Extremamente inconveniente

Empresas terão 4,6 mil milhões sem contar apoios indiretos e contratos: é o título de uma notícia de 23-2-2021, da agência Lusa.

Acossado por agentes de meios empresariais e partidos da oposição, o primeiro-ministro Costa encetou uma campanha de vídeos no canal de Youtube do Governo, em defesa do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) que se destina a desbloquear parte das verbas esperadas da União Europeia (UE) para mitigar os efeitos da pandemia.

“Há algumas dúvidas se o PRR apoia devidamente as empresas”, começa Costa por dizer.

Não, não há dúvida nenhuma! Temos a certeza que essa verba do PRR vai ser muito mal gasta e não apoia devidamente as empresas portuguesas. Nem essa verba nem as que venham a seguir.

Pode parecer radical, e sê-lo-á para alguns, mas, se ninguém falar, mais uma vez o País acabará no pântano de um regime socialista superendividado com o exterior. E, uma vez mais, vamos precisar de um governo realista de direita para endireitar as nossas finanças.

Temos de dizer basta! Temos de fazer parar esta loucura de pretender que é combatendo as alterações climáticas que saímos do buraco cavado pela pandemia, que é a rede 5G ou a eficiência energética que vão pôr pão na boca dos portugueses mais afetados pela crise, que é salvando a TAP (que nunca teve salvação…) que a fome será erradicada, que é com visões futuristas de formações digitais e apostas na descarbonização que se pode reanimar a restauração.

Extremamente inconveniente… Mas tem que ser dito enquanto é tempo. Não queremos ser cúmplices por omissão ao não denunciar o que parece ser uma associação de lunáticos que governa o país. Mas esse lunatismo apenas serve para desviar a atenção dos portugueses para os negócios que esconde. Negócios em tudo semelhantes aos negócios energéticos do primeiro-ministro José Sócrates que fizeram com que tenhamos o preço do kWh elétrico mais caro da Europa, cerca de 40% mais caro.

A prova de que assim é vem nesta notícia de 21-5-2020 do Expresso, com o título: “Hidrogénio: Governo conta com 7 mil milhões de investimento até 2030″. Isto numa altura em que Portugal estava a sair da primeira onda de Covid e em que se esperava tudo menos que se anunciasse um projeto-piloto (i.e., para testar nova tecnologia) que requer, nada mais nada menos, do que quase duas vezes mais do que o que alegadamente se vai gastar com apoios a empresas. Ainda por cima apoios virados essencialmente para descarbonização e energias renováveis com efeitos quase nulos na real necessidade das empresas.

O projeto do hidrogénio, por exemplo, não vai beneficiar empresas portuguesas. Vai beneficiar um consórcio que atuará apenas como intermediário porque toda a tecnologia é importada do estrangeiro, com exceção talvez de pequenos contributos de alguma startup chamada a colaborar e a aprender. Mais de metade dos 7 mil milhões volta, pois, à origem. E este projeto vai tornar o preço da eletricidade mais caro, ou seja, vai empobrecer-nos ainda mais.

Extremamente inconveniente… Mas estamos a um passo do abismo e o governo quer dar um passo em frente. E dará, se as forças empresariais, a sociedade civil e os partidos da oposição nada fizerem.


Henrique Sousa

*A imagem deste artigo foi editada

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