As casas-de-banho da Escola como instrumento da revolução sexual

Já lá vai o tempo em que os nossos pais nos enviavam para a Escola para aprender a ler, a escrever e a contar, para nos prepararmos para a vida profissional. Hoje, a Escola é a principal linha de montagem do regime, onde todas as crianças são recriadas à imagem e semelhança dos ideólogos do género e das políticas adoptadas por quem nos (des)governa. A revolução sexual atingiu a velocidade cruzeiro. A difusão de um estilo de vida sexual promíscuo, que se separa cada vez mais do ideal de um projecto de vida construído por marido e mulher, dentro do compromisso do casamento, está a ser difundida ad nauseum.

Hoje, neste imenso manicómio a céu aberto, os mesmos que denunciam Os transportes públicos e as instalações relacionadas com os transportes são sítios onde as mulheres estão mais expostas a violência de género, assalto e assédio sexual[1] clamam por casas de banho mistas, onde homens e mulheres possam entrar livremente, de acordo com o sexo que auto-determinem ter (independentemente do que têm de facto, do que a biologia os define), pois, imagino eu, para esses activistas, o género de homens que ataca as mulheres nos transportes públicos e nas instalações relacionadas com os transportes são cidadãos exemplares, incapazes de se aproveitar de uma lei que lhes permite entrar na casa-de-banho das mulheres para abusar delas. Aliás, qual é o violador idiota que não percebe que é muito mais fácil abusar de uma mulher nos transportes públicos do que numa casa-de-banho pública? Só mesmo conservadores, como eu, que vêem mal em tudo.

E, convenhamos, que lugar melhor para começar a proteger as mulheres do abuso sexual do que a Escola, onde a casa-de-banho é igualzinha à casa-de-banho da casa dos activistas (e acho que dos políticos), na qual entram os anfitriões, os filhos deles e as visitas, ao mesmo tempo? Eis um exemplo da realidade: uma casa-de-banho como aquela da Escola de Benfica que, segundo o director da escola e o polígrafo: não [é uma] casa-de-banho mista. Mas sim uma casa-de-banho de porta aberta apenas para os jovens que estão a mudar de sexo e que não se sentem à vontade para ir à casa-de-banho dos rapazes ou das raparigas.[2] Ou seja: uma casa-de-banho MIS-TA, onde podem entrar rapazes e raparigas que afirmem estar a mudar de sexo ou que se auto-determinem do outro sexo, ainda que mantenham todas as características sexuais do seu sexo biológico. É isso que a Lei n.º 38/2018 determina, que o Despacho n.º 7247/2019 ordena e que o PS quer ver posto em prática rapidamente (mas que, na verdade, marimbando-se para o chumbo do Tribunal Constitucional à lei, várias escolas já adoptaram).

Por isso, no dia 30 de Setembro de 2022, acordámos com a notícia: Alunos vão escolher casa de banho em função do género[3]. Ou seja, não é em função do sexo biológico ou em fase de amputação (desculpe, “transição”), mas sim em função do género, que os ideólogos definem como a experiência interna e individual sentida por cada pessoa relativamente ao género com que se identifica, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído à nascença. Pode envolver, se livremente escolhido, a modificação da aparência ou do corpo por meios cirúrgicos, farmacológicos ou de outra natureza e outras expressões de género, incluindo o comportamento, o vestuário, a expressão verbal e corporal.[4]

Assim, o Despacho n.º 7247/2019, no seu Artigo 5º, Condições de proteção da identidade de género e de expressão, começa por informar: Tendo em vista assegurar o respeito pela autonomia, privacidade e autodeterminação das crianças e jovens, que realizem transições sociais de identidade e expressão de género devem ser conformados os procedimentos administrativos, […] e, na alínea c), ponto 3, determina: As escolas devem garantir que a criança ou jovem, no exercício dos seus direitos, aceda às casas de banho e balneários, tendo sempre em consideração a sua vontade expressa e assegurando a sua intimidade e singularidade.

