COP26: o circo da hipocrisia e o harakiri

Decorre neste momento em Glasgow o COP26, autêntico festim do catastrofismo climático e ouvem-se lancinantes apelos para “salvar o planeta”.

A coisa é, em si mesma, um gigantesco circo, um carnaval de hipocrisia e uma feira de vaidades, a escalas jamais vistas.

Para dar uma ideia, foram utilizados cerca de 400 aviões privados e largas centenas de voos comerciais só para transportar a imensa congregação de 25 000 luminárias, a que há que somar os também milhares de apanhados do clima que, liderados pela insuportável Greta, por ali zurram as habituais inanidades que numerosas criaturas por esse mundo fora tomam por virtuosas e esclarecidas.

Num mundo normal estaríamos conversados quando uma adolescente mimada, rica, ignorante, iletrada e com alguns fusíveis a menos, é elevada à suprema condição de aiatolá do clima.

Mas não estamos num mundo normal.

A ideia de toda esta gente é que há que lutar até ao último cêntimo dos nossos crescentes impostos, para “salvar o planeta”, o que quer que isso signifique.

Na sua engraçada megalomania, estas criaturas acham mesmo que os 0,012% de CO2 na atmosfera, provocados pela acção humana, que incluem já a respiração dos 8 biliões de primatas humanos, é responsável pelos furacões, pelo frio, pelo calor, pelo nível do mar, pelo gelo, enfim, pela imaginária “emergência climática” (a temperatura média anual terá subido 1ºC – um grau Celsius – desde 1880, ou seja em quase 150 anos, ora bolas para a “emergência”, peço desculpa por não ver aqui nada de especial, por muito que me esforce).

Alguns dos países com maior produção de CO2, como a China, nem sequer puseram os pés no festival da verdura, o que diz muito do que pensam dos alucinados.

Já os que foram, estão alojados em bons resorts, alguns a mais de 100 km do festival, e todos os dias estas santas e verdes almas percorrem centenas de quilómetros, em bons carros de luxo, num festim orgiástico de produção dos mais variados gases.

Comboios?

Carros eléctricos?

‘Tá bem abelha, só o presidente americano, notado por valentes sonecas durante as prelecções, desembarcou na Escócia uma frota de 80 viaturas ávidas de combustível, encabeçadas pela pesada e gastadora viatura blindada que transporta as presidenciais regueifas.

Cada um destes 25 000 hipócritas do clima, lança nesta festança mais CO2 para a atmosfera, do que eu durante anos.

Estou até em crer, dados os precedentes, desculpem a má-língua, que os nossos ministros “aceleras” (o Cabrita e o do Ambiente) para lá andarão a 200 à hora, a fazer piões e outras manobras  nada verdes, de que parecem gostar imenso.

E os protestadores?

Com a Greta à cabeça, lá estão também, entusiasmadíssimos, a produzir as suas emissões de CO2, com tiradas inteligentes como “No more, whatever the fuck they’re doing inside there.”

E o que é que é o wtf que eles estão a fazer lá dentro?

Basicamente a prometer atirar dinheiro, muito dinheiro dos impostos dos tolinhos (os contribuintes), para cima da “emergência climática”. 

Mas a Greta e os seus fiéis acham que não chega.

Numa carta aberta aos “líderes mundiais”, estes meninos birrentos, escrevem que tudo isto é uma “traição”, já que estamos em “código vermelho” para o planeta que “está a ser devastado”, pelo que um “terrível futuro será criado ou evitado” pelas decisões dos 25 000 traidores.

E é “agora”, “já”, a “última oportunidade”, tal como, saliente-se, já era há 1 ano, 10 anos, 20 anos e será sempre a “última oportunidade”, esta é uma igreja milenarista que tem profecias à prova de bala, para durar, durar e durar.

A lista de exigências que estes jovens barulhentos apresentam é tão oca quanto as suas pouco usadas cabecinhas e passa por acabar imediatamente com as emissões de CO2, com os investimentos na prospecção, produção ou uso de hidrocarbonetos, subsidiar já novos projectos, entregar centenas de biliões de dólares aos países “vulneráveis” para compensar a “emergência climática”, “reduzir todas as formas de desigualdade”, etc.

