Como é que você define “ser do sexo feminino”?

Olhando ao meu redor, não consigo deixar de pensar como é que chegámos até aqui… Como é que deixámos que programas de educação sexual, importados dos states, e teorias de sociólogos americanos, com graves problemas identitários, se transformassem no novo normal… Que a indústria do entretenimento se transformasse na medida de todas as coisas e que a sociedade se deixasse convencer de que não há homens nem mulheres, mas sim corpos falantes, que podem ser o que quiserem, quando quiserem, mas só no que ao sexo diz respeito.

Será que perdemos a capacidade de pensar? De fazer perguntas simples, a questões que se apresentam complexas?

Sigo o Matt Walsh, do Daily Wire, desde que vi o vídeo que produziu O que é uma mulher? e não páro de me surpreender com a simplicidade das suas perguntas e com as respostas de pessoas enredadas numa ideologia, que ignora a natureza, a biologia e… a realidade. Assim, e enquanto por cá não há jornalistas corajosos a debater o assunto em praça pública, considero pertinente, um verdadeiro serviço público, traduzir e partilhar debates como este:

Luna — Olá, Sr. Walsh. O meu nome é Luna e eu sou uma EMT avançada (NT: profissional de saúde avançada que possui conhecimentos e competências especiais em medicina de emergência pré-hospitalar) registada a nível nacional, aqui no estado do Novo México. Também sou transgénero. Ao longo da minha carreira, enquanto profissional na área de saúde, tenho respondido, em média, a 1500 chamadas ao serviço aqui no estado do Novo México. Tenho tratado mais pessoas transgénero do que eu posso contar que me dizem que o apoio das pessoas que as rodeiam faz a diferença nas suas vidas. E essa tem sido a minha experiência também. A minha pergunta para si é: apesar de todas estas pessoas transgénero, que me dizem como a vida delas é boa, eu nunca, nem por uma vez, tratei alguém que me dissesse que se arrependeu da sua transição, nem uma vez, não aconteceu. Por isso, onde está essa suposta epidemia de pessoas que se arrependem das suas transições?

Matt — Bem, pode simplesmente perguntar-lhes a eles. Está a negar que eles existem?

Luna — Eu compreendo que eles existem, mas eu não tenho visto provas significativas de pessoas que se arrependem com a mesma extensão com que tenho visto pessoas que estão felizes com a sua transição.

Matt — Não há problema, você, pessoalmente, não as viu. Eu vi-as, falo com elas o tempo todo e sei que elas andam aí, que elas existem. Eu também sei outras coisas: que a taxa de suicídio para pessoas trans permanece altíssima, mesmo depois da transição. E, eu aprofundei isto na apresentação (o evento onde o debate ocorre), porque todas as explicações para isso, como alguém do seu lado da discussão pode oferecer, não se sustentam, não funcionam. O que nos diz que há algo mais a acontecer, o que nos diz que há um desespero profundo ainda lá. Essas pessoas que se identificam como trans, que fazem a transição e depois se suicidam, e que é um grande número, já não podem falar sobre isso. Mas, ainda assim, como se costuma dizer: as acções falam mais alto do que as palavras. Por isso, é bastante claro que há algo de profundamente errado. E também é claro, para mim, que se é suposto que a transição faça as pessoas trans mais felizes, numa escala maior, não está a funcionar. E quando se tem uma taxa de suicídio de 50% ou mais, em relação à restante população, isso diz-me que o plano de fazer feliz este grupo de pessoas, em que 50% são suicidas, não funciona. Se isto não é o suficiente para o convencer, não sei que mais lhe dizer.

E um outro ponto. Todas estas perguntas, e eu agradeço estas perguntas e agradeço o facto de vocês estarem dispostos a falar comigo, pois na maior parte das escolas nem isso fazem, mas todas estas perguntas são sobre “esta pessoa trans diz-me que está feliz”, “eu digo que estou feliz”, mesmo que eu concedesse que talvez haja algumas pessoas trans que sentem que estão felizes, ainda assim eu acho que estão a mentir a elas próprias e que há um desespero mais profundo, que as levou a rejeitarem-se a elas próprias em primeiro lugar. Mas eu podia pôr isso tudo de lado porque o que eu gostava de fazer era de voltar à pergunta: é verdade? Pode fazer um homem mais feliz, se calhar há um homem por aí que se sente mais feliz se o afirmarmos enquanto mulher. Porém, é verdade? É mesmo verdade? E eu diria, em primeiro lugar e antes de abordarmos as questões emocionais, que a verdade importa. Por isso, pergunto-lhe a si: quando um homem biológico diz que é uma mulher e quer ser afirmado enquanto mulher, é verdade? A reivindicação que ele faz acerca dele próprio é mesmo verdade?

Luna — Sim.

Matt — Como é que sabe isso?

Luna — Como é que você definiria uma mulher? Você perguntou outras pessoas como é que nós definiríamos mulher. Como é que você definiria uma mulher, Sr. Walsh?

Matt — Como um ser humano adulto do sexo feminino.

Luna — Como é que uma mulher-transgénero não pertence a essa definição?

Matt — Porque não é do sexo feminino, tem… você disse que era um homem biológico, correcto?

Luna — Eu disse que era transgénero. Eu até posso ser intersexo, de tão pouco que sabemos. Há pessoas, em todo o mundo, que se identificam como transgénero enquanto são intersexo  e muitas pessoas não sabem.                            

