É preciso fazer ALGO!

De vez em quando gosto de falar sobre o tempo e hoje, “em pleno século XXI”, como toda a gente costuma dizer quando nada tem para dizer, os políticos maquiavélicos, os “especialistas” engajados, os entertainers do show business, os flautistas das “causas” e as massas ignaras que os seguem, falam também muito sobre o tempo porque “sabem” que a emergência climática é provocada pelo homem, é um perigo para o planeta, e tem de se fazer ALGO.

Está aliás a piorar, avaliando pelo tremendismo lexical.

De um assustador arrefecimento global nos anos setenta e oitenta do século XX, passou-se num ápice para o aquecimento global, a galope para a mudança climática e, em menos de um fósforo, já estamos na “emergência climática”, a antecipar, prevejo eu, o Armagedão climático antes que abram os restaurantes.

E neste apocalipse da razão, eventos meteorológicos de lana caprina, que antes ocorriam naturalmente, tornaram-se hoje provas insofismáveis da tenebrosa emergência climática, justificando novas leis repressoras e fiscalmente ávidas, engenharias sociais delirantes e os assustadores avisos de todas as cores, quase todos os dias, na rádio, na TV, nos media, nas vozes graves dos “protectores civis”.

Tanto a última cheia, como a última seca, o vento forte, a ondulação marítima, o anticiclone dos Açores, os incêndios, o racismo, o próprio COVID só existem hoje, ao contrário do que acontecia antes, por causa da emergência climática.

O gelo que se separa dos glaciares, os furacões, os tornados, as ondas de calor e de frio, a alteração dos testículos dos ursos polares, o Al Gore, o John Kerry, o Leonardo DiCaprio, a Greta, o Rui Rio, a Catarina Martins, o Guterres, etc., fazem também parte das catástrofes que antes nunca aconteceram e que agora nos despertam rudemente para a emergência climática e nos alertam para a urgência de fazermos ALGO.

Desde há dezenas de anos que os “especialistas” nos juram que só temos alguns anos para fazer “algo” antes que a catástrofe se abata.

É verdade que a esmagadora maioria dessas profecias do Juízo Final passaram sem que ninguém desse conta de nada, e sem que o Sol tenha deixado de nascer pacatamente a Leste, mas o frémito para fazer “algo”, renova-se todos os dias, temos até já medo de expirar CO2 a cada baforada e não tarda o dia em que o faremos às escondidas e mediante o pagamento de mais uma expiadora taxa verde.

Eu estou já em ponto de rebuçado para me juntar à Igreja Salvadora da Santa Greta e das estrelas de cinema especialistas em proteger a Mãe Natureza, e considero-me também perfeitamente capacitado para andar de jacto privado de um lado para o outro, a apelar a que as pessoas andem a pé e comam nabos, em vez de rodovalho.

Se se trata de um bom objectivo de vida para políticos velhacos e analfabetos entertainers de Hollywood , também o pode ser para mim.

Uma das coisas que gostaria de explicar às massas, se eu próprio a entendesse, é porque razão continuam a chamar “óptimos climatéricos” aos numerosos períodos anteriores de aquecimento, inacreditavelmente ocorridos mesmo antes de haver homens a “destruir o planeta”, quando parece evidente que se estaria muito melhor debaixo de 1 Km de gelo, como também já aconteceu inúmeras vezes, embora ninguém lhes chame “óptimos”.

Já li os Evangelhos do senhor Gore, da doutora Greta, da Climáximo, do IPCC e de todas as congregações da Fé, e não encontrei lá resposta a este mistério.

O que eu não posso deixar de ver, até porque entra pelos olhos dentro, é que a chamada “nova esquerda” está perdidamente rendida a estas tremendas profecias do clima que ( por coincidência?) plagiam abertamente as teses do Sr Heidegger, na sua fase nazi.

A que se deve esta paixão da esquerda pela “emergência climática”?

Amor ao planeta? À espécie humana em geral? A mim em particular?