Por favor, entenda: transição social de expressão de género não implica tratamento ou cirurgia alguma de “mudança de sexo”[5] (um sofisma de linguagem, pois o sexo está impresso em cada célula da pessoa e é imutável. O que muda, por meio de uma vida de dependência de medicação hormonal e intervenções cirúrgicas, é o aspecto físico, o exterior), apenas defende que a criança pode ser uma rapariga “presa” no corpo de um rapaz e que, por isso, o pénis desse rapaz é biologicamente feminino. Sim, eu sei que é loucura, mas, leiam o que diz alguém que, com esta lei em vigor, poderia entrar livre e tranquilamente na casa-de-banho das meninas: manter o genital [masculino] é tornar legítimas expressões como “mulher com pénis” e “homem com vagina”, para que as próximas gerações tenham modelos de corpos trans para se espelhar.[6]

Voltando à decisão do PS, para as casas de banho da Escola (e não é só para a escola estatal), pergunto:

  • Porque é que o Estado, em vez de impor a ideologia de género à Escola, aos alunos e aos pais, não começa por fazer obras nas casas-de-banho a fim de garantir a privacidade de todos os alunos?;
  • Quantos pais defendem que rapazes, que se identificam como raparigas, mas mantêm as suas características sexuais naturais, podem tomar banho, nus, com as suas filhas?;
  • Quantos pais aprovam, que rapazes e meninas entrem na mesma casa-de-banho, ao mesmo tempo, sem qualquer supervisão e, às vezes, sem possibilidade de fechar as portas por dentro?;  
  • Quem é que assegura a vontade expressa, a intimidade e a singularidade das crianças, que se identificam com o sexo com que nasceram e que não querem ter pessoas do outro sexo a usar a mesma casa-de-banho, a tomar banho com elas e a invadir a sua intimidade/privacidade?; 
  • Um rapaz, que alegue sentir-se uma rapariga, pode entrar nos balneários femininos, e vice-versa?
  • E os que são do “género fluído”? A que casa-de-banho vão, e em que balneário tomam banho? No dos homens, no das mulheres ou no misto?

«O que é o género fluído?» – pergunta o leitor. De acordo com os ideólogos de género: Pessoas género-fluido são pessoas que mudam de género de tempos em tempos. As mudanças podem ser: graduais ou súbitas; constantes ou inconstantes; diárias, semanais, mensais, semestrais, anuais, bianuais, em intervalos de tempo aleatórios, etc.; entre géneros definidos e/ou indefinidos; entre certos géneros, e/ou entre géneros completamente diferentes a cada mudança; para ou de qualquer quantidade de géneros (como de agénero para neutrois e mulher, de neutrois e mulher para andrógine, de andrógine para maverique, homem e mulher, e assim vai); influenciadas (por questões como ciclo hormonal, crises, clima, pessoas em volta, etc.) ou não.[7]

Valha-nos Deus! O que o clima não faz…

Entendeu? Não? Não importa, pois os que se auto-determinarem de “género fluído” entram na casa-de-banho, ou no balneário, ao qual sentem pertencer no momento. De manhã, entram no das meninas; à tarde, no dos meninos; ao fim do dia, no misto… Sim, porque não é preciso “mudar de sexo”, basta auto-determinar ser de um, de vários ou de nenhum (só não me ocorre onde irão os que são agénero (sem género)… Farão as necessidades no jardim?).

Pobre País, nas mãos de gente sem quaisquer valores e princípios, que só obedecem a uma agenda destrutiva e imitam o que os países “mais avançados” fazem de mal, ainda que, nesses países, os resultados sejam trágicos e já se comece a inverter esta teorização.

No Reino Unido, em Setembro de 2018, Penny Mordaunt, ministra do governo britânico, ordenou que se investigasse o facto de tantas meninas estarem a identificar-se como meninos e a quererem “mudar de sexo”. Em menos de uma década, à medida que as políticas de género adentravam as escolas e os influencers elgebetês influenciavam os seus seguidores, o número de pessoas encaminhadas para tratamento de “mudança de sexo” aumentou mais de 4.000% [sim, leu bem, MAIS de QUATRO MIL por cento]. Dados oficiais mostram que o número de meninas que procuram mudar de sexo aumentou de 40, em 2009/10, para 1.806 em 2017/18.[8]

Em Março de 2019, Lisa Littman, ao analisar os dados obtidos com a investigação ordenada pela ministra, inventou o termo “disforia de género de início rápido” e alertou sobre o efeito contágio entre as crianças e o perigo de serem expostas à ideologia do género.[9]

Em 3 de Julho de 2022, soubemos que o Reino Unido quer abolir casas de banho mistas[10], pois, nas escolas, as crianças recusam-se a ir à casa-de-banho porque só têm acesso a instalações conjuntas para pessoas do mesmo género.