Matt — Isso é uma conversa diferente. Intersexo [hermafroditismo] é uma anomalia genética, é uma condição médica, é uma conversa completamente diferente. Não é um terceiro género, é uma anomalia genética que ocorre dentro do binário do sexo feminino e do sexo masculino. Então, o que você está a dizer, e eu estou a citá-la, é que “uma mulher trans é do sexo feminino”.

Luna — Pelas definições que conheço, sim.

Matt — Então, como é que você define ser do sexo feminino?

Luna — No meu treino, como profissional de saúde, há várias categorias através das quais nós definimos sexo. As pessoas falam de cromossomas, as pessoas também falam de níveis hormonais, as pessoas falam de muitas outras categorias. Muitas pessoas não encaixam perfeitamente no binário do sexo feminino e sexo masculino, mesmo pessoas que não consideramos serem intersexo. É um espectro complicado.

Matt — Não é complicado. Mas você também não definiu o que é uma mulher. O que é ser-se do sexo feminino? O que é que estas palavras significam?

Luna — É complicado, e eu sei que você não vai gostar da resposta, mas isso é porque não há respostas simples em biologia humana.

Matt — Posso fazer uma última pergunta?

Luna — Deixe-me terminar. Vocês gostam de trazer para aqui a biologia do nível do liceu, eu ouço muito isso, mas pessoas que vão a aulas de biologia mais complexas falam do sexo enquanto um espectro.

Matt — Não. Não é.

Luna — Investigadores em biologia não iriam concordar consigo.

Matt — Então, os que dizem isso estão a dizer asneiras. Há gametas femininos e gametas masculinos. Mas, eu tinha uma última pergunta para si. Não vá embora. Esta pergunta é importante. Você disse que era um EMT [profissional de saúde em medicina de emergência pré-hospitalar]?

Luna — Sim.

Matt — Se você estiver a responder a uma emergência médica: um homem biológico, alguém com um pénis, diz-lhe: “acho que estou a ter um aborto espontâneo”. Você verificaria se essa pessoa estava a ter um aborto espontâneo? Considera isso uma possibilidade para essa pessoa?

Luna — Olhe… Não. Mas isso é porque algumas pessoas não têm certas partes do corpo, não quer dizer que não são uma mulher.

Matt — Parece que estabelecemos que algumas pessoas, em princípio, podem engravidar. E há algumas pessoas que não podem. Então, há duas categorias, também conhecido como binário.

Luna — Há muitas mulheres que também não podem engravidar.

Matt — Sim, mas continuam a ser da natureza de engravidar.

Luna — Mas não podem engravidar. A verdade importa, certo?

Matt — Importa, é isso que eu estou a tentar explicar-lhe.

Luna — A verdade importa e elas não conseguem engravidar e essa é a verdade. Então, como é que elas ainda são mulheres?

Matt — Pela mesma razão que eu posso dizer correctamente que os seres humanos têm duas pernas. E, se uma pessoa nasce com apenas uma perna isso não põe em causa a afirmação de que os seres humanos têm duas pernas, ok? Uma pessoa pode nascer com uma perna e isso não significa que agora as pernas estão num espectro e que nós não podemos dizer de todo quantas pernas é que um ser humano tem. Quem sabe? Pode ser uma centopeia, pode ter 100 pernas. Não. Nós sabemos que os seres humanos têm duas pernas e que se um ser humano não nasce com duas pernas, alguma coisa correu mal. Era suposto ter essa segunda perna, alguma coisa correu mal. Se conhecer alguém na rua que só tem uma perna, talvez tenha tido um acidente, esteve na guerra, teve num acidente automóvel, teve um cancro e a perna foi removida. Mas você sabe que algo correu mal porque, pela sua natureza, era suposto ter duas pernas.

A mesma coisa acontece com uma mulher: uma mulher, pela sua natureza, pode ficar grávida. Um homem, pela sua natureza, nunca pode engravidar. Por isso, se você conhecer uma mulher em idade fértil, digamos que tem 28 anos e que não consegue engravidar, você sabe automaticamente que algo correu mal. E ela pode ir ao médico e descobrir o que foi que correu mal, mesmo que não a possam tratar. Isso prova que as mulheres, pela sua natureza, podem engravidar porque o simples facto de ela não conseguir, demonstra-lhe que há algo de errado. É aquilo a que chamamos “a excepção que prova a regra”.

Enquanto que uma pessoa do sexo masculino, com um pénis, não pode engravidar. Nenhum médico à face da Terra lhe vai fazer testes para ver o que está errado com ele, porque o médico já sabe que ele é do sexo masculino. E o médico sabe que só existe sexo feminino e sexo masculino, as pessoas que podem engravidar e as pessoas que não podem. É isso.                                      

NOTA: adaptei o texto à língua portuguesa sem, com isso, lhe retirar ou acrescentar o que quer que seja.


Maria Helena Costa

*A autora rejeita o AO90, escrevendo em português correcto.

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  • Simples e verdadeiro na sua essência, mas também é uma realidade que o constante desenvolvimento dos limites da ciência/medicina coloca, a cada avanço ou cada nova possibilidade oferecida, pressão sobre as definições “simples e verdadeiras na sua essência”.
    Por isso, eu diria que o tempo, a longo prazo, joga a favor destas tolices e contra as definições “preto ou branco”, sendo a resposta a, por exemplo, “o que é uma mulher?” também menos relevante.

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