Não, a verdadeira razão, a da Bayer, aquela que nem às paredes se confessa, é que isto permite culpar o heteropatriarcado branco, esse belzebu, e, ó felicidade, os seus derivados, o capitalismo, e a opressora Civilização Ocidental.

É portanto a tábua de salvação da esquerda, órfã ideológica dos sóis do mundo e reduzida às gesticulações utópicas do “contra”, após o funeral dos “socialismos reais”.
É que as “verdades reveladas” dos Jeremias do clima são um autêntico albergue espanhol. Dão para condenar tudo, desde o racismo ao Covid, passando pelo “machismo”, a “homofobia”, a “transfobia”, o Bolsonaro, etc, etc.

Ah, mas então e os relatórios do IPCC, essa cidadela do saber?

Bem, o IPCC não faz ciência. Compila!

Os funcionários que por lá circulam são seleccionados, não por critérios de irredutível amor à ciência e ao saudável cepticismo que ela implica, mas pelas exactas razões que levam a que não se recrutem ateus para difundir o Evangelho. E tantos evangelistas por metro quadrado, tornam livre e irresponsável a mentira atropelando despudoradamente o rigor com a paixão doutrinadora.

Os fins justificam os meios, como explicava o sabido Nicolau Maquiavel.

Seja como for, esquerda encontrou nesta bíblia um abrigo à medida, e uma nova “causa”, uma nova bandeira que lhe permite brandir os punhos internacionalistas, e exigir que sejam tomadas medidas para o nosso bem, medidas que nos vão ao bolso, nos limitam a liberdade, nos fazem reféns do medo vago e interminável, e que exigem sobretudo uma “acção concertada”, novo eufemismo para a velha medicina da planificação centralizada, receita que deu sempre pratos indigestos.

Todavia desta vez há ingredientes de muito difícil desconstrução, no tempo que andamos por cá.

Quando se juntava ao prato coisas vagas como o “imperialismo”, o “grande capital”, o “neoliberalismo” e a “injustiça social” e patati patatá, a malta olhava de esguelha, resmungava e ia até ao bar petiscar uns tremoços, emborcar uma caneca e ver o futebol.

Agora não!

Agora, cada vez que chover demais ou de menos, fizer um frio de rachar ou uma caloraça tropical, lá está o dedinho dos “especialistas” a indicar que a culpa é da emergência climática, logo nossa, logo do capitalismo, logo do Ocidente, logo do heteropatriarcado branco.

Todos os caminhos vão dar ao demónio de serviço, mas este é à prova de bala, porque não pode ser desmentido em tempo útil.

Se aquecer, temos os “especialistas” de dedinho espetado, a sussurrar “eu não vos dizia?”.

Se não aquecer aparecem os mesmos, a fazer cafuné na nossa cabeça, que vamos muito bem porque estamos a fazer o que eles mandaram.

Estamos pois perante um fenómeno que é comprovado por tudo o que aconteça ou não aconteça, tal como os castigos de Deus, sempre justificados por algo que fizemos, ou não fizemos, ou deveríamos ter feito, ou tínhamos intenção de fazer.

Não é ciência, é religião.

De resto as profecias milenaristas sempre venderam bem.

Na Estrela Misteriosa (Tintim), um velho em túnica branca, longa barba grisalha e olhar esgazeado tange um gongo e exorta ao arrependimento, berrando que vem aí o castigo e o fim do mundo.
Esta imagem, de um ridículo que constrange, é bem a metáfora do nosso tempo, das nossas sociedades afluentes, das Gretas e das histerias climáticas.

A exortação ao arrependimento instalou-se de pedra e cal na cultura do ocidente, de joelhos perante a má consciência dos pecados imaginários que todos lhe apontam.

Trata-se, no fundo, do velho conceito do pecado original, tão poderoso na civilização judaico cristã, transferido para agnósticos, ateus, etc, que, como dizia Nietzsche, se refugiaram nas ideologias que supercristianizaram o cristianismo, em nome da “humanidade”.

