Cismeira de Biden #1

O presidente dos EUA, Joe Biden, pediu às nações que trabalhem juntas numa transição para energia limpa no dia 23-4-2021, o segundo e último dia de uma cimeira virtual do clima que ele organizou para juntar as vontades mundiais em reduzir o aquecimento global.

“As nações que trabalham juntas para investir numa economia mais limpa colherão as recompensas para os seus cidadãos”, disse o presidente democrata.

Biden convocara a reunião, para a qual convidou dezenas de chefes de estado, para declarar o regresso dos Estados Unidos à mesa da liderança climática depois do seu antecessor, o ex-presidente Donald Trump, ter retirado os EUA do Acordo de Paris de 2015 que visa a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Biden, que fez os Estados Unidos regressar ao Acordo de Paris, anunciou uma nova meta dos EUA no dia 22-4-2021 de redução das suas emissões em 50% até 2030 em comparação com os níveis de 2005.

A que níveis se refere Biden? Emissões absolutas ou relativas a uma qualquer outra referência?

Ora, como em 2005 os EUA emitiam 6,13 mil milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera, quererá Biden significar que em 2030 as emissões baixarão para cerca de 3 mil milhões de toneladas?

O consumo de energia primária nos EUA estacionou desde 1973 com pequenas variações anuais. Há, de facto, uma tendência de decréscimo das emissões de CO2 nos EUA, não tanto pela maior penetração das chamadas energias limpas mas principalmente pelo aumento da eficiência energética, nomeadamente nos transportes.

É sabido, por exemplo, que os carros americanos tinham um consumo de energia muito superior aos europeus e japoneses, mas a conquista do mercado por fabricantes europeus e japoneses levou à transformação dos padrões americanos baseados nos combustíveis baratos.

Os EUA têm, só no transporte automóvel, um enorme potencial de redução do consumo de fósseis e consequente redução das emissões de CO2. Os EUA contam-se, desde há muitos anos, entre os países que mais esbanjam energia porque dispunham dela em abundância. O consumo de um carro americano podia ser de 20 litros ou mais aos 100 km e ninguém se importava com isso.

Aquecimentos, eletrodomésticos e outros consumidores de energia podiam ter péssimos rendimentos porque dispunham de energia barata. Um frigorífico americano doméstico era do tamanho de uma despensa europeia. As casas tinham péssimo isolamento porque a energia de aquecimento era barata comparada com o preço dela na Europa.

Se há país no mundo que pode reduzir em 50% as sua emissões de CO2 são os EUA, basta deixar de esbanjar energia. O consumo per capita de energia nos EUA é dos maiores do mundo, com cerca de 80MWh/ano contra 30MWh/ano na Europa, ou seja, mais do dobro.

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Latest comment

  • Artigo interessante pela temática que divulga.
    Além dos E.U.A., é importante mencionar também pelo menos outros dois países- China e Índia – que em matéria de poluição ambiental não são um exemplo virtuoso.
    Fico sempre surpreendida quando, na abordagem dos problemas ligados ao aquecimento global e, em particular, quando se discute sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa, pouco ou nada se enfatize o papel fundamental das plantas. Através da fotosíntese as plantas têm a capacidade de reduzir o anidrido carbónico, e fazem-no, quotidianamente, grátis.
    Cimento em vez de parques é o panorama que se nos depara em todo o lado.
    O mundo vegetal representa a quase totalidade (99,9%) dos seres vivos e só 0,1% pertence ao reino animal. As plantas dão-nos oxigénio e alimentos. Tudo o que comemos deriva das plantas, a carne que pomos no prato provém de animais que comem plantas.
    Desflorestação e efeito estufa estão interligados. Por analogia e paradoxalmente, recordam Penélope, mulher de Ulisses que, durante o dia tecia a tela, sob o olhar de todos, e de noite, secretamente desmanchava todo o trabalho feito.

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