FMI e pandemia: toma Lu-dá-ka(shenko)!…

É sabido que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não faz empréstimos sem impor condições aos que a ele recorrem. Em todos os empréstimos que a organização concede é comum imporem cortes nas despesas de Saúde e Educação e aumento das despesas na Defesa. Subjacente a estas condições estão interesses representados pelo FMI dos seus principais países acionistas.

Que o FMI esteja, de alguma forma, ligado à Organização Mundial de Saúde (OMS) é um facto estranho, mas numa entrevista a Gerry Rice, do Departamento de Comunicação do FMI (em 10-9-2020), pode-se ler o seguinte excerto:

“Entrevistador: (…) Quero fazer algumas perguntas sobre… sobre a COVID-19 e… e sobre o FMI. Um é um castiço, e pode tirá-lo do controle… o presidente da Bielorrússia, Lukashenko disse, foi citado que o FMI tentou “suborná-lo para impor um confinamento, oferecendo fundos de alívio da COVID”, que estava no Delta (fonética) e o telégrafo apanhou nos meios de comunicação da Bielorrússia. Portanto, gostaria de saber qual é o seu entendimento, qual seria a sua resposta àqueles que diriam que oferecer ajuda é tentar fortalecer os governos para que levem a pandemia mais a sério. (…)

Gerry Rice: Muito obrigado por essas perguntas, Matthew. Sobre a Bielorrússia, o que posso dizer é que, em março, a Bielorrússia abordou o Fundo com um pedido para discutir uma possível assistência de emergência, mas nenhum acordo foi alcançado e não encontrámos uma maneira de superar diferenças significativas sobre a resposta adequada ao presente desafio. O Instrumento de Financiamento Rápido, que é a nossa emergência, um de nossos mecanismos de financiamento de emergência, não carrega condições rígidas que expliquei no início da reunião, mas são necessárias garantias de transparência e ações políticas adequadas para garantir que os fundos sejam usados para enfrentar a pandemia e facilitar a estabilidade económica. Na verdade, estamos a entrar um pouco na sua próxima pergunta, Matthew. Mas ainda sobre a Bielorrússia, posso dizer-vos, não exigimos quarentena, isolamento, confinamento, mas buscamos garantias quanto às medidas para conter a pandemia de acordo com as recomendações da OMS, que é nosso procedimento operacional padrão em todos os países.”

Note-se que Aleksander Lukashenko, considerado o último ditador europeu em funções, nega a gravidade da pandemia Covid e a Bielorrússia, com uma população semelhante a Portugal, registou menos de 2.500 mortos Covid sem determinar quaisquer medidas de contenção.

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