Hoje a hegemonia cultural neomarxista, de origem gramsciana, resolve-se na denúncia permanente da civilização ocidental opressora, e dos seus “crimes”, climáticos e outros.

Vénias a Xin Jin ping, abraços a Fidel Castro, admiração por Putin e Chavez, etc, ódio a Trump e aos outros diabos caseiros.

A culpa e a autoflagelação são hoje o dogma sagrado ferozmente guardado e alimentado por aiatolas da correcção política, que policiam a linguagem, definem os conceitos e dão ou negam o imprimatur.

É uma penitência dirigida e progressivamente interiorizada. Acusamo-nos a nós mesmos por sermos o que somos nesse simbolismo imbecilizante traduzido no conceito de “heteropatriarcado tóxico e branco”. Somos umas bestas, porque somos homens, porque somos heterossexuais, porque somos “opressores”, porque criámos sociedades industriais, tecnológicas, afluentes que, apesar de todos os defeitos, são as mais bem sucedidas que o sapiens criou desde que deambula no planeta.

E somos, nesta narrativa autodestrutiva, os culpados de tudo, urbi et orbi, do clima, da fome, da guerra, da violência, do passado, do presente, do futuro, das desgraças, nossas e dos outros, reais ou imaginárias.

Somos culpados, logo devemos calar, amochar, sentir vergonha, mudar a mentalidade e pedir perdão, pagar em dinheiro sonante, as “reparações” do clima e do resto.

A farsa da “emergência climática” é apenas a mais inabalável e recente derivação desta ideologia suicida que nos está a destruir.

E é por isso, e só por isso, que dela se apropriou a nova esquerda.

Não se trata do nível dos mares, não se trata dos ursos polares (que, a propósito, estão bem, obrigado e continuam sem chegar aos pinguins), não se trata de defender os glaciares, de preservar a Amazónia, de salvar o planeta, de proteger a natureza.

Trata-se de transferir riqueza e destruir o nosso modelo de sociedade. Trata-se da 4ª via para o socialismo internacionalista.

Mas não há um “consenso”? Os “cientistas” não dizem que vem aí a catástrofe se não fizermos “algo”?

É verdade que a superficialidade da grande maioria dos meios de comunicação tende facilmente a encontrar “consensos” opinativos sobre os temas da moda, como a “emergência climática”. Não há hoje pivot televisivo ou escriba assalariado que resista a mostrar credenciais “correctas”, acrescentando o seu comentariozinho moralista e culpabilizador da “espécie humana” e da “ nossa civilização”, a propósito de toda e qualquer inundação, furacão, seca, ventania, incêndio, etc, que seja notícia nesse dia.

Mas não, não há consenso sobre as causas da mudança climática que sempre aconteceu, está a acontecer e irá continuar a acontecer até ao momento em que o planeta Terra for abrasado e absorvido pelo Sol moribundo.

Não há consenso, nem o debate está terminado, como pregava Al Gore, antes da Greta, porque em ciência, os debates nunca estão terminados, em ciência não há “Verdades”, apenas teorias refutáveis.

E este debate não está terminado porque centenas de cientistas discordam do “consenso” da meia centena dos elementos do painel do IPCC que elaboram os Relatório da ONU, compilando os papers que lhes interessam.

Não está terminado porque nestas centenas de cientistas que discordam corajosamente do “consenso”, muitos já estiveram no IPCC e sabem, de saber vivido, que este organismo está a fazer política e não ciência.

Não está terminado quando pessoas como o Nobel da Física, Ivar Giaever diz sem papas na língua que “o aquecimento global tornou-se uma nova religião.”

Não está terminado quando o falecido Professor Delgado Domingos, catedrático do IST, fundador e dirigente do grupo de Previsão Numérica do Tempo na Secção de Ambiente e Energia, que fazia diariamente a previsão do tempo para Portugal, afirmava que “o alarme sobre a mudança climática é um instrumento de controle social, um pretexto para negócios e combate político. Tornou-se uma ideologia”.

