão. Por exemplo, em Portugal, as feministas da 1ª onda tiveram o apoio dos homens na viragem do século XIX, não porque eram mulheres ou porque eram feministas, mas porque eram republicanas; outro exemplo, a “conquista” do mercado de trabalho pelas mulheres não se deu por consequência de uma reivindicação de ocupar o espaço do homem, mas sim porque havia uma necessidade por parte dos advogados da nova ordem política de colectar mais fundos, bem como de escravizar mais pessoas. A entrada das mulheres no mercado de trabalho significou quase o dobro de impostos arrecadados para os poderosos. Além disso, o afastamento da mulher do espaço do lar, onde era ela a soberana, nutridora e guardiã dos laços familiares, potencializou a atomização dos indivíduos, enfraquecendo suas raízes e tornando-os mais vulneráveis às garras dos poderes instalados.

O Feminismo tem a sua génese no Marxismo ao transportar o conceito da luta de classes para o domínio do sexo. O Marxismo assenta na ideia de que toda a História se desenvolve por meio de contradições, sendo a luta entre classes, do ponto de vista económico, a mais fundamental; o Feminismo é uma parte dessa luta de contrários, colocando o homem como o opressor da mulher. O vencedor por direito dessa luta de contrários, segundo o Marxismo, é sempre o mais fraco. Seguindo a lógica “opressor/oprimido” e aplicando-a a todas as relações sociais, este movimento pretende destruir todas as hierarquias, não para atingir o igualitarismo como diz o seu pretexto, mas para invertê-las, colocando o oprimido na posição cimeira. E é aqui que se radica o ataque à Igreja.

Um dos argumentos mais comuns do combate feminista contra a Igreja é o de que a Bíblia coloca a mulher numa posição subalterna e inferior ao homem. Para justificar esta ideia evocam a criação da mulher no Génesis:

“Então o Senhor Deus fez descer sobre o homem um sono profundo e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma costela, fazendo crescer a carne em seu lugar. Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem.”

O pensamento revolucionário, pretextualmente igualitarista, interpreta esta passagem como uma prova da inferioridade da mulher, pois ela veio do homem. Num primeiro olhar, sem contemplação e reflexão, essa é a interpretação mais imediata, pois existe impresso em nós um senso de ordem e hierarquia em que, comummente, o que vem primeiro é o maior. Por exemplo, Deus está antes do homem, Deus é superior ao homem. Mas esta analogia não é absoluta. Há coisas que, ao se desenvolverem, multiplicam-se, evoluem, tornam-se melhores que o anterior. Por exemplo, do animal surgiu o homem; alguém dirá que o animal irracional é superior ao homem? Por fim, no caso que aqui nos interessa, há coisas que se desenvolvem para se completarem, que é o caso do sexo no reino vegetal, animal e humano. A maneira correcta de entender a passagem bíblica citada não é a Marxista. A luz para a sua compreensão está nas palavras que se seguem:

“Ao vê-la, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á ‘mulher’, porque foi tirada do ‘homem’». Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e os dois serão uma só carne.”

“Osso dos meus ossos, carne da minha carne” é a expressão do nivelamento perfeito entre os dois sexos. “O homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher” é a expressão de que a ordem justa na vida humana é a complementaridade dos opostos. Ora, o Feminismo não quer acolher o seu oposto, mas sim destruí-lo. Se Cristo é a união perfeita de todas as coisas no Bem, na Beleza e na Verdade, o Anti-Cristo é a desunião, a guerra, a aniquilação e a subversão dessa mesma trindade – é o Mal, o Feio, e a Mentira.


Francisca Silva
Fundadora do Laboratorium

*A autora escreve segundo a anterior norma ortográfica.

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