Cruz

Em tempos de verdade relativa e dual, de indignação seletiva, de agenda-setting e de framing, do totalitarismo politicamente correto marxista, resta-nos a Cruz.

A cruz dos ucranianos na guerra provocada e dos russos subjugados pela ambição política. Mas também a cruz dos venezuelanos esfomeados de alimentos e de justiça, dos nicaraguenses oprimidos, dos cubanos sem liberdade, dos demais latino-americanos vítimas da corrupção socialista imune, dos cristãos chineses perseguidos e detidos por causa da fidelidade a uma Roma que os despreza, dos povos africanos sujeitos ao islamismo radical terrorista, das sociedades delirantes de prazer e defensoras da morte de crianças, de deficientes, de doentes e de velhos, da hierarquia da Igreja que protege os abusadores incorrigíveis, ignora as vítimas e despreza o povo de Deus.

Em suma, a Morte. A morte do ser: física, da dignidade e da moral. A morte física do ser gerado e do débil. A morte íntima da dignidade da criança, ou dependente, abusado. E a morte da moral, dos valores da humildade do serviço humano, para a exaltação do egoísmo e o sacrifício dos outros.

Corrompido o sal, salga-se com quê?… Salga-se o que fica, enquanto nos esforçamos por purificar a substância e preservar o alimento da podridão que o envenena. Emporcalhada pela degeneração e pusilanimidade de prelados, o vício de formadores em seminários negligenciados, o abuso de pastores tarados e incontinência de outros, cúmplices, a mensagem não perde o caráter salvífico. Porém, distorcida pelo relativismo solipsista, mal transmitida, incoerente com a prática libertina, a sua interpretação relativista embrutece os espíritos e é levada pelo vento da História que sacode as consciências.

Nesta miséria espiritual e moral, importa pedir a intercessão de S. João Paulo II. E gritar que a Verdade é só uma e que só ela nos liberta da Morte. Páscoa.


António Balbino Caldeira

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