Bélgica e Holanda apertam o garrote eco-climático

A perseguição climática ao CO2 alastrou-se também a outros gases de efeito estufa, principalmente na Bélgica e Holanda que alegadamente estão a ultrapassar as “cargas críticas” de compostos de azoto, segundo o The Guardian de 25-6-2023.

As emissões de compostos de azoto são o tema do momento na Holanda, tornando-se na questão política dominante, numa longa crise de quatro anos. Entre outros impactos, a crise prejudicou também a construção de casas porque os construtores precisam de licenças de azoto – para emissões limitadas na construção.

A crise tem polarizado a opinião social holandesa, com o surgimento de movimentos rurais em oposição a ambientalistas e ativistas do clima. Os movimentos rurais opõem-se ao encerramento das explorações, política esta que leva os agricultores ao desespero. Por seu turno, os eco-climatistas alegam que o excesso de compostos de azoto conduz à redução da biodiversidade e à proliferação de espécies endémicas como as algas, bem como à saturação dos solos, classificando os movimentos rurais como “populistas” e de “extrema-direita”.

“As aquisições forçadas de explorações agrícolas já estão a acontecer na Bélgica, mas estão a revelar-se politicamente intragáveis nos Países Baixos”, pode ler-se na reportagem.

O agricultor Vim Brouwer é considerado um dos maiores “poluidores” da Holanda. Exporta 110 milhões de animais por ano, entre bovinos, suínos e aves. Brouwer receia que essa classificação o possa prejudicar na medida em que pode fazer secar as linhas de crédito necessárias ao seu negócio.

“A cada 14 dias, um agricultor na Holanda põe fim à sua vida. Se uma carreira saudável dura 40 anos, passamos 10% da nossa vida na incerteza”, diz Brouwer, que também é presidente do sindicato local de agricultores.

Várias decisões da Suprema Corte, em casos movidos por ambientalistas, fizeram paralisar a Holanda por causa da poluição. Monóxido e dióxido de azoto, provenientes dos transportes e do amoníaco da agricultura, estão a prejudicar as reservas naturais protegidas pela União Europeia. As velocidades nas autoestradas são limitadas e a construção de casas, muito necessária, está parada. Segundo as recomendações de uma comissão constituída em 2020, é necessário reduzir a poluição à base de azoto em 50% até 2030 e encerrar de 500 a 600 fazendas num só ano – principalmente de criadores de gado.

Entretanto, na Holanda, os agricultores continuam em protestos, segundo se pode ver no Twitter, sendo parcas as notícias nos meios de comunicação sistémicos:

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Sub-diretor do Inconveniente

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