Caso Endesa: como ensinar um burro a falar

A recente declaração do Presidente da Endesa sobre um previsto aumento de 40% no preço da eletricidade e subsequente resposta do primeiro-ministro António Costa, faz lembrar a conhecida história do condenado que prometeu ao rei que ensinaria um burro a falar.

Conta-se que um homem foi condenado à morte. Levado perante o rei, pediu-lhe clemência, ao que o rei lhe respondeu: “Só te perdoo, se realizares algo de extraordinário que eu nunca tenha visto”.

O condenado prometeu ao rei: “Essa é fácil. Ensinarei um burro a falar no prazo de um ano”.

O rei achou a proposta tão insólita que concedeu o prazo de um ano para o condenado ensinar um burro a falar e soltou-o, avisando-o que, se não cumprisse a promessa, seria então executado.

O condenado, já em liberdade, em vez de se dedicar à difícil tarefa, passava o dia alegremente à sombra de uma árvore. Um amigo, a quem ele contara como conseguiu escapar à morte, pergunta-lhe:

– Mas como vais tu ensinar um burro a falar se não fazes nada por isso?

– Os burros não falam. – responde calmamente o condenado.

– Então e como vai ser depois, daqui a um ano?! – pergunta o amigo perplexo.

Responde-lhe ele: “Daqui a um ano, ou morre o burro, ou morre o rei, ou morro eu!”.

O povo consumidor de energia é igual ao ingénuo rei que acreditou na promessa do condenado – por enquanto a eletricidade não sobe e depois vê-se…

De facto, Portugal conseguiu que a Comissão Europeia autorizasse um preço de gás mais baixo na produção de eletricidade até daqui a cerca de um ano. E depois disso?

Depois aparece o Presidente da Endesa que, como aquele amigo do condenado, avisa que a energia elétrica vai ter de subir já em 40%. O condenado é o Governo, que promete energia barata.

E depois? Depois, tal como na história, ou morre o povo ou morre a Endesa ou morre o Governo.

E o burro falou?

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Sub-diretor do Inconveniente

Latest comments

  • O pre-sidente comentador já comentou mas não ouvi pois actualmente só vejo bonecos (os da rtp2 já que tenho de pagar a taxa audiovisual) na TV.

  • Noutros tempos, isto era designado “Lei de Funil” na versão mais descarada !
    Será que a tal constituição (que serve para tanta coisa), permite isto ?
    Presume-se que sim, já que o “vigilante” Celito até apoia a iniciativa Salazarista do Jumento Costa,
    ou então o vigilante perdeu mesmo o sentido da isenção !

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