Energias intermitentes: a realidade começa a impor-se!

O fundamentalismo climático assenta na hipótese dos gases de efeito estufa que levarão o planeta à ebulição e defende que se deixe de queimar combustíveis fósseis porque eles libertam CO2, o gás que se acredita contribuir mais para o tal efeito estufa.

No entanto, o consumo mundial de combustíveis fósseis não está a abrandar. Nos países em desenvolvimento o consumo de energia per capita é ainda muito baixo e a população mundial continua a aumentar. Assim, o consumo de energia continuará a crescer no mundo e os combustíveis fósseis são o recurso mais óbvio porque existem em quantidade e a preço conveniente.

Se é verdade que a concentração de CO2 na atmosfera está a aumentar, o CO2 que o Homem liberta para a atmosfera é apenas 3,85% do total, sendo o restante de origem natural: vulcanismo, decomposição de matéria orgânica, respiração dos animais, etc..

Destes 3,85% de CO2 antrópico, Portugal contribui com 0,13%, isto é, 0,005% do total das emissões de CO2 no mundo. Apesar disto, estamos empenhados em reduzir a nossa ínfima pegada de carbono, investindo milhares de milhões em várias frentes: eólicas on- e offshore, solares fotovoltaicas, produção de hidrogénio e amoníaco, armazenamento destes produtos, mobilidade eléctrica a pilhas e a células de combustível, redes de abastecimento eléctrico e de hidrogénio, etc., etc..

As eólicas e solares produzem apenas energia eléctrica e de forma intermitente, não sendo capazes de garantir potência quando ela é necessária. Por outro lado, há consumos não eléctricos de difícil substituição como nos transportes onde o veículo eléctrico é e será durante muito tempo a excepção, consumos do gás e gasóleo domésticos, tractores agrícolas, barcos, aviões, etc.. Estes consumos são superiores aos da geração de electricidade.

Em artigos anteriores, dissemos que estas energias intermitentes iriam, inevitavelmente, fazer encarecer a energia eléctrica. De facto, os operadores eólicos e solares só avançam se o retorno for garantido através de contratos que vigorem durante o tempo necessário para cobrir os custos de capital e o lucro almejado. A legislação teve que ser adaptada de modo a que toda a produção pudesse entrar prioritariamente na rede (tarifas feed-in), paga a preços elevados.

Só por isto já era de prever que o preço de energia ao consumidor tivesse que subir. Acresce ainda que a quantidade exagerada de potências intermitentes instalada leva a que as imprescindíveis centrais de back-up trabalhem menos e isto também encarece a energia por elas produzida que depende bastante do número de horas anuais de funcionamento. Em resumo, a energia eléctrica fica mais cara na produção no geral, por um lado por causa das tarifas feed-in da produção em regime especial, por outro lado pelo encarecimento da energia produzida nas centrais de back-up que hoje funcionam a gás natural.

Se isto se reflectisse imediatamente no consumidor, levaria as pessoas a questionar-se se valia a pena o sacrifício para salvar o planeta. Foi então que o governo de Sócrates/Pinho criou o chamado “défice tarifário”, uma forma de camuflar a subida necessária do preço da electricidade ao consumidor. A rede compra a energia aos produtores aos preços contratados, vende a preços que não cobrem as despesas e vai acumulando dívida a bancos, dívida garantida pela futura subida de preços ao consumidor.

Aquando da intervenção da Troika, ficou acordado que o défice tarifário teria de desaparecer até 2020. Realmente o défice chegou a baixar até 2020, à custa de sucessivos aumentos no preço da electricidade que é hoje sensivelmente o dobro do preço anterior a 2005. Com as novas fantasias da transição energética vai subir outra vez para milhares de milhões de euros em 2024.

As centrais a gás têm-se tornado economicamente inviáveis dada a sua fraca utilização causada pela presença exagerada da eólica e solar. Porém, dada a intermitência destas e a pequena capacidade de armazenamento, as centrais a gás são imprescindíveis para que a procura possa ser satisfeita mesmo na ausência de vento e sol.

Na vizinha Espanha cerca de 5 centrais a gás já encerraram ou estão em vias de encerrar, colocando em risco a capacidade da rede para satisfazer o consumo quando necessário. Com receio que mais centrais a gás possam seguir o mesmo destino, a Espanha pondera agora pagar-lhes a disponibilidade em potência. Ou seja, desde que as centrais existam e se mantenham prontas a entrar na rede, terão um rendimento de acordo com a potência nominal, o que significa mais custos para o sistema eléctrico.

É possível que Portugal siga o exemplo de Espanha de quem aliás copiou a ideia do “défice tarifário”. Isto vai, agora ou mais tarde, ser pago pelo consumidor. O mais lógico será ter de se pagar uma taxa de potência mais alta, mas pode também ser cobrada na energia porque as tarifas de electricidade estão hoje desvirtuadas na sua essência. Damos como exemplo as tarifas de acesso às redes onde se paga potência instalada na rede na parcela de energia, além dos “custos de interesse económico geral” gerados pelas energias renováveis.

E dizem agora os experts em energia que a “transição energética”, que vai permitir salvar o planeta a partir de Portugal (0,005% das emissões globais), é capaz de ser cara mas só no início. Uma transição energética que parece desnecessária já que o CO2 e o calor são benéficos para a agricultura.

Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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  • Para a religião aquecimentista, os argumentos do Henrique Sousa, não interessam. Os dogmas estão criados, e quem os negar deve ir parar à fogueira.

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