Cavalgando a onda das alterações climáticas

A narrativa climática é, para as energias renováveis intermitentes (solar e eólica), um instrumento essencial para a promoção da sua expansão. Elas são consideradas energias limpas porque produzem electricidade sem consumo de combustíveis fósseis. No entanto, o fabrico dos dispositivos eólicos e solares requer muito mais recursos naturais do que centrais térmicas convencionais.

Sem dúvida que os países que não dispõem de reservas naturais de combustíveis, devem procurar reduzir a dependência energética do exterior de modo a não estar à mercê das crises internacionais que fazem com que o aumento súbito do preço dos combustíveis provoque sobressaltos na economia.

De acordo com os cânones actuais das baixas emissões de CO2, a energia nuclear é, de longe, menos “poluente” que as energias solar e eólica ou, utilizando uma linguagem politicamente mais correcta, tem uma pegada de carbono mais pequena!

Deste modo, assistimos à estranha disputa entre a energia nuclear e as energias renováveis intermitentes solar e eólica, ambas reclamando a salvação do planeta porque evitam as emissões de CO2. Mas só há aqui um problema: elas excluem-se mutuamente porque as intermitentes destroem o diagrama de carga líquido onde a nuclear teria lugar – a base do diagrama!

Seja qual for a escolha, intermitentes ou nuclear, o problema da dependência energética não fica resolvido! Se se optar pelas renováveis intermitentes, vamos depender da China que produz eólicas e solares e não conseguimos dispensar o gás para as intermitências. Se se optar pelo nuclear, vamos depender da Rússia que fornece o combustível nuclear, sem prescindir do gás para fazer as pontas.

A Alemanha terá reconhecido a incompatibilidade existente entre a energia nuclear e as intermitentes e resolveu encerrar todas as suas centrais nucleares. A França tem mantido o seu parque de centrais nucleares que produzem cerca de 70% da electricidade, apesar da penetração de eólicas e solares que ainda não afectam a coexistência. Em Portugal, como sabemos, as intermitentes prevalecem e já levaram ao fecho das centrais de base a carvão.

Do ponto de vista das baixas emissões de CO2 na produção de electricidade, a opção nuclear na Europa ficou em nítida vantagem em 2023, como se pode ver no mapa que damos abaixo.

Fonte: https://app.electricitymaps.com/map?solar=true&remote=true&wind=true

Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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  • OLA’ BOM E QUERIDO AMIGO! GOSTO SEMPRE MUITISSIMO DE O LER, SEJA ONDE FOR; PESE EMBORA, NAO ME SER POSSIVEL EMITIR UMA VALIDA OPINIAO, JA’ QUE O HENRIQUE BEM SABE QUE OS MEUS CONHECIMENTOS SAO POBRES EM TODO ESTE TIPO DE ASSUNTOS! CONTUDO, SEMPRE SAIO DAS LEITURAS DE SUA MAO E MENTE COM “OS OLHOS MAIS ABERTOS!” OBRIGADA, MEU AMIGO POR SER *MEU PROFESSOR A DISTANCIA!***** FAZ TEMPO QUE FIQUEI SEM INTERNET E SO’ ONTEM, LHE VOLTEI A TER ACESSO! _FIQUE EM SAUDE E UM AMIGO ABRACO E PARA MINHA AMIGUINHA TAMBEM!

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