Carmo Afonso e o racismo totalitarista em Portugal

Carmo Afonso é advogada. Carmo Afonso é artista. Carmo Afonso é também apoiante do Bloco de Esquerda, tendo já aceitado integrar as suas listas, no passado.

Uma das causas que mais move Carmo Afonso é o antirracismo. Nas redes sociais e na imprensa escrita, Afonso tem reiteradamente expressado o seu inconformismo com a morte de Alcindo Monteiro e de José da Conceição Carvalho.

Uma outra causa de estimação da apoiante bloquista é a ilegalização do partido CHEGA, por alegadamente incorrer no crime de ser fascista.

Para um qualquer consumidor de media do sistema, esta descrição bastaria para classificar Carmo Afonso como alguém de coragem e politicamente correcto. Infelizmente, a realidade dos factos não é tão abonatória para a activista.

Ninguém no CHEGA alguma vez se regozijou com a morte de ninguém, muito menos por motivos racistas e certamente que nenhum membro do CHEGA tem cadastro por crimes de assassinato. O nome mais controverso encontrado para difamar o novo partido foi o de Tiago Monteiro, o qual era apenas culpado de ter pertencido à organização NOS, conotada com Mário Machado. Tiago Monteiro saiu do partido mas ainda assim, por mera culpa por associação.

Sendo o CHEGA um partido recente e tendo crescido exponencialmente, é apenas natural que não só haja muito interesse em integrar o partido mas também que o escrutínio de alguns dos seus membros e dirigentes não tenha sido o mais apurado. A direcção do partido devidamente procedeu a uma ‘arrumação da casa’ quando alertada para a possibilidade de elementos extremistas no seu seio.

No entanto, para alguém que tantos pruridos tem com crimes violentos, é de estranhar que Carmo Afonso deixe de ter problemas de consciência ao fazer parte das listas de um partido que também integra terroristas assassinos nos seus candidatos.

O caso mais notório é o de Camilo Mortágua, pai das duas deputadas da mesma família. Camilo Mortágua resolveu integrar o grupo terrorista DRIL, já depois de este ter sido responsável pela morte de uma criança em Espanha. No assalto ao paquete Santa Maria, foi também assassinado um oficial do navio. Agora, se é verdade que Mortágua não disparou a arma, é igualmente verdade que aceitou empunhar armas por um grupo assassino e ladrão e que nunca manifestou arrependimento pelos crimes do mesmo. Terminou a sua carreira …’revolucionária’, assaltando bancos.

Presume-se que Carmo Afonso faz uso da culpa por associação para reivindicar a ilegalização do CHEGA mas se assim for, porque não ilegalizar o Bloco de Esquerda? É necessário esclarecer que Afonso não é uma mera activista mas que, enquanto advogada, colabora com Ana Gomes para… ‘denunciar’ o terceiro maior partido português ao Tribunal Constitucional.

Por conseguinte, a lógica dita que haverá outro motivo para o voluntarismo antidemocrático da advogada.

Talvez o problema que Afonso vê no CHEGA seja o racismo, e não tanto a violência. Porém, mesmo nesta óptica, também não se conhece a Carmo Afonso qualquer condenação pública às vítimas de gangues africanos ou ciganos nas periferias das grandes cidades de Portugal, muitos deles fruto de rivalidades étnicas ou de discriminação racial.

Em relação ao CHEGA, não se conhece qualquer posição política do partido que seja racialmente discriminatória; muitas das controvérsias relativas aos comentários sobre a comunidade cigana advêm, pelo contrário, da exigência de tratamento igual para os ciganos e da defesa do fim dos subsídios e do tratamento privilegiado de que usufruem, em muitos casos.

Acresce que se o racismo fosse particularmente perturbador para Carmo Afonso, ela teria exemplos bem mais escabrosos a apontar, muito mais próximos dos círculos em que se integra. Vamos começar pela proposta de quotas étnico-raciais de acesso ao ensino universitário que foi criticada por Maria de Fátima Bonifácio, critica essa que qualquer antirracista que se preze, teria tido todo o gosto em secundar. A esquerda em peso criticou Bonifácio apesar de se afirmar ‘antirracista’. Afonso divergiu?

