Estranha passividade

Com a Oposição em estado lastimável – o CDS não tem estado melhor –, Marcelo, numa estranha passividade, foi permitindo que o Governo afastasse os titulares de órgãos com provas dadas de independência mas incómodos para o Governo socialista. Portugal deixou de ter contrapesos, como deve ser numa democracia evoluída, e o resultado disso é que temos um partido que, colonizando o aparelho de Estado – os lugares já não são por mérito mas por cartão do PS – a sociedade civil e a economia privada, domina o país inteiro como nunca se viu. Marcelo já é considerado um deles e, na noite das eleições, para que não houvesse dúvidas, Carlos César fez-lhe ver que, sem os votos socialistas, a sua reeleição teria sido mais complicada.


O país vai viver neste desequilíbrio, em que um “Governo forte”, como Marcelo deseja, não vai ter a correspondência de uma “Oposição forte”, como ele diz defender. Bem vistas as coisas, dá-lhe muito jeito para justificar a sua permanente cumplicidade com o Governo, em relação ao qual mostra sentir-se confortável. Não lhe têm faltado simpáticos elogios de dirigentes socialistas, claramente satisfeitos com as suas prestações. Isso, de resto, foi muito evidente quando se preparava a sua candidatura presidencial. A nomenclatura do PS esteve toda com ele. El País, de 24-1-2021, por Cecília Ballesteros, chama-lhe “o político mais à esquerda da direita portuguesa”.


Ao ponto a que as coisas chegaram, sem qualquer perspectiva de mudança, Marcelo e Costa, já em declarada “união total”, têm a responsabilidade de resolver a situação crítica em que nos encontramos. E por mais que tentem ludibriar os Portugueses, a realidade vai impor-se de uma forma tão violenta que, mesmo que a cada passo procurem arranjar alibis, não haverá desculpas. Mentir-lhes em tempo de grande aflição, como este que o país vive, só pode gerar mais indignação.

Francisco Menezes

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  • Interessante análise. A passividade que refere, além de fazer parte da natureza dos portugueses, tem sido fomentada por lavagem cerebral dos mass média e manutenção de barriga cheia da populaça…, à custa da cabeça vazia. E muita falta de coragem!
    O CDS há muito que é a direita da esquerda…, ou seja, há mais de 40 anos que não existem em Portugal, políticos de Direita, que defendam abertamente os Valores que caracterizam a Direita, nomeadamente o Direito à Vida desde a concepção até à morte natural e combatam abertamente a maçonaria, a criminalidade-corrupção e o socialismo-comunismo, cancros sociais da actualidade nacional.

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