Costa is the champion of… burrice!

A decisão do Governo de António Costa de autorizar a realização da final da Champions League entre dois clubes ingleses no Porto, em 29-5-2021, pode ter comprometido a retoma do setor turístico em Portugal neste verão, atendendo à elevada quota de mercado dos turistas britânicos no nosso país, especialmente no Algarve, Lisboa e Porto.

Noticia a BBC de ontem, 3-6-2021, que “centenas de adeptos de futebol de regresso da final da Champions League em Portugal, foram informados de que devem ficar em isolamento, depois de passageiros de pelo menos cinco voos testarem positivo ao coronavírus”. O ministro Michael Gove, que veio ao Porto assistir à final, foi um dos que recebeu a comunicação para entrar em isolamento por ter estado próximo de alguém contagiado com a doença.

O primeiro-ministro e presidente do Conselho Europeu António Costa queria mostrar que Portugal podia acolher a festa da Champions League, evento transmitido para todo o mundo. Costa foi à lã, mas saíu tosquiado. E a economia portuguesa ao léu.

Note-se que as autoridades britânicas não cederam ao pedido da UEFA de, para a final da Champions League se realizar no estádio de Wembley (na capital britânica), isentar da quarentena de dez dias cerca de 2.000 convidados previstos para assistir ao jogo, incluindo patrocinadores e e representantes de cinquenta associações de futebol do continente, além de staff da própria organização, provenientes de países na lista amarela de risco (Daily Mail, 12-5-2021). As autoridades do Reino Unido entenderam que o risco de contágio seria alto e não aceitaram o pedido.

O Governo português aceitou a exigência da UEFA e, além dos 12 mil adeptos do Chelsea e do Manchester City, vieram os 2 mil convidados e staff da UEFA, provenientes de países com maior taxa de contágio. Este contingente de dois mil convidados, com maior potencial de contágio, inclusivé da população do Porto, não foi referido na informação prestada pelo Governo português, nem surgiu na imprensa nacional. O potencial de contágio desses dois mil convidados da UEFA parece ter sido negligenciado pelo Governo português.

Agora, compreende-se a decisão do Governo do Reino Unido de mudar Portugal da lista verde (sem obrigação de quarentena no regresso) para a lista amarela de risco, tomada em 3-6-2021. Com a obrigação dos turistas do Reino Unido que vierem de férias a Portugal terem de passar 10 dias de quarentena quando regressarem às ilhas, o destino nacional fica comprometido e os turistas britânicos rumam a outras paragens.



Partilhar

Sem comentários

deixe um comentário