É especialmente notável como conseguem gastar tantas palavras para emitir um típico slogan socialista, e é ainda mais espantoso que uma miúda privilegiada, que se senta em cadeiras de 8000 dólares na sua alegre casinha sueca, debite esta hipócrita e desdenhosa catilinária contra tudo aquilo que fez e faz o seu confortável mundo, sem ter a mínima ideia de que quase tudo que veste, come, desfruta, equipa, e usa, tem uma forte componente de hidrocarbonetos; sem sequer entender que foi e é este sistema económico quem, no último século, arrancou milhões de pessoas das garras da pobreza, da indignidade, da fome e da doença.

Infelizmente a Greta, e todas as gretas que se espojam na ideologia woke, só revelam capacidades, não para “salvar o planeta”, mas basicamente para regurgitar slogans.  

Tal como António Guterres, o Engenheiro de Pântanos com aspirações papais, tal a profusão de platitudes que debita cada vez que lhe metem um megafone à frente da matraca, a avisar, com ar profético e condenatório, que vem aí o apocalipse, sepulturas e cavadelas se o festival kumbaya não tiver os resultados (quais?).

E tudo indica que não vai mesmo ter aquilo que o António, a Greta e o Bergoglio exigem, com aquele ar furibundo e condenatório de quem pensa que está do lado do bem e que há uma nebulosa de tenebrosos seres, “eles”, os “do mercado” e do “capitalismo” e da “alta finança” , etc. que tudo fazem para nos levar para o lado negro da “Força”.

E que resultados são esses, já agora?

Bem… dinheiro, arame, carcanhol, para transferir dos países democráticos para os cus do mundo.

Numa reunião climática em Londres, no passado mês de Julho, a Sra. Barbara Creecy, Ministra do Meio Ambiente da África do Sul, apresentou a conta: mais de 750 biliões de dólares anuais. Parece que sem isso, o planeta não consegue evitar a “mudança climática”.

Eu também acho que não consegue, não pelos biliões de dólares, mas pela própria natureza do clima, que é um sistema dinâmico, sempre em mudança, sempre a responder a múltiplos factores, alguns conhecidos, outros não, e a maior parte deles completamente fora do alcance das intenções e planos megalómanos dos pigmeus que passeiam os enormes egos e volumosas nalgas em Glasgow.

Na verdade uma transferência de riqueza anual desta dimensão (no fundo um socialismo à escala global) além de nada ter a ver com o clima (não estou a ver o clima a mudar ou a parar de mudar, se dos meus bolsos sair dinheiro para os bolsos do sr Mamadu Sanhá, algures no Senegal) a acontecer levaria os dadores à falência e iria aquecer ainda mais os ânimos de muitos cidadãos desses países, nada predispostos a serem ordenhados.

Aliás, a sua capacidade de escoicear começa já a notar-se na reacção aos custos da energia, os quais, como este Inverno irá mostrar, colocam claramente em causa todo o sistema em que assenta a qualidade das nossas vidas.

E enquanto estrebuchamos com a asnática obsessão verde dos políticos que vamos elegendo, outros países como a China, usam galhardamente os combustíveis fósseis, incluindo o carvão, para produzir painéis solares que vendem aos países ocidentais.

China, Índia, Indonésia, Rússia, etc., até podem, em Glasgow ou lá de longe, prometer tudo e um saco de tremoços, incluindo neutralidade de carbono lá para as calendas gregas, mas é preciso ser candidamente utópico e escandalosamente estúpido para acreditar nas promessas e nas palavras floribélicas típicas desses fóruns, onde todos procuram mostrar virtude e indeclinável amor ao “planeta”.

O que não suscita já nenhuma dúvida é que a nível geopolítico, o suicido ocidental está, por exemplo, a catapultar a Rússia para a posição de única fonte fiável de energia para a Europa, energia fóssil, pois claro, e não há qualquer dúvida que usará sem qualquer pejo esse poder, para alcançar os seus objectivos, como se viu com a Ucrânia, Moldova, Estados Bálticos, etc.

A Europa está a pôr-se a jeito, e os nossos políticos de águas rasas navegam à vista, aparentemente inconscientes das nuvens negras que se estão a acastelar no horizonte.

