Mineração de Bitcoin supera consumo energético da Argentina

As centrais mineradoras de criptomoeda Bitcoin já atingem vários GW de potência instalada em todo o mundo, rivalizando o consumo energético de países como Argentina, o que põe em causa a sustentabilidade ecológica que se esperava inicialmente.

Investir em criptomoeda passou a ser também uma forma de ganhar dinheiro, comprar barato e vender caro. A atividade conhecida como “mining” (mineração) é praticada em diversas partes do mundo (com a China à cabeça). Esta atividade, para ser rentável, requer a instalação de grandes centrais de computadores a funcionar com software próprio e que zelam, 24 horas por dia, pelas transações automáticas que garantem o lucro.

Uma pesquisa alargada conduziu-nos a uma página da Universidade de Cambridge, Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index, que estima em 121 TWh o consumo de energia da mineração da Bitcoin, em linha com o consumo de energia da Argentina.

Desde os tempos de puro escambo (troca de mercadorias), os meios de pagamento sofreram diversas alterações. Um meio de pagamento, para ser aceite como tal, tem que dar garantias a quem o aceita para a cedência de bens ou serviços. Essa garantia foi mudando com o tempo e com o espaço, passando por cereais, sal, gado, metais, etc. até chegar ao papel-moeda dos nossos dias que se baseia apenas na confiança num banco emissor da moeda, existindo por isso moedas fortes e fracas.

Embora só os bancos centrais dos vários países sejam os emissores de moeda, também os outros bancos e algumas empresas têm mecanismos de “criação” de moeda quando colocam papéis com valor a circular. É o caso, por exemplo, dos cheques, dos títulos, acções, etc.. Isto mostra que existe a possibilidade de criar uma moeda, desde que ela ofereça a garantia de uma entidade ou uma expetativa de ganho futuro quando se investe nela.

Em vários países do mundo, normalmente recém-saídos de regimes totalitários ou países muito pobres, aparecem os chamados esquemas em pirâmide, que mais não são do que a criação de uma certa moeda. As pessoas investem nela na esperança de ganhar num futuro próximo.

Em Portugal, o caso mais célebre deu-se após o 25 de Abril – o caso da Dona Branca – que prometia juros de depósito muito acima do normal. Pagou aos primeiros porque tinha liquidez enquanto o número de depositantes crescia, mas acabaria por desmoronar quando se atingisse a saturação. O esquema foi desmontado antes disso pelas autoridades.

A internet fez com que nascesse, em 2009, uma “moeda virtual”, o Bitcoin, cuja única garantia também era a expetativa de ganho futuro porque iria valorizar com a procura. Além disso, a nova moeda compete, nas transações internacionais pagas nessa moeda, com outros meios de pagamento (ex.: cartões de crédito), já que elas se fazem sem comissões ou juros. A primeira moeda virtual foi inventada por alguém que permaneceu no anonimato até hoje, escondido atrás do pseudónimo Satoshi Nakamoto. Seguiram-se outras moedas virtuais, mas esta é a mais conhecida e procurada.

O valor transacional de 1 Bitcoin passou de dez a quase quarenta euros em dez anos, tendo sido inicialmente comprado (a baixo valor) apenas por pessoas que acreditaram com base nas projeções de crescimento.

Pelo facto das referidas moedas virtuais não terem qualquer correspondente físico, são também conhecidas como criptomoeda. “Cripto” significa escondido ou, ainda, encriptado. De facto, por trás da criptomoeda existe apenas um software de encriptação que garante a segurança da moeda. Cada unidade da moeda cria-se no momento em que alguém a compra pagando com moeda comum. A segurança passa ainda por ter a informação das transações com a moeda guardada em diversos servidores em todo o mundo.


Redação

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