Não está terminado quando centenas de papers com peer review continuam a ser publicados, apesar de ser cada vez mais difícil pela pressão, pela falta de financiamento, pelo ostracismo profissional que isso tende a acarretar a quem se atreve.

O que estes “consensos” culpabilizadores revelam, é a deriva cada vez mais dramática da nossa civilização, em direcção ao oblívio, atraída pela vertigem do abismo de um relativismo moral que apenas se chicoteia a si próprio.

Ah, mas os modelos prevêm o fim do mundo e gatos por cordas, daqui a 100 anos, se não fizermos “algo”.

O problema é que os modelos não são a realidade, mas sim abstracções muito simplificadas da realidade, nas quais há numerosas variáveis parametrizadas, porque não se conhece o modo como interagem, só são introduzidas as que se conhecem, as que os modeladores acham importantes e as que são possíveis de introduzir.

E sendo matematicamente impossível saber como evolui um sistema complexo, para lá de um certo número de iterações já que, por vezes basta uma variação infinitesimal de uma variável, para virar do avesso o output do modelo, pode facilmente entender-se que ao fim de alguns ciclos, o resultado dos modelos inscreve-se num leque de dispersão que pode ir dos oito ao oitenta, do arrefecimento catastrófico ao aquecimento insuportável.

Ninguém contesta que a taxa de CO2 aumentou muito nos últimos anos, mas a verdade é que a temperatura aumentou apenas 0.6 graus em todo o século XX o que só por si indica que não é certo que exista sequer uma correlação moderada entre o nível de CO2 e a temperatura, quanto mais uma relação de causa e efeito. Na verdade, pode muito bem ser o contrário, isto é, ser o aumento da temperatura que provoca o aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Pelo menos parece ser isso que indicia o registo paleoclimático, colhido nos gelos milenares.

Mas 0,6º em 100 anos, não é nada que justifique tanta histeria, tantos impostos, e muito menos as homilias da Greta e a incessante doutrinação que dardeja raios sobre o futuro, ameaçando-nos com certezas de terror e destruição, tal como sempre fizeram os profetas da desgraça.

Antes era pelos pecados contra Deus, agora é pelos pecados contra o novo Deus dos sem Deus: a Natureza.

Como se nós não fossemos da natureza.

Bem vistas as coisas, o CO2 nem sequer é o GEE com maior efeito de estufa. O vapor de água bate-o aos pontos e o metano tem janelas de absorção muito mais dilatadas.
O CO2 é, convém lembrar, um gás vital. Produzido por todos nós, a cada expiração, é consumido pelas plantas que sem ele, não poderiam fazer a fotossíntese e produzir parte do oxigénio que inspiramos.

Dentro de certos limites, quanto mais CO2 existir na atmosfera, mais e maiores plantas se desenvolverão, já que se trata de um equilíbrio dinâmico.

Os cientistas sabem disto, mas o “consenso” não é científico, é ideológico e a escolha do CO2 como vilão tem como objectivo a própria alteração do modelo civilizacional ocidental. Os próprios ecofascistas, apesar de continuamente nos exortarem a sermos virtuosos e a não pecarmos contra o seu Deus, reconhecem implicitamente que reduzir o nosso nível de vida, aumentar os impostos sobre a indústria e sobre o consumo, etc, não vai alterar nada, porque obviamente tudo depende de forças muito mais poderosas.

As mesmas que levaram temperatura da terra a oscilar entre óptimos climatéricos e glaciações, muitos milhares e milhões de anos antes de sequer haver sapiens do “heteropatriarcado branco” a quem carregar com a culpa.

De resto, neste novo catecismo climático, é notória uma pregação que mistura pseudociência, ideologia autoflagelante e empenhada exortação moralista à “mudança de mentalidades” e do modo de vida.

