Esquecidos

No fim de semana passado foram administradas 183.000 doses de vacina. Foi um bom score. Foi o fim de semana dos professores (salvo os universitários), dos auxiliares de acção educativa e dos assistentes sociais. Se, em vez do plano de vacinação ter priorizado grupos corporativos, na maior parte dos casos formados por jovens com simpatia pelo PS e pela extrema-esquerda, deixando os idosos para trás, teríamos um número de mortos muito mais baixo.

Logo que sejam vacinados os portugueses das faixas etárias dos 65 anos aos 79 anos e dos mais de 80 anos o número de mortos ficará muito próximo do zero. O que impediu a Direção-Geral de Saúde de dar preferência ao factor idade? Apenas a ideologia socialista. Também nas epidemias, a ideologia mata.

O PS sabe que manter as tropas satisfeitas é meio caminho andado para a vitória. As tropas do PS são há muito conhecidas e abrangem sobretudo os que trabalham para o Estado. No regime corporativo não democrático ganham os grupos que fazem mais barulho. É assim também com as vacinas. Quem não grita não é ouvido.

Quase todos os dias somos informados de mais um grupo corporativo a ser considerado prioritário e, portanto, com direito a passar à frente do grupo de idosos que menos doses de vacina tem recebido: a faixa etária dos 65 anos aos 79 anos. Apesar de todos saberem que a maior parte dos óbitos ocorre entre os portugueses que têm mais de 65 anos de idade, o Governo socialista coloca os jovens dos grupos corporativos à frente dos idosos.

No Portugal Socialista quem tem sindicatos fortes e um lastro de esquerda é naturalmente qualificado de grupo prioritário. Os idosos não têm voz e quem não grita é esquecido.


Ramiro Marques

* O autor usa a norma ortográfica anterior.

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Latest comment

  • O seu artigo fez-me recordar, por contraste, o médico polaco naturalizado americano Albert Bruce Sabin que descobriu a vacina contra a poliomielite.
    Este cientista clarividente nunca patenteou a sua descoberta e nunca ganhou um só dólar com a sua vacina, tendo vivido sempre com o seu ordenado de professor universitário; o seu pensamento, como médico e como homem, era que a vacina devia ser distribuida e disponibilizada a nível global e considerava-a “a sua prenda para todas as crianças do mundo.”

    Deixo ao leitor as conclusões.

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