Covid-19: a culpa é dos portugueses…

Em 18-9-2020, António Costa responsabilizou os portugueses pelo descontrolo da pandemia. Temia, nessa data, que os casos diários de Covid atingissem os mil por dia.

As escolas, cuja abertura para meados de setembro fora anunciada antecipadamente, abriram e permaneceram abertas até às férias de Natal, com apenas duas pontes, 30-11-2020 e 7-12-2020. Apesar do aumento gradual de novos casos que viria a ultrapassar os seis mil na segunda metade de novembro de 2020. O estado de emergência então decretado só obrigava o confinamento ao fim-de-semana “para se poder trabalhar e estudar durante a semana”.

Contudo, o confinamento de fim-de-semana permitiu apenas evitar a subida do número de novos casos diários que continuou sempre superior ao valor mais alto do surto de março de 2020.

Mas, sem que os números o aconselhassem, o País desconfinou no Natal porque, segundo Costa, “seria inimaginável fazer no Natal o que fizemos na Páscoa”. O quê? Quem fez? Porquê?

As escolas reabriram após o Natal e só em 21-1-2021 Costa veio anunciar o encerramento de todas as escolas, quando o número de novos casos diários, que começara a aumentar logo a seguir ao Natal, já tinha ultrapassado os 10 mil. O primeiro-ministro fez o favor ao Presidente de evitar o lockdown antes quase à eleição presidencial, para que o resultado de Marcelo não fosse diminuído pelo pavor dos seus votantes passivos com a doença.

Uma semana após o fecho das escolas atingiu-se o pico de novos casos da chamada terceira vaga da epidemia. A tendência de descida tem-se mantido. Mas permanecemos ao nível de março de 2020, que fora já uma catástrofe para o SNS que nunca mais funcionou senão para covid.

De quem foi a culpa da segunda vaga, que nunca recuou, da terceira vaga de covid?

Costa e outros membros do governo atiraram as culpas para cima dos cidadãos que não cumprem as regras e que não se portam bem. Lidam connosco como se fôssemos crianças… Depois, o Natal e a passagem do ano foram considerados os culpados da terceira vaga. Isso, antes de se saber que havia uma variante inglesa do vírus que teria cá chegado na altura do Natal, quando alguns emigrantes vieram de férias. A culpa passou a ser da variante inglesa, muito mais contagiosa e perigosa que a variante anterior, ainda que a percentagem de cidadãos infetados com a nova estirpe fosse muito baixa.

Entretanto, a maioria da população interiorizou esse sentimento de culpa que os responsáveis políticos fizeram questão de vincar. A comunicação social, com as reportagens sobre incidentes em que as pessoas não cumpriam as regras (festas, casamentos, corridas de carros, etc.) contribuiu para que as pessoas se sentissem culpadas. Nas redes sociais havia insultos de uns ao mau comportamento de outros e denúncias de certas cenas filmadas com telemóveis das janelas. Mas a Festa do Avante e o congresso do PCP não foram proibidos porque “a Constituição portuguesa não permite a proibição de eventos partidários”.

Contudo, apesar da chocante proteção dos média, Costa já foi agora obrigado a assumir algumas culpas: “não podemos repetir o que aconteceu na primeira vaga, não podemos repetir o que aconteceu na segunda vaga e muito menos podemos repetir o que aconteceu neste trágico mês de janeiro”.

Esperemos que a partir de agora o primeiro-ministro seja mais cauteloso e não atire culpas para cima dos portugueses. Se ainda não estamos vacinados contra a Covid, já estamos contudo vacinados contra as calúnias do governo e dos média ao seu serviço.

Vêm aí mais episódios: António Costa, com o acordo do Presidente Marcelo, já anunciou o novo plano de desconfinamento. Não venha depois atribuir-nos as culpas se algo correr mal. Porque, se as coisas não correram melhor na terceira vaga, isso deveu-se à actuação tardia do Governo, na antevéspera do sufrágio presidencial, preocupado com o resultado eleitoral de Marcelo. Os cidadãos cumpriram o que lhes foi pedido, tanto assim que as curvas da epidemia já baixaram ao ponto de permitir ao Governo anunciar o desconfinamento gradual.