A enfase na solução pela tecnologia é visivelmente desconfortável para os pregadores porque se trata de gente que, de um modo geral, desconfia da tecnologia e odeia a civilização industrial que dela depende e que, na sua opinião, aliena o homem da natureza.

No fundo o problema é mais filosófico e psicológico que climático.

Em termos psicológicos, é evidente o esquema edipiano da Mãe Natureza, vítima do Pai (civilização ocidental), contra o qual se vira o filho protector (os “oprimidos”). No limite o filho aspira a matar o Pai, ficando então livre para amar a Natureza e viver feliz.

Os fanáticos do clima estão impregnados até à medula deste tipo de pensamento esquemático, e é por isso que recorrem a profecias apocalípticas em linguagem forte e passional, como pregadores de uma qualquer religião ou seita.

Como todos os utópicos em missão, acham também que o problema para que alertam é o mais importante do mundo e que as pessoas têm de ser educadas e mudadas para que vejam o perigo da maneira que eles o vêm, e se juntem à batalha, não se esquecendo de sugerir que quem discorde dessa visão só pode ser gente de má-fé, ou ignorante, apostada em continuar a agredir a Mãe Natureza. Criminosos que têm de ser silenciados e pagar pelos seus crimes “negacionistas”.

Ora este pensamento está perigosamente perto do pessimismo tecnológico de Heidegger (The Question Concerning Technology, 1953), e no subsequente pessimismo político do filósofo alemão, que achava que não havia solução política, para lá da “intrínseca grandeza e honestidade” da solução “nacional-socialista”.

Os seus modernos plagiadores reivindicam também um novo paradigma civilizacional pela reformulação da organização política em torno do problema da mudança climática, da “educação” do pensamento dos homens e da repressão pela via das leis de “emergência”.

Os mais extremistas sugerem até a criação de estruturas mundiais não eleitas, compostas por “especialistas” da ecologia, uma espécie de aiatolas ecológicos, que se atribuem a si próprios o privilégio de interpretar directamente as Verdades Reveladas da Mãe-Terra, sumo-sacerdotes do saber ecológico, aptos a orientar espiritualmente a acção dos governos eleitos.

E tal como Heiddeger, estes “especialistas” são pessimistas mas utópicos. Vêm um problema mas também a oportunidade nos salvarmos submetendo-nos à autoridade da sua iluminada visão.

Seremos então homens novos, a suprema aspiração de todas as ideologias utópicas e, como que por milagre, o clima nunca mais mudará e seremos todos muito felizes, na Montanha de Açúcar, no Amanhã que Canta, no Reich dos Mil Anos.

Mas será mesmo necessário o idealismo platónico e o dualismo cartesiano para lidar com a mudança climática? É mesmo precisa uma “mudança de mentalidades”, um “homem novo” e novas forma de organização política e social?

Não era este o tipo de “soluções” preconizado pelos líderes da URSS?

Para quê transferir a questão do mundo real da tecnologia, da economia e da política (a arte do possível) para a estratosfera moral, a partir da qual é fácil condenar de forma absoluta.
Estou a inventar?

A exagerar?

Recordo que todo este movimento começou na célebre Conferência do Rio, onde o lobi ecofascista assestou baterias sobre o modelo de desenvolvimento da civilização ocidental, levando a que centenas de cientistas entre os quais mais de 60 Prémios Nobel, se tenham demarcado (Apelo de Heidelberg) das recomendações, denunciando o seu carácter.

O ser humano não é apenas um animal como os outros. A consciência da nossa inexorável finitude é uma tragédia que nos acompanha desde que despertamos cognitivamente (e talvez seja essa afinal a metáfora bíblica do fruto proibido da árvore da sabedoria, que nos expulsou do Paraíso).

De algum modo, necessitamos de acreditar em algo que nos transcende, algo maior que nós, que nos dê propósito, que nos alivie e nos dê respostas.

É o que sempre fizeram as religiões.

Mas, no Ocidente, “Deus morreu. E fomos nós que o matámos”, como escreveu Nietzsche.

