Errar é humano, mas persistir no erro…

Segundo uma anedota que circula na internet, em 1997 ter-se-ia disputado a primeira edição de uma competição de remo entre uma equipa portuguesa e uma japonesa, constituídas por amadores da modalidade.

Mal soou o tiro de partida, a equipa japonesa tomou logo a dianteira, acabando por cortar a meta com uma hora de avanço.

Como não podia deixar de ser, a direção da equipa portuguesa ficou desapontada com o resultado da regata, tendo de imediato levantado um “rigoroso inquérito”, para determinar as razões do sucedido.

Contra o que é hábito, o inquérito foi concluído rapidamente e apurou-se a verdade: na formação japonesa, havia um chefe de equipa e dez remadores, enquanto na turma nacional havia cinco chefes de equipa, três assessores e três remadores. A equipa foi modificada e apresentou-se, no ano seguinte, com apenas um chefe de equipa, dois assessores, seis consultores externos e dois remadores.

No final da segunda edição da prova, o avanço da equipa japonesa foi ainda maior, pois, não obstante a reestruturação levada a cabo na tripulação, o barco português chegou com duas horas de atraso!…

Seguiu-se uma nova reunião da direção da equipa portuguesa e o subsequente inquérito foi ainda mais rápido do que o anterior. Nos termos do relatório submetido à administração, uma conclusão se impunha: os remadores eram incompetentes. Contudo, alguém chamou a atenção para a injustiça que poderia estar a ser cometida contra os pobres remadores e, não querendo a administração e a direção sofrer nova humilhação na regata do ano seguinte, logo se alvitrou a necessidade de serem tomadas medidas mais eficazes.

Assim, o sector da informática foi convidado a dizer de sua justiça, bem como o departamento de novas tecnologias, que concebeu um barco com uma quilha capaz de sulcar as águas como uma lancha-voadora.

O pior é que, terminada a regata, o resultado não podia ser mais dececionante: o atraso português foi de quatro horas! Feita a competente investigação, concluiu-se que a formação japonesa, utilizando o mesmo barco dos anos anteriores, continuava a ser constituída por um chefe de equipa e dez remadores.

E a equipa portuguesa? Bem, essa havia sido, uma vez mais, profundamente remodelada, apresentando-se com um chefe de serviço, três chefes de secção, dois auditores externos e quatro seguranças, encarregados de vigiar o único remador, a quem, entretanto, devido aos fracassos dos anos anteriores, havia sido levantado um processo disciplinar, em consequência do qual o culpado viu serem-lhe retirados todos os bónus, incentivos, progressão na carreira, horas extra, etc.

Apesar do fracasso, a Ministra da Saúde insiste na mesma estratégia da equipa de remo da anedota, nomeando, à portuguesa, uma comissão para acompanhar a resposta das urgências de ginecologia e obstetrícia nos hospitais.

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Sub-diretor do Inconveniente

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  • No caso presente, pode dizer-se que é “resiliente” na asneira 🙂

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