Desorientação política face à pandemia

O primeiro-ministro do Governo socialista António Costa, com apoio parlamentar do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, anunciou, em 21-1-2021, o fecho das escolas, creches e centros de atividades de tempos livres (ATL) e a liberdade para as universidades e politécnicos cancelarem aulas presenciais e passaram ao regime de ensino à distância, para enfrentar o aumento do contágio e óbitos por Covid-19.

As escolas do ensino do primeiro, segundo, terceiro ciclo e secundário, encerraram todas as atividades letivas, que compensarão no período habitual de férias da Páscoa e no final do ano. A justificação política para que as escolas não funcionem com ensino à distância, como em março passado, é o facto de que nem todos os alunos dispõem de computador com ligação à internet. Na interrupção anterior, alguns alunos não tinham meios próprios de seguir as aulas pela internet e tinham de usar meios alternativos, como telemóveis, e a ajuda de familiares, amigos e espaços públicos. De acordo com o princípio da igualdade, o Governo decidiu que os alunos ficam sem aulas. António Costa afirmou que o Governo vai atribuir um subsídio de dois terços do salário aos pais de crianças até aos 12 anos para ficarem em casa a cuidar dos seus filhos.

A decisão de fecho das escolas para fazer face ao aumento exponencial da incidência da Covid-19: na média móvel dos últimos sete dias, por milhão de habitantes, Portugal tornou-se o país do mundo com mais contágios e o segundo do mundo em óbitos. Apesar de fechar as escolas e permitir que universidades substituam as aulas presenciais por ensino à distância – o que estas aproveitam, com exceção de testes em curso e exames -, o primeiro-ministro declarou ontem, na comunicação, na qual apresentou estas novas medidas, um desmentido-que-não-desmente que “as escolas não foram nem são o principal local de transmissão do vírus“. Não são conhecidas afirmações de políticos ou médicos de que as escolas eram o principal foco de contágio, mas que eram um foco de contágio.

António Costa em consonância com Marcelo Rebelo de Sousa adiaram o fecho das escolas até dois dias antes da eleição presidencial. Mostravam-se aflitos. Assustava-os a abstenção previsível e o receio de que os votantes de candidatos de protesto (André Ventura do Chega e João Ferreira do PC) acorressem ao sufrágio eleitoral em maior proporção do que os votantes mais passivos do atual presidente.

O ziguezague das decisões políticas do Governo sobre a Coivid-19, em consenso com o presidente da República, evidencia não apenas preocupação prioritária com o equilíbrio orçamental numa situação de catástrofe pandémica, mas também preferência pelos votos e imagem sobre o contágio e mortes provocadas pela doença.


António Balbino Caldeira

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Latest comments

  • O lema do Trump era “America first”, o destes caramelos é “Me first”, logo sobra “A rica” porcaria de políticos do século XXI.
    E ainda se admiram do crescimento dos “populismos” e desconsideração do povo pela classe política!
    Cada qual colhe aquilo que semeia …

  • António Balbino Caldeira,
    Para lhe dizer, por escrito, que o Inconveniente está a portar-se muito bem.
    Sabe bem ter esta informação assim: ‘à mão de semear’.
    Começava a ficar cansado de reles jornaleiros.
    Andava triste ao ver a patetice e a ignorância que campeiam neste país.
    Além da mentira que sempre perdeu a corrida para o coxinho…

    Ps (lagarto, lagarto):
    a informação acerca de ‘Parlerá’ é importante. Se o ocidente tem andado a derivar para a ditadura, em resposta as ditaduras vão enveredar pela liberdade. É o equilíbrio humano.

    Abraço

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