A verdura da moda, o desejo ideológico do Ocidente de se livrar a qualquer preço dos combustíveis fósseis, pela não demonstrada crença de que são eles os culpados da “mudança climática”, está a fortalecer a mão de regimes autoritários como o Irão, Rússia, China, etc. e a enfraquecer a olhos vistos as próprias democracias ocidentais.

E ao enfraquecimento económico segue-se inevitavelmente o declínio, a sujeição, a degradação da qualidade de vida e da liberdade.

É que enquanto o Ocidente comete harakiri, os fornecedores de hidrocarbonetos rejubilam e enchem os cofres, vendendo-os a preços inflacionados, para suprir as inevitáveis falhas e apagões.

Por outro lado a procura vez maior de combustíveis fósseis, por parte de países como a China, Índia, etc., fará com que a eventual redução da procura ocidental seja insignificante.

O que não é insignificante é o dano às economias ocidentais, ao seu prestígio, poder e capacidade de influenciar outras nações para promover os seus interesses de segurança e bem-estar.

Não pretendo com isto dizer que reduzir os combustíveis fósseis seja errado para o planeta e para a independência energética dos países, mas sim que este caminho precipitado e radical, é ilusório, errado e impossível.

Porque na verdade quase todos os produtos e serviços consomem combustíveis fósseis, muito para lá dos míseros 20% usados na produção de electricidade.

Para quem está genuinamente assustado com as “mudanças climáticas”, ou seja, todas as novas gerações de bimbos aterrorizados desde a escola primária, alem dos patetas que engolem sem mastigar os sound bites da moda, e querem mostrar que são virtuosos e preocupados com o planeta e outras coisas que dão likes e nos fazem parecer boas pessoas comprando um Tesla, há uma óbvia alternativa tecnológica:

A energia nuclear!

Infelizmente é também politicamente incorrecta, e provoca reflexos pavlovianos de rejeição em toda uma cultura de irracionalidade que injecta moralidade ideológica em tudo.

Todavia, enquanto se espera que uma eventual tecnologia de fusão resolva todos os problemas, a fissão é hoje segura e fiável, sem praticamente nenhuma emissão de carbono.

E que dizer do metano?

Eu sei que ele não é muito referido nas profecias apocalípticas do clima, enfim, não tem significativa correlação ideológica com o capitalismo, que é, no fundo, o alvo da cruzada das Gretas e dos verdes melancia, mas o metano, produzido pelas vaquinhas aos peidos nos prados, e por todos os animais do planeta, é um GEE bem mais importante que o CO2 produzido por todos os veículos humanos.

Mas o CO2 é que importa, o CO2 é que é o culpado, porque está associado à civilização industrial, ao Ocidente e ao capitalismo.

Enfim, a “emergência climática” e a exigência de “justiça climática” e outros jogos florais de palavras são, em síntese, uma máquina que serve apenas para engenharias sociais que nos irão empobrecer, minar a economia e o poder político do mundo democrático e aumentar a influência dos poderes autoritários.

José do Carmo

*O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica.

Partilhar

Latest comments

  • Por estas e outras que acredito cada vez mais profundamente e fundamentadamente e por que não dizer também racionalmente que há um arquiteto maior, reinando soberano sobre o universo que criou carinhosamente o qual ao ver-nos através das suas omni perspectivas e potências sensibiliza-se com nossa vä sabedoria e dá-nos mais um soprinho de vida para nos animar só mais um bocadinho… de tempo!

  • Ok, devia haver muito mais pessoas letradas a escrever estas realidades, a questão é que tudo isto, resumido, combate ao co2? combate aos combustiveis fosseis? e como bem dizes, quanto metano, largam as vaquinhas os animais todos em geral, selvagens ou domésticos, pois o metano é 13 vezes mais poluente que o co2, é tempo dos políticos se duxarem de tretas, estas desculpas são todas descabidas, olhem para a desflorestação, pois é a florestação natural o nosso fiel depositário que sustenta o cclima e a vida, sem vegetação, a qualidade de vida diminui,não venham com a treta dis carros eléctricos, o 1° nasceu em 1950, e foram todos recolhidos, porque o petróleo é o sustento da economia, e enquanto este exitir, nada vai mudar, tudo o resto funciona em função das ideologias políticas. Muiyo mais haveriaa oara dizer, mas tenho o dedo cansado….

  • o CO2 que eles querem acabar somos nós!

deixe um comentário