Eletricidade: tudo diferente, tudo igual

© Jarmoluk via Pixabay

O Jornal de Notícias publicou, no dia 29-3-2021, um comunicado de grande importância para os portugueses, acerca da eletricidade, mas não se trata de uma subida nem de uma descida de preços, nem de uma possível alteração dos contratos de fornecimento.

Depreende-se que seja um comunicado do grupo EDP porque vem numa rubrica publicitária. Nesse comunicado informa-se os consumidores que uma das empresas do grupo, a EDP-Distribuição, mudou de nome para E-Redes.

O comunicado, depois de dizer poeticamente que “Mas assim como o mundo está em constante mudança, e estes anos foram a prova disso, também as grandes marcas que tanto nos são familiares necessitam mudar”, explica, mais à frente, o verdadeiro motivo da mudança de nome que é:

“Esta mudança de marca surgiu pela necessidade de dar seguimento às diretrizes da União Europeia que, no âmbito da liberalização dos mercados de energia, determinam a separação de atividades e um aprofundamento da separação de imagem entre operadores do mesmo grupo…”

A EDP-Distribuição, agora chamada E-Redes, nasceu em 2000 e é, no fundo, a empresa responsável pela instalação e fornecimento de eletricidade aos consumidores. Mas os consumidores celebram, desde 2006, os seus contratos de eletricidade com as comercializadoras, entre elas outras duas empresas do grupo EDP, a EDP-Comercial e a EDP-Universal. Não se percebe bem o papel das comercializadoras no circuito porque estão todas dependentes de uma só empresa que distribui a eletricidade e que zela pelo bom funcionamento da rede de distribuição, embora recorrendo ao trabalho de colaboradores externos (outsourcing).

Em que medida é que o consumidor pode beneficiar com a existência de tantas empresas que giram em torno da EDP-Distribuição (E-Redes)? Parece que de maneira alguma. Nem que mudem todas de nome.


Henrique Sousa
Editor de Energia e Ambiente do Inconveniente

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Latest comment

  • > Em que medida é que o consumidor pode beneficiar

    De duas, exemplos:

    a) Tenho um contrato de 5 eur/mes com a Nowo, que comercializa recursos da MEO. Mas a MEO, sob os seu nome, só oferece contratos de mais de 12 euros.

    b) A EDP Comercial, além de cobrar energia, vende serviços, alguns mais úteis que outros. A solução que vendem de postos de abastecimento em garagem de condomínio por exemplo pode ser bem útil.

    Sem qualquer amor especial ao capitalismo avançado, mas às vezes dá jeito.

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