Sem Deus, o imenso vazio foi ocupado por crenças laicas, como o comunismo, o fascismo, a fé na omnipotência da ciência, etc.

E, mais recentemente, por profetas do apocalipse climático.

Um problema como tantos outros, que se plantam perante nós desde o momento em que caminhamos sobre a terra, e que temos de resolver com engenho, arte, senso e ponderação, está transformado numa nova religião, com os seus evangelhos, teologias, moral, pecados e virtudes, e até, mais recentemente, uma nova santinha, a adolescente sueca com problemas mentais, temperamento zangado, completa ignorância e uma obsessão patológica.

Sim, nós perturbamos o clima, fazemos parte do equilíbrio dinâmico do sistema, e é do nosso interesse fazer o que estiver ao nosso alcance para manter os equilíbrios sistémicos que possibilitam a nossa vida na Terra. Mas tendo presente que não passamos de piolhos na superfície do planeta e que não, não está “cientificamente provado” que a nossa acção seja o maior factor das alterações climáticas.

Qualquer asteróide, qualquer epidemia, qualquer guerra nuclear, qualquer terramoto, qualquer vulcão, etc, etc, pode causar em segundos, problemas infinitamente mais sérios à nossa casa comum. Algumas dessas coisas podemos mitigá-las, outras nem de longe nem de perto, restando-nos preparar a adaptação.

O clima não contém nenhuma destas premências nem justifica tanta histeria e tanto dinheiro extorquido aos bolsos dos cidadãos, em prejuízo da sua felicidade, saúde e qualidade de vida.
Com esta alucinação colectiva, estamos a tomar medidas “pelo clima”, que apenas nos trazem pobreza, desemprego e falta de competitividade económica.

Somos, no Ocidente, cada vez menos pessoas mas, pateticamente, acreditamos que se pagarmos mais impostos e não comermos carne de vaca na cantina, estamos a “salvar o planeta”.

O Sudeste asiático, com a China, Índia, etc, soma muito mais de metade da população mundial e aqueles países estão-se nas tintas para estas homilias de gente decadente, mole e suicida.

O planeta continuará impávido nos seus longos ciclos, umas vezes mais quente, outras vezes mais frio, mas os nossos filhos e netos serão mais pobres… cada vez mais pobres, menos livres, cada vez menos livres.


José do Carmo

*O autor escreve segundo a antiga ortografia.

Partilhar

Latest comments

  • Parabéns! Excelente texto. Continue assim. Dá gosto lê-lo.

  • Sobre questões climáticas é raro aprender alguma coisa. Com esta peça, confesso que aprendi: desconhecia as ligações a Heidegger.

    É frequente ouvir e ver escrito: “(…) para ter 50% de probabilidade de evitar uma subida de 1.5º C (…)”. Costumo fazer sempre algumas perguntas que ficam sem resposta.
    Uma subida relativamente a quê?

    Ao período quente romano?
    «The Roman Warm Period, or Roman Climatic Optimum, was a period of unusually warm weather in Europe and the North Atlantic that ran from approximately 250 BC to AD 400. … That and other literary fragments from the time confirm that the Greek climate then was basically the same as it was around AD 2000.»

    Ao período quente da Idade Média?
    «The Medieval Warm Period (MWP) also known as the Medieval Climate Optimum, or Medieval … The warm period became known as the Medieval Warm Period.»

    Ao período conhecido como Pequena Idade do Gelo?
    «The Little Ice Age is a period between about 1300 and 1870 during which Europe and North America were subjected to much colder winters than during the 20th century. The period can be divided in two phases, the first beginning around 1300 and continuing until the late 1400s.»

    É obvio que a subida de 1,5 ºC se refere a este último período, dada a conveniência de se colocar a origem do referencial nesta última época climática fria para sobrevalorizar o actual período em que nos encontramos, omitindo galhardamente a paleo-climatologia e toda a história de constantes alterações climáticas anteriores (gráfico de temperaturas do período inter-glacial do Holoceno: http://prntscr.com/wg63ma).

