As mentiras da ministra da Saúde

(A imagem foi editada)

A ministra da Saúde, Marta Temido, deu uma entrevista à SIC, no dia 3-03-2021. Já repararam que o primeiro ministro, a ministra da saúde e o secretário de estado da saúde não saem das televisões? Será esse o preço a pagar pelos 15 milhões de euros anuais que os média tradicionais recebem do Estado? Uma quase nacionalização escondida.

A entrevistadora fez as habituais perguntas fofinhas. E pouco escrutínio concedeu às mentiras da ministra. A maior mentira foi esta pérola: “Nós não tivemos um caos instalado, tivemos uma situação extraordinariamente complexa”.

As dezenas de ambulâncias em fila à porta dos hospitais, com doentes em estado grave à espera, dias e noites, de uma vaga para poderem aceder ao serviço de urgências não terá passado de fake news, um rumor. Quiçá mais um acto anti-patriótico dos inimigos internos do Governo. E as mais de cem mil cirurgias adiadas? E as dezenas de milhares de exames médicos cancelados? E as centenas de milhares de consultas médicas adiadas? E os doentes não Covid que morreram por falta de assistência?

Confrontada com a falta de planeamento, a ministra não hesita: “O Governo não pode ser acusado de falta de planeamento porque: há coisas que ninguém pode planear”.

E ninguém pode planear porque se trata de “uma doença nova, que tem evoluído em termos de variantes”.

As variantes são o bode expiatório da ministra. Até parece que os outros países europeus não tiveram a presença de variantes.

Na narrativa da ministra só Portugal não foi poupado à presença das variantes.

A ministra vê todo o Serviço Nacional de Saúde a funcionar. Mas, se está controlado e a funcionar, por que razão estamos a viver mais um confinamento geral e prolongado?… Quando um país é governado por um conjunto de incompetentes, dificilmente pode haver plano. Sem plano, nem capacidade para o cumprir, resta ao Governo dos incompetentes escolher a opção mais fácil: meter os portugueses em quase prisão domiciliária por tempo indeterminado. E os portugueses, vítimas do síndrome de Estocolmo e da ignorância, cumprem acriticamente as ordens e agradecem a quem os mantém privados dos mais elementares direitos e liberdades.

“Hoje, temos 200 inquéritos epidemiológicos por realizar. Tivemos problemas, evoluímos e fomos buscar outros profissionais. Conseguimos pôr as coisas a funcionar” – disse a ministra.

Os serviços do Estado, seja os da saúde ou os de outra área qualquer, não só não estão a funcionar bem como estão mergulhados num caos e confusão nunca antes vistos. O caos dos serviços do Estado não se deve apenas à epidemia. Muitos outros países europeus viveram a epidemia com a mesma intensidade, mas mantiveram os serviços estatais a funcionar. O caos deve-se também à incompetência brutal dos governantes socialistas e dos boys e girls que ocupam as chefias da administração pública.


Ramiro Marques

*O autor usa a norma ortográfica anterior.

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  • Eu tive o meu sogro no Hospital Beatriz Ângelo, em falência renal, doente com demência e DPOC, de 73 anos, a não ir para o serviço de cuidados intensivos porque não cumpria com os critérios da altura. Por acaso safou-se. Parabéns à minitra.

  • Quer a literatura científica, quer a evidência empírica têm demonstrado à saciedade a ineficácia dos confinamentos e de outras medidas não-farmacêuticas, uma moda importada da China por macacos de imitação que remeteram para o caixote do lixo cerca de 200 anos de ciência epidemiológica acumulada.

    Da evidência empírica, os exemplos da Suécia e de Belarus, sem confinamentos, sem uso obrigatório de máscaras e com escolas total ou paracialmente abertas, sendo paradigmáticos não podiam constituir, em rigor, termos de comparação com outros países onde foram implementadas panóplias de medidas não-farmacêuticas, fruto das diversidades geográficas, populacionais e culturais.

    Um artigo científico surgido recentemente, ainda em pre-print, relativo a uma “experiência natural” resultante das abordagens epidemiológicas distintas seguidas em municípios da região dinamarquesa da Jutlândia do Norte, vem colmatar a falta existente de estudos com um verdadeiro grupo de controlo que possibilite comparações rigorosas.

    Nessa região dinamarquesa, 7 municípios optaram por confinamento estrito – fecho de escolas, cafés, restaurantes, proibição de circulação entre municípios, etc. – e 4 municípios não o fizeram. Os resultados são os que figuram nesta imagem: http://prntscr.com/10bfmrd (colhida do artigo científico “Lockdown Effects on Sars-CoV-2 Transmission – The evidence from Northern Jutland”, https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.12.28.20248936v1.full).

    Os buescus, oliveiras e quejandos, os quais me suscitam um profundo nojo intelectual, diga-se, que ultrapassem agora esta barreira de realidade feita com os seus pressupostos de pacotilha e as suas conclusões delirantes.

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