Foi um ar “verde” que lhe deu…

A Comissão Europeia esvaziou o megainvestimento do hidrogénio “verde”, em Sines. Aceita alocar apenas 175 milhões de euros ao projeto de 9 mil milhões de produção de hidrogénio “verde” dos amigos Costa & Costa, conforme se depreende de notícia do Sol, de 22-5-2021, sobre a ruína do projeto H2Sines.

O Governo socialista tencionava engordar o projeto faraónico com parte significativa dos 45 mil milhões da chamada bazuca da União Europeia para a recuperação da carenciada economia nacional.

Sem os milhares de milhões da União Europeia, a EDP decidiu recuar.

A estrutura acionista da EDP está agora mais diversa: se os chineses da Três Gargantas têm 19% da empresa, os americanos possuem 9% (BlackRock com 7% e Bank of America com 2%), um fundo de pensões canadiano tem 2%, os asturianos da Corporación Masaveu detém uma posição importante com 7%, os noruegueses do Norges Bank têm 3%, o fundo soberano do Qatar 2% e a argelina Sonatrach outros 2%. Ou seja, à parte outras participações, nas participações qualificadas: os chineses têm 19%; mas os norte-americanos, europeus e arabo-magrebinos chegam aos 25%. E a balança de poder interna na EDP mudou: António Mexia e Manso Preto foram finalmente afastados, por causa da vergonhosa pendência judicial e a aliança entre os chineses e o Governo socialista já não dita as cartas. Dificilmente, os acionistas não-chineses irão engordar o elefante branco socialista.

Apesar disto, o polémico secretário de Estado da Energia, o ex-socratino João Galamba quer investidores chineses para salvar a aventura do hidrogénio “verde”.

Nota da Redação: A contestada produção do hidrogénio “verde” é uma tecnologia de viabilidade arriscada e o investimento uma fraude económica, como o Inconveniente tem demonstrado numa série de artigos temáticos, como este ou este. Recorde-se que esse megaprojeto “verde” consistia na produção de eletricidade “verde” que seria depois transformada em hidrogénio com perdas, este seria depois comprimido com perdas, transportado com perdas… chegando depois ao consumidor a um preço real exorbitante mas que seria inicialmente subsidiado de modo a que a tecnologia de utilização, igualmente subsidiada como os carros elétricos equipados com células de combustível, conseguisse impor-se. Ao todo seriam necessários investimentos astronómicos com a criação de pouquíssimo emprego, à boleia de verbas destinadas a socorrer a nossa depauperada economia e acudir as pessoas afetadas pela falência de empresas ou redução de rendimentos.

Partilhar

Latest comment

Post a Reply to Nuno Cancel Reply