Crise na indústria eólica

Há diversos indícios de que a indústria de fabrico e instalação de aerogeradores na Europa (e não só) pode estar a entrar numa grave crise – segundo notícias veiculadas por vários órgãos de comunicação nacionais e internacionais.

“A Siemens Energy afundou-se em bolsa na manhã desta sexta-feira [23-6-2023], com as ações da empresa alemã a cair mais de 30% logo no arranque do mercado, como reação ao comunicado feito pela empresa na quinta-feira à noite, reconhecendo novos problemas técnicos nos equipamentos eólicos da subsidiária Siemens Gamesa, um dos maiores fabricantes do mundo de aerogeradores” – segundo notícia do mesmo dia no jornal nacional Expresso.

Também a gigante dinamarquesa Oersted está em dificuldades, segundo notícia de 30-10-2023 no órgão britânico Energy Voice. A mesma fonte dá conta que na China, o fabricante de turbinas Xinjiang Goldwind Science and Technology perdeu 98% dos lucros do terceiro trimestre e a gigante norueguesa de energia Equinor ASA assumiu um prejuízo de 300 milhões de dólares em projectos eólicos offshore nos EUA.

As dificuldades que a indústria eólica está a enfrentar devem-se ao facto de ser uma indústria de capital e de trabalho intensivos, além de depender de grande quantidade de matérias-primas cujos preços têm subido como o aço, cobre, terras raras e até mesmo o petróleo.

A inflação faz subir os custos de materiais e mão-de-obra e as taxas de juro fazem subir os encargos de capital; e assim sobe também o custo do MW de potência instalada.

Os fabricantes apontam como solução para esta crise o levantamento de obstáculos aos projectos, maiores incentivos dos governos às eólicas e ainda o encarecimento geral da electricidade de modo a viabilizar os projectos de instalação de eólicas, invocando a narrativa climática da necessidade de abandono dos combustíveis fósseis.

O Inconveniente, em artigo de investigação de 3-7-2023, já prevenira que a subida do custo do capital tornaria as energias verdes mais caras, ou seja, menos atractivas.

Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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  • Resumindo: é o tal “efeito-dominó”, como sempre. A crise provocada de um lado afecta de outros lados e assim sucessivamente. E o consumidor é que paga sempre. Muitas vezes, os governos são insensíveis a esses desequilíbrios mundiais.

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