Cabul: a queda do império dos EUA

Notabilíssimo discurso do deputado britânico, e veterano da guerra do Afeganistão, Tom Tugendhat na Câmara dos Comuns, em 19-8-2021.

O deputado conservador manifestou humildemente a sua vergonha, sem qualquer desculpa, sobre a derrota do Ocidente no Afeganistão. Lamenta a conduta do governo Biden, na fuga, e no caos de Cabul, em cujo aeroporto as tropas, expatriados e colaboradores afegãos, estão cercadas pelo inimigo e sujeitas à sua boa-vontade. Critica ainda as reiteradas justificações passa-culpas, e dissociadas da realidade, do presidente Biden sobre o epílogo indecoroso e dramático desta guerra. Assume a falta de confiança no aliado norte-americano e a necessidade de passar a contar especialmente com outros aliados. Em qualquer caso, esta derrota implica um recuo do Ocidente.

Como Tom Tugendhat significou neste discurso responsável, na guerra não há substituto para a vontade de combater.

As imagens da fuga precipitada dos EUA no aeroporto de Cabul contrastam com a saída ordenada das tropas soviéticas do Afeganistão, em 15-2-1989, com o general Boris Gromov a atravessar com o filho a ponte com o Uzebequistão, ou a honrosa queda, após longo combate, da Legião Estrangeira em Diên Biên Phu, no 7 de maio de 1955.

Na verdade, a cobarde derrota norte-americana de Cabul evoca a entrega de Sbrenica, em 1995, pelos soldados holandeses aos sérvios.

Todo o império cai. E cai quando perde a vontade de lutar. O império norte-americano começou a decadência na simbólica queda de Cabul, de 15 de agosto de 2021.


António Balbino Caldeira
Diretor

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