Crise, costismo e marcelismo

O sobreaquecinento da economia, a subida parabólica dos preços das casas, o crédito fácil mesmo a quem não tinha possibilidade de o pagar, os novis instrumentos financeiros desregulados e a promiscuidade entre bancos e entidades de supervisão, determinou a grande depressão de dezembro de 2007, nos EUA e, por arrasto, mundial.

Portugal, nem saíra da crise estrutural que durava desde 1993, quando se esfumou o fogo dos subsídios da Comunidade Económica Europeia (CEE) e a abertura das fronteiras e rigidez cambial provocaram a falência de parte significativa da indústria portuguesa, até então baseada na depreciação monetária e em produtos de baixo preço, e a queda dos bancos nacionais.

Em 2015, feita a reconversão da indústria e reorientação da economia para o novo turismo, com destaque para o alojamento local, a modernização da gastronomia e a animação, abria-se um período de crescimento e alívio das famílias. O imobiliário, com relevo para a reconstrução, recuperava. Agora, continua a ferver, apesar do púcaro do crédito transbordar.

Mas veio a pandemia do coronavírus, provocada pelo descuido na manipulação genética do gain of function, no laboratório de Wuhan, na China, para lhe multiplicar a capacidade de contágio e dano. Num contexto de totalitarismo político, que já tinha conseguido vingar com a teoria do aquecionismo (como o cunhou Henrique Sousa), a decisão foi de confinamento (lockdown) sanitário coercivo e a interrupção da vida, do trabalho e da atividade,da economia. O azar, ou plano divino, de uma crise em cima de outra crise.

Passada a interrupção, o programa não seguiu dentro de momentos, mesmo se os Estados e a União Europeia injetaram dinheiro na debilitada economia. O efeito do aumento brutal da massa monetária foi a volta da estagueflação (baixo crescimento económico e elevada inflação), potenciada pela invasão russa da Ucrânia, e a disrupção do fornecimento de energia, produtos alimentares e matérias-primas. E agora, cada governo deixará ao seguinte o ónus da subida dos juros, da restrição do crédito, do controlo dos salários e dos preços, da austeridade orçamental. Quem vier atrás, feche a porta…

Em Portugal, terminará outro ciclo socialista: o costismo, que sucedeu ao socratismo, que sobreveio ao guterrismo com os hiatos de Durão Barroso e Passos Coelho. O PSD e o CDS estão em dissolução e sem rumo, apertados pelo Chega e Iniciativa Liberal, forças novas que assumem uma perspetiva ideológica e política de confronto dos problemas sociais e fiscais.

E o Presidente da República, que constitucionalmente é o garante do funcionamento regular das instituições foi para o Brasil fazer as figuras tristes que o alucinado Jânio Quadros havia feito em Lisboa, antes da sua investidura em janeiro de 1961… Amarrado a Costa, o chefe de Estado afunda o País e não facilitará a alternância.

Da primavera, Marcelo, passa ao outono. O nosso…


António Balbino Caldeira

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  • É um facto que o Costa nasceu com o traseiro virado para a Lua !
    Quando o Socas deixou o país de pantanas, o Costa estava “indisponível” para ser alternativa ! Que pena …
    Mas depois do PPC “consertar o brinquedo”, aí o Costa já queria brincar, e com a ajuda do gang conseguiu dar umas quantas voltas à pista …
    Mas onde a sorte dele se torna mais escandalosa, é na coincidência temporal do fenómeno populista MRS!
    Que outro PM em Portugal teve a sorte de ter um PR que adora lentes ?
    Desde que tenha uma lente apontada às fuças, ele fica tão feliz que nem quer ouvir falar em dissolver o governo.
    Aliás, só para ter “lentes” ele até assume o papel de porta voz do governo, ainda que isso comprometa o paradigma da separação de poderes!
    A propósito de “fogos”, o Celito já se deve ter esquecido de algo que só descobriu ao fim de 3 ou 4 anos de mandato :
    Os governantes não devem visitar os teatros de operações enquanto a acção decorre!

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