Encontro anual de ricos para defender pobres

O Fórum Económico Mundial, mais conhecido pela sigla inglesa WEF (World Economic Forum), apresenta-se como uma organização sem fins lucrativos, tem sede em Genebra e foi fundada em 1971 pelo alemão Klaus Martin Schwab, um professor de Administração na Suíça que desempenha hoje o cargo de director executivo (CEO) da organização. O actual presidente é o norueguês conservador Børge Brende, ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega (2013-2017).

A WEF funciona hoje como uma segunda ONU, sugerindo políticas ou aconselhando os governos, as corporações, a alta finança, empresários e académicos. As orientações da WEF visam a implementação de medidas da agenda ideológica que propõe, destinadas a resolver problemas globais. No entender do líder Klaus Schwab e dos seus seguidores, esses problemas vão ou já estão a afectar a vida no planeta – a fome, as alterações climáticas, sobrepopulação, guerras, energia, alimentação, educação, migrações, transição digital, inteligência artificial, etc..

Um dos mais conhecidos eventos da WEF é o encontro anual em Davos na Suíça. Davos é uma pequena comunidade turística, conhecida pelos desportos de Inverno. Mas as actividades da WEF são múltiplas e cada vez mais espalhadas pelo mundo, visando promover as suas propostas junto dos decisores “regionais” e mobilizar recursos humanos e materiais para as concretizar.

Realizou-se, neste ano de 2024, entre 15 e 20 de Janeiro, a 54ª Reunião Anual da WEF, acessível ao público em geral mas sob rigorosas medidas de segurança, num mundo envolvido directa ou indirectamente em diversos conflitos que têm provocado um aumento geral da inflação e que os recentes ataques terroristas no Mar Vermelho podem vir a agravar.

À reunião da WEF deste ano, que teve como divisa “Reconstruir a Confiança”, acorreram cerca de 60 chefes de estado e de governo, 1.600 líderes empresariais, mais de 300 figuras públicas, centenas de grandes organizações internacionais, líderes da sociedade civil, especialistas, empresários, académicos, além de imensos jornalistas, activistas e curiosos.

Entre os participantes estiveram António Guterres (ONU), Tedros Adhanom (OMS), Ursula Von der Leyen (UE) – vide as intervenções nas ligações! Presentes estiveram também Antony Blinken e John Kerry (EUA) Li Qiang (China), Emmanuel Macron (França), Pedro Sanchéz (Espanha), Isaac Herzog (Israel), Volodymyr Zelensky (Ucrânia), Olaf Scholz (Alemanha), entre tantos outros líderes mundiais. Rishi Sunak (UK) não foi a Davos este ano, mas o líder trabalhista Keir Starmer, o chanceler Jeremy Hunt e a chanceler sombra Rachel Reeves estiveram presentes pela UK.

Uma presença muito incómoda para os globalistas foi a de Javier Milei (Argentina), cujas intervenções mostram o seu desalinhamento com a agenda oficial da WEF que ele considera uma organização neo-marxista, promotora de ditaduras socialistas a nível global.

Entre os executivos estiveram Satya Nadella (Microsoft), Sam Altman (OpenAI), Jamie Dimon (JPMorgan Chase), Brian Moynihan (Bank of America), Larry Fink (BlackRock), Christine Lagarde (BCE) e o nosso Mário Centeno (Banco de Portugal), para citar apenas alguns dos mais conhecidos. De Portugal foram também vários CEO de grandes grupos como a EDP, Galp, Sonae, Jerónimo Martins, entre outros, segundo notícia de 16-1-2024 na ECO.

O ascendente moral da WEF a nível mundial é de tal ordem que a própria ONU subscreve a sua agenda globalista, subalternizando-se em relação àquela. Também o Papa Francisco parece prestar vassalagem à WEF, ao endereçar uma mensagem/benção a Klaus Schwab por ocasião deste encontro: “Com estes sentimentos, apresento em oração os meus bons votos para as deliberações do Fórum e, para todos os participantes, invoco de bom grado a abundância das bênçãos divinas.”

Estes encontros de pessoas ricas e influentes de todo o mundo em Davos, tendo como alegado objectivo apoiar um conjunto de medidas cheias de boas intenções para salvar o planeta e proporcionar bem-estar à humanidade em várias áreas, encerram contudo algumas contradições que não abonam a favor desse objectivo:

  • Muitos participantes deslocam-se em jactos particulares para esses encontros mas, nas suas intervenções, pedem às pessoas comuns para utilizar os transportes públicos para salvar o planeta;
  • Todos defendem, alegadamente, a prosperidade e a dignidade das pessoas mas o acontecimento acolhe imensas prostitutas, atraídas pela abastança dos potenciais clientes;
  • Os abastados participantes garantem às pessoas comuns que serão felizes se nada possuírem, “não terás nada e serás feliz!”;
  • O cúmulo do absurdo é os países com elevadas emissões de carbono pedirem aos países pobres para reduzir as suas emissões!

Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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