    E, em termos percentuais qual o valor de uma variação de 1,5 K na temperatura média global expressa na escala absoluta?

    O que está em causa é a alegada dependência da temperatura da concentração de CO2. Prova-se (de várias formas) que essa dependência não existe. O que existe é uma correlação entre pressão e temperatura à superfície de corpos celestes com atmosferas espessas, que é dada aproximadamente por uma das equações de Poisson, que não dependem das pressões parciais de gases com efeito de estufa, nem da distância ao Sol. Como exemplo:

    Vénus ->pessão superf. =93 bar ——>temp. superf. =740 K
    Terra –>pressão superf. =1 bar ——->temp. superf. =288 K
    Marte ->pressão superf. =0,006 bar ->temp. superf. =213 K

    E é pelo facto da pressão diminuir com a altitude que a temperatura também diminui com a altitude. Inversamente, as temperaturas mais elevadas registam-se em depressões, constituindo o Vale da Morte exemplo paradigmático.

    • Obg pelo aporte técnico. Infelizmente o problema não é científico mas de outra índole. A ideologia travestida de ciência, é o demónio do nosso tempo.

  • Gostei muito do seu artigo. Nasci em 1941 numa pequena aldeia da Beira Alta, na Serra da Estrela. Na minha juventude falava-se, de vez em quando, nas prediccoes em que o mundo iria acabar. Minha Avo, na sua sabedoria popular, dizia-nos “Meninos, nao acreditem. O mundo so acaba para quem morre”.
    Agora apareceu Bill Gates (para nao falar noutros) encarnando o papel de especialista em computadores, vacinas, alimentacao, clima, etc.etc. que nao passa de charlatao com muito dinheiro, mas tem influencia. Pobre coitado nao vai alterar nada porque nao e o homem que tem poderes para influenciar a natureza. Ele e outros vao tramar-nos com impostos em cima de impostos.
    Havia gente na minha aldeia que percebiam mais do tempo do que os actuais “especialistas” e com esse conhecimento orientavam as suas vidas e accoes o melhor possivel.
    Duvido, no entanto, que alguma vez lhes tenha vindo a cabeca a ideia de “controlar’ o clima ou o tempo (como entao se dizia).

  • Parabéns pelo seu artigo.
    Há estudos que demonstram que quando as pessoas saem da pobreza, começam-se a preocupar com o meio ambiente. Até lá a sobrevivência vem em primeiro lugar.
    Posso estar enganado, mas ainda não ouvi os ambientalistas falarem dos danos ambientais provocados pelas guerras e das redes de pesca que são largadas nos oceanos e por lá ficam anos a fio a matar.
    Concordo, isto não tem nada a ver com clima mas sim com extorsão (feita de forma insidiosa).

  • E, pasme-se, apesar da quebra do consumo de combustíveis fósseis em cerca de 30% por causa da palermia, não há sequer uma inflecçãozita na taxa de subida do CO2:

    https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/

    É caso para se perguntar à natureza se ela é negacionista face à ciência e aos cientistas.

    • Se olhar para a curva de valores médios mensais da concentração de CO2 no site da NOAA verificará que, desde que há registos, o máximo anual ocorre em Março/Abril e o mínimo anual ocorre em Setembro/Outubro. Aproximadamente, entre o equinócio de Março e o de Setembro a concentração de CO2 diminui todos os anos, aumentando depois até ao equinócio de Março. Este carácter sazonal é sistematicamente omitido.

      Teorias explicativas? Geralmente apenas é referida uma, para a qual não existe prova: maior superfície continental no hemisfério norte, mais vegetação e a fotossíntese faz o resto. Mas existe outra, para a qual há prova e que nunca ninguém refere.

  • Parabéns pelo excelente texto. A ausência de Deus está, de facto, na origem de várias”religiões” , cada uma mais irracional do que a anterior.

Post a Reply to Elvimonte Cancel Reply