Porque não mencionar os famigerados Mamadou Ba e SOS Racismo, porventura os maiores racistas assumidos do país? Mamadou Ba foi inclusivamente assessor do Bloco de Esquerda e enquanto tal não teve o menor pudor em clamar contra a ‘branquitude’ – termo gritantemente racista – numa das maiores publicações de ‘centro-esquerda’ de Portugal, ou em discorrer sobre o “racismo à portuguesa” – expressão objectivamente discriminatória contra um povo.

Foi, aliás, o próprio partido CHEGA que promoveu uma manifestação sob o lema ‘Portugal não é racista’, assim procurando acabar com qualquer preconceito antinacional na temática do racismo. Estive pessoalmente na vanguarda da descida da Avenida da Liberdade com esse lema mas …não me recordo de ter encontrado Carmo Afonso nesse dia – desencontro acidental seguramente…

A SOS Racismo – companheira de muitas andanças do Bloco de Esquerda – tem porta-vozes a afirmar, paradoxalmente, na TV generalista que “não existe Racismo de negros contra Brancos“. Isto num país que teve que acolher meio milhão de retornados vítimas de limpeza étnica pela cor da sua pele e num período histórico em que luso-descendentes na África do Sul são vítimas de racismo e de violência, vivendo sob um regime que pondera expropriar propriedade privada a brancos.

Longe de se distanciar ou mesmo condenar o racismo latente na esquerda portuguesa, Carmo Afonso advoga esse mesmo racismo: “se não detetas que existe racismo em Portugal, não serás negro, podes não estar atento ou podes simplesmente ser racista”. Imagine-se o escândalo se um qualquer colunista de direita se arrogasse a autoridade de julgar quem é negro ou não, com base nas suas ideias políticas, ou a querer – para citar Santos Silva – fazer “atribuições colectivas de culpa”…

As hipocrisias de Afonso são simplesmente demasiado numerosas e absurdamente preconceituosas para lhe poder ser dado o benefício da dúvida. Não, a colunista do Público e do Expresso, companheira de luta de Ana Gomes e das manas Mortágua, é, ela sim, um das caras mais óbvias do extremismo ideológico em Portugal, chegando ao cúmulo de promover o vandalismo e a chantagem a empresas, na defesa do tal antirracismo enviesado: “movimento antirracista com um alcance e um radicalismo sem precedentes – Black Lives Matter (BLM) – e são impressionantes os relatos do que tem conseguido junto de uma comunidade que à partida não pareceria tão sensibilizada para o tema, junto de estruturas capitalistas. Os seus ativistas, como forma de luta, entre várias ações de rua e nas plataformas digitais, partiram montras e não numa linguagem metafórica. Resultado: marcas como a Marc Jacobs, que viram as suas lojas danificadas, vieram dizer que uma vida é que não poderia ser substituída e que racismo sim é violência. Mais, contribuíram com donativos para a causa”.

Vale a pena acrescentar que, longe de grandes contributos para ‘a causa’, a violência totalitária do BLM resultou num aumento das taxas de homicídio e criminalidade contra negros, na desertificação comercial de bairros negros dos EUA levando a mais desemprego e que aumentou em muito as intenções de voto no Partido Republicano.

Para além de racismo e violência, Afonso é também uma defensora da censura: “É necessário que se avance para a regulamentação na internet e que essa regulamentação não se fique pelo cyberbullying ou pelo discurso de ódio. (…) E precisamos de fazer circular a mensagem: cibernautas de todo o mundo, uni-vos!”. Claramente, o ‘discurso de ódio’ apenas classifica discurso de direita e não de esquerda, por mais ‘radical’, preconceituoso e violento que seja. Finalmente, se houvesse dúvidas perante as intenções totalitaristas de Afonso, ela termina aludindo a Karl Marx…

É a este tipo de extremismo que se associam – sem consequências – o Bloco de Esquerda, o Público, o Expresso e o PS. São estes os ‘tolerantes’ ‘centristas’ que governam e pregam à sociedade portuguesa.


Miguel Nunes Silva

* O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica

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Latest comments

  • Vamos todos apoiar a DITADURA . . . do proletariado . . .

  • Bravo Miguel. Felizmente alguém com voz pública e publicada tem coragem de afrontar a esquerda racista que é contra a direita pacífica que já demonstrou capacidade para integrar povos de várias proveniências, etnias e religiões.

  • O meu racismo é contra o Bloco de Esquerda.

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