Empresa portuguesa faz sessões de ‘drag queens’ para crianças

A empresa portuguesa Drag Taste, que oferece sessões de entretenimento, “experiências” e gastronomia com “transformistas” ou drag queens, na rua do Grilo em Lisboa, apela enfaticamente aos pais que “tragam as suas crianças e bebés” às sessões, promovendo inclusive dinâmicas destinadas especificamente aos menores – as chamadas “Kids Drag Balls“.

Embora não haja registo da frequência com que estas dinâmicas se repetem, a presença de crianças em sessões drag é sistemática e francamente promovida.

Em vídeo de 2-9-2020, publicado na página do Facebook da organização, vê-se um bebé de dois ou três anos a assistir do seu carrinho a um drag queen no “Brunch“, de cuecas de fio dental e a fazer malabarismo, acompanhado por outros ao redor do salão.

“Primeira reação de sempre de um bebé ao assistir a um direto Queen durante o Drag Taste Brunch. Por isso agora já sabes, traz as tuas crianças e bebés, todas as idades são bem-vindas” – lê-se na descrição do vídeo.

O mesmo sucede noutros vídeos do serviço “Brunch“, desta vez em instastories, onde acrobatas aéreos drag queens enrolam-se de forma lasciva e beijam-se diante de uma criança na plateia.

Oficialmente, a restrição etária sucede somente na segunda sessão do espetáculo semanal “The Best Dinner Show“, avisando que só as pessoas com 18 anos ou mais podem assistir.

Com efeito, no cartaz do evento de reabertura do espetáculo, “The Comeback“, em 21-8-2021, foi prevista uma “Kids Drag Ball” das 15h às 16h30, que terá consistido num momento de maquilhagem e disfarce de crianças, com “recriação de um Drag Ball, onde pais e filhos poderão rir, dançar e criar memórias inesquecíveis juntos”, lê-se no comunicado à imprensa.

Todavia, não há quaisquer registos fotográficos ou em vídeo desta “experiência”.

Historicamente, a prática dos espetáculos drag, originários da cultura legebetista americana e recentemente popularizados pelos média sociais noutros países ocidentais, consiste em espetáculos multifacetados liderados por drag queens, com dança, música, desfiles, acrobacias, comédia, entre outras encenações, geralmente associados ao movimento LGBT e à paródia da heterossexualidade.

Já a grande novidade que a Drag Taste traz aos espetáculos drag não é apenas o “taste” da gastronomia, mas o prato servido em formato biberão.

Pedro Pico, fundador da empresa em 2019, ex-concorrente da segunda edição do Big Brother Famosos, acusado de maus-tratos aos empregados e de violência, condenado em julho de 2021 a dois anos e dois meses de pena de prisão suspensa pela prática de crime de violência doméstica contra o ex-companheiro, confessou numa entrevista, em 28-3-2022, o âmbito cultural da sua atuação:

“Tens muitos sítios onde tens drag queens espetaculares a trabalhar, mas não tens nenhum sítio no país inteiro, onde os miúdos – miúdos de 10 anos, e 15, e 12, e 9, e as mães e os avós – possam ir ver o espetáculo drag”.

O transformista Pedro Pico segura bebés ao colo.

Qual é o limite?

A cultura drag está a espalhar-se com grande rapidez, porém nem sempre com a devida sensibilização junto das famílias, apesar da proteção dos mais novos contra conteúdos de cariz sexual ainda ser um tema consensual na sociedade portuguesa.

Mais do que a alegada promoção da não-discriminação junto dos mais novos, está em causa os riscos de trazer a conotação sexual para o universo infantil e a transformação de conteúdos sexuais (ex.: travestismo) em objeto de desejo para crianças.

A legislação portuguesa, segundo o artigo 171.º do Código Penal, proíbe o aliciamento de menores de 14 anos a assistir a atividades sexuais, com pena de prisão até três anos.

A avaliação da conformidade ou desconformidade das sessões em causa com a lei não se faz no presente artigo, nem cabe ao jornal fazê-lo.

Contactada pelo Inconveniente para prestar declarações sobre esta matéria, a Drag Taste não respondeu.


Maciel Rodrigues

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Latest comments

  • A Drag Queen segura na criança. Brinca. Acaricia. Tudo isto é sem malícia, claro…
    Os ingleses têm um termo para isto: grooming.
    E o grooming é crime, porque é meio caminho para crime de pedofilia.
    Aquele paizinho que leva para ali a criança. Será só parvo? Não há ninguém para dar uma chapada bem dada nestes pais e mães modernistas?

  • «…Ao dissolver as nacionalidades, o sistema económico liberal fez o seu melhor para universalizar a inimizade, para transformar a humanidade em uma horda de feras vorazes (pois o que mais são os competidores?) que devoram umas às outras simplesmente porque cada uma tem interesses idênticos aos de todas as outras – depois desse trabalho preparatório permaneceu apenas um passo a ser tomado antes do objetivo ser atingido, a dissolução da família…» – Friedrich Engels

  • Os meus parabéns por esta reportagem, qual pedra no charco fétido em que se tornou a sociedade portuguesa.

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