O desconfinamento, que começa a 15-3-2021, está dividido em quatro fases. A última começa em 3-5-2021 com a abertura de restaurantes, cafés, desportos, casamentos, etc, mas com limitações. A quinta fase, de desconfinamento total, fica adiada para as calendas de um mês qualquer de um ano distante… Resta saber ainda quando, e se, o plano de vacinação será cumprido. Ou comprido!…


Henrique Sousa



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  • Tudo o que escreveu estará certo, mas também se baseia nos números e nas fórmulas do RT que podem ser manipulados conforme os números e as fórmulas. São tudo modelos matemáticos, mas a epidemiologia não pode ser entregue e matemáticos e a engenheiros como parece ter sido o caso nesta fórmula de confinamento, o vírus não olha para elas, tem vida, mexe-se.
    Se tomar como certo o nº de óbitos que nos são apresentados diria que apenas me interessam os óbitos totais, os óbitos por Covid não correspondem ao que deve ser considerado uma morte por Covid e até nisso se pode usar propaganda e a mentira será repetida tantas vezes até que as pessoas acabem por achar que é verdade, como dizia o homem da propaganda do regime nazi. Esse caminho tem sido utilizado cá e lá em alguns países, em que os políticos usam esta desgraça para se agarrar ao poder e aprovar todo o tipo de medidas que interessam aos seus desígnios de grupo.
    O que coloco em causa é que foi o Natal o motivo para o aumento dos óbitos porque esta, o número total de óbitos, todas as causas, já tinha começado muito antes e para classificar como causa de morte por Covid basta não olhar bem para um certificado de óbito, basta que não esteja bem preenchido. Aconselho a ir ao sítio do INSA e verificar na página da gripe para entender o que se passou com o pico de óbitos totais em meados de Janeiro, lá está um gráfico que correlaciona as temperaturas e os óbitos totais. Esse excesso de óbitos não teve nada a ver com Covid, teve a ver com as condições miseráveis em que vive a grande maioria da população portuguesa, foi o frio, as várias doenças, a má nutrição e a solidão de muitos dos idosos. Foram estas as causas não foi o Covid, os números Covid serão manipulados conforme seja do interesse da oligarquia que nos governa, desde o PR que de uma forma maliciosa abandonou o país depois de decidir o confinamento, mais um. Costa não governa já. A pandemia para o governo foi uma tábua de salvação, há um ano quando se sabia que afinal a dívida interna já era catastrófica e o incumprimento pelas cativações era um instrumento manhoso, apoiado pelas extremas esquerdas. Há um ano, o SNS já estava destruído, por motivos de ideologia, saída de médicos ao fim de 1 mês após concurso, por não corresponder às suas honestas expectativas, porque as chefias e os grupinhos já lá estavam e estão, e, onde os concursos são feitos à medida, numa profissão que deve ter uma pauta de saber e competência. A pandemia acabou com o resto, por más medidas e pela covidização de todos os serviços, os Cuidados de Saúde Primários e os Cuidados hospitalares. Nunca mais ser ser como foi. Portanto as mortes totais podem ter algumas descidas mas a média nos anos que se seguem e no actual, não vão baixar para números de há cerca de 10 anos atrás. Resumindo, aconselho seguir os estudos do Prof Ioannidis, esse sim um epidemiologista que pode ser visto no Youtube numa conferência feita on line para o IHU Méditerranée – infection, um Hospital em Marselha porventura, o melhor a nível mundial para doenças infecciosas. Termina num grupo de regras sérias e sem o terrorismo que se percebe cada vez que o PR fala, um doente que sofre de narcisismo e várias fobias, Diz então a última regra que na minha opinião vale ouro: “Por favor, não destruam o mundo inteiro com medidas agressivas”. Por cá o país já não se levantará se persistir esta loucura e se persistir como ministro dos transportes um sujeito incapaz que não aceitou que os transportes foram a causa maior da disseminação do vírus. Não será possível, alevantar o país em Maio se não arrepiarem caminho e não entendo porque é que os prejudicados não se revoltam contra medidas sem nexo, com a restauração. Fiquem bem.

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