Editorial – O desprezo pelo povo

O Governo socialista adiou medidas mais severas de confinamento da população, desde logo o fecho das escolas, perante uma situação catastrófica de contágios, mortos e falta de capacidade dos hospitais. Não existe recuperação dos mortos, mas perda de vida que seria muito menor se tivesse havido prudência e competência na gestão da crise sanitária.

Os governantes politicamente corretos que não quiseram o isolamento de idosos e em risco, pessoal médico, auxiliares e cuidadores, para não discriminarem grupos da população, são agora responsáveis últimos sobre a decisão de vida ou de morte de pessoas desses segmentos. O totalitarismo do politicamente correto obriga ao sacrifício ideológico do povo.

O Governo desleixou a preparação da resposta à segunda e terceira vagas da pandemia, para as quais teve suficiente tempo, e o Presidente dos afetos descurou a vigilância das instituições e a atenção ao povo.

Portugal tornou-se o país do mundo com maior taxa de contágios de Covid-19 por milhão de habitantes e de óbitos.

Os hospitais públicos – pessoal médico e de enfermagem, o equipamento (ventiladores) e camas – foram sobrepujados pelo enorme afluxo de doentes em estado grave. Sem capacidade de atendimento, os médicos viram-se forçados a tomar decisões de quem socorrem, salvando uns e sacrificando outros.

Enquanto os hospitais transferiam doentes por falta de camas e pessoal, o Governo teimou em não recorrer aos hospitais privados por teimosia ideológica da coligação de esquerda.

Demonstrando a pouca importância dada aos testes da doença e a decisão do Governo em não os alargar, contra a evidência científica da indispensabilidade do controlo atempado das cadeias de transmissão, em 14-1-2021, na TVI, o primeiro-ministro António Costa declarou que os testes eram “uma moda”.

A doença invadiu os lares de idosos, através do contágio do pessoal, que não foi isolado, e massacra os mais frágeis. Os transportes públicos não são apontados como espaços de elevado risco.

A preocupação primordial do primeiro-ministro, evidenciada pelas opções tomadas, é a arrecadação de impostos, denunciada na decisão de manter abertas as agências de jogos do Euromilhões.

Perante o agravamento da situação sanitária, que dispensa adjetivos e advérbios de modo, o primeiro-ministro António Costa tentou ganhar tempo para não prejudicar resultados eleitorais. Em conluio com Costa, o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa não se impôs à negligência de ação do Governo, no qual o ministro do Educação também defendia a decisão de manter as escolas abertas. O amor ao povo pareceu ser apenas para uma pose encenada para selfies de beijos e abraços…

O pânico de um baixo resultado na eleição presidencial de 24-1-2020, por medo de um efeito Bolsonaro de crescimento imprevisto de votos do candidato anti-sistema, cegou a visão política do Governo. Entre a proteção de vidas e os votos, Costa e Marcelo preferiram o poder. O povo não tem valor nesta inequação demagógica.

Porém, as ironias fatídicas desta irresponsabilidade política são que a prioridade às finanças públicas não sacrificou apenas a saúde, mas arruinou o Estado, e a preferência pela preservação do poder em vez da vida do povo, causará a prazo a ruína do Estado e do povo pelo Governo da coligação marxista e uma mancha irreparável na imagem do presidente.´~


António Balbino Caldeira

Partilhar

Latest comments

  • Este PR nunca teve respeito pelo cargo e apenas olha para o seu umbigo, é um rapaz que nunca cresceu, não sei se foi da educação que recebeu, decerto não da parte do pai que nunca o vi defender depois de Abril. Ainda não lhe disseram que já não usa calções e já é tarde para usar calças como um homem crescido, usou o cargo apenas em seu proveito e continua a ter atitudes irresponsáveis, não sei se ainda faz testes todos os dias, não ajuda ter um PR assim e então com um PM que neste momento passou de manhoso a assustado. É, isto em que se transformou o Estado, falido como em 1926, com gente do mesmo género da I República, trauliteiros e mal formados. Não sei do que ri Marcelo, mas decerto ri sem saber do quê, faz parte de um teatro e de uma peça em 2 actos que vai acabar mal, não para ele e amigos, mas para o país.

  • “usou o cargo apenas em seu proveito e continua a ter atitudes irresponsáveis…”
    Há que citar exemplos para contextualizar e explicar a própria ideia.

Post a Reply to Maria J. Cancel Reply