É “ENGANADOR” que pás de torres eólicas são colocadas em aterros por não serem recicláveis?

O destino das pás das turbinas eólicas depois destas serem desativadas é um tema ainda tabu, mas encontra-se em parte documentado num artigo do Dailymail, de 6-5-2020. Segundo o jornal britânico, as turbinas eólicas podem funcionar durante vários anos, dependendo do stress a que as suas pás estiveram submetidas, representando estas cerca de 15% do lixo, o dito não reciclável.

Apesar de se considerar uma vida útil de 20 anos, são muitas vezes desmanteladas ao fim de menos anos de serviço, quando as pás perdem resistência por fadiga do material, constituindo um lixo de difícil e cara reciclagem. De facto, um gerador eólico pode, em termos de vida útil, ser comparado a um automóvel, uns duram menos e outros duram mais do que 20 anos.

A vida útil de outras centrais elétricas, sejam elas a carvão ou a gás ou hidroelétricas, é de várias dezenas de anos. Segundo a agência alemã Wind an Land, a vida útil média dos aerogeradores já desativados foi de 16,5 anos em 2017, embora os seus operadores continuem a receber os apoios estatais por 20 anos, como se pode ler no artigo de 13-3-2019 do Frankfurter Allgemeine.

Ao ritmo a que se instalam aerogeradores, é de prever que a quantidade de pás de aerogeradores a que se tem de dar um destino seja considerável e a questão que se põe é mesmo esta – o que fazer delas para não terem de ser despejadas em aterros sanitários.

Embora haja poucas empresas especializadas na reciclagem das pás de eólicas existe já um processo de pirólise durante o qual as cadeias orgânicas do compósito (resinas ou polímeros) são quebradas por calor, na ausência de oxigénio, e os produtos resultantes são separados do reforço inorgânico, a fibra de vidro.

O processo converte os produtos orgânicos de novo em hidrocarbonetos, como o gás de síntese e o óleo de pirólise, que podem ser usados para a produção de energia “suja”. O resíduo que fica é a fibra de vidro que pode ser reutilizada em novos produtos.

Outras possibilidades passam pela reutilização das pás no fabrico de outros materiais como o cimento ou em projetos criativos que vão desde parques infantis a paragens de autocarro e muros, como se pode ver no vídeo mais abaixo.

Não restam dúvidas que a grande maioria das pás de aerogeradores acaba em aterros sanitários ao fim de uma vida útil relativamente curta, o que não é do agrado do status quo “verde”, que classifica a informação como “ENGANADORA“, levando o leitor menos atento a considerá-la falsa.*

Apesar da reciclagem ser possível, esta não é geralmente praticada, seja por razões económicas, seja porque a tecnologia de reciclagem não se encontra amplamente acessível.


*O enviesado fact-check do Observador propõe-se corrigir informação escolhida a dedo de modo a classificar as matérias e a dar-lhes o enfoque pretendido.

Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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