Em Julho de 2021, uma menina foi violada dentro da casa-de-banho, das meninas, da escola   Stone Bridge High School, localizada na cidade de Ashburn, condado de Loudoun, estado da Virgínia. O criminoso, um adolescente de 14 anos, ter-se-ia aproveitado das políticas adoptadas pela escola, em favor dos transgéneros, para entrar na casa-de-banho das meninas e consumar a violação. No momento do crime, o rapaz usava uma saia. Entretanto, enquanto a família da menina aguardava o julgamento foi surpreendida por uma notícia que dava conta de que o criminoso havia sido preso, no dia 6 de Outubro, a quatro quilómetros de distância, por crimes similares praticados noutra escola.[11]

Em Setembro deste ano, soubemos que, entre 2020 e 2021, o Número de crianças americanas com diagnóstico de disforia de género aumentou 70%.[12] Segundo Erica Anderson, psicóloga clínica que trabalhou na clínica de género da Universidade da Califórnia, São Francisco, há jovens com outros problemas, que não a disforia de género, que estão a ser encaminhados à pressa e sem cuidado para mudanças físicas irreversíveis.

Tudo isto é trágico e é só uma pequeníssima amostra do que vai acontecendo por esse mundo fora.

Voltando ao nosso país, não se deixe enganar. As casas de banho mistas são só o passo necessário para, a seguir, e perante os brados de vitimização dos activistas do género, passar a haver apenas casas de banho mistas, pois ter uma para meninas, outra para rapazes e uma para quem está na fase de transição não contempla os outros inúmeros géneros e é uma forma de discriminação, que não reconhece que os rapazes que se sentem meninas o são de facto e vice-versa.

O PS pretende, ainda, que as escolas promovam a construção de ambientes que, na realização de atividades diferenciadas por sexo, permitam que se tome em consideração o género auto-atribuído.[13] Ou seja: O PS pretende que, nos desportos escolares, os rapazes possam competir nas categorias femininas. Vêm aí as “Lias Thomas” cá do burgo.

Tem o Legislador consciência das consequências que está a gerar nas gerações futuras?

Fico por aqui. O artigo já vai longo. Urge que os pais percebam o que está em jogo e se mobilizem no sentido de evitar que os seus filhos continuem a ser cobaias de uma experiência social que os deixará amputados e marcados para toda a vida.


Maria Helena Costa

*A autora escreve segundo a anterior norma ortográfica.


[1] https://lge.ces.uc.pt/files/LGE_mobilidade_e_transportes_digital.pdf – pág. 8

[2] https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/escola-de-benfica-montou-casa-de-banho-para-ambos-os-sexos-e-espaco-para-os-alunos-fumarem-droga-e-tabaco

[3] https://www.jn.pt/nacional/alunos-vao-escolher-casa-de-banho-em-funcao-do-genero-15212281.html

[4] https://cidadania.dge.mec.pt/sexualidade/identidade-e-genero

[5] Transexual indica um indivíduo que busca ou que passa por uma transição social de masculino para feminino ou de feminino para masculino, o que, em muitos casos (mas não em todos), envolve também uma transição somática por tratamento hormonal e cirurgia genital (cirurgia de redesignação sexual). https://www.ebp.org.br/correio_express/2021/07/29/a-diferenca-entre-transexual-e-transgenero-de-que-se-trata-para-a-psicanalise/ Consultado em 11-10-2022, às 15:57h

[6] https://www.uol/estilo/especiais/amara-moira.htm#mulheres-de-penis-e-homens-de-vagina

[7] https://orientando.org/listas/lista-de-generos/genero-fluido/

[8] https://www.thetimes.co.uk/article/inquiry-into-surge-in-gender-treatment-ordered-by-penny-mordaunt-b2ftz9hfn

[9] https://quillette.com/2019/03/19/an-interview-with-lisa-littman-who-coined-the-term-rapid-onset-gender-dysphoria

[10] https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/e-importante-e-legal-espacos-separados-para-homens-e-mulheres-reino-unido-quer-abolir-casas-de-banho-mistas

[11] https://sensoincomum.org/2021/10/13/adolescente-e-estuprada-por-aluno-de-saia-em-banheiro-de-escola-nos-eua/

[12] https://pleno.news/mundo/eua-diagnosticos-de-disforia-de-genero-em-menores-sobem-70.html

[13] https://www.jn.pt/nacional/alunos-vao-escolher-casa-de-banho-em-funcao-do-genero-15212281.html

Partilhar

Latest comments

  • Caríssima, essa coisa das casas de banho vai colapsar por ela própria, porque acho que é só nas escolas do estado, nas privadas não.
    Logo por aí tem muito por onde se pegar.
    O que se tem é que divulgar quais as públicas onde se processa essa anormalidades, nem é preciso fazer muito barulho pois os próprios jovens depressa vão acabar com essa questão.

  • Entrevista a Aaron Russo
    Um dos Rockefeller, amigo dele, perguntou-lhe se ele sabia porque surgiu o movimento feminista (*).
    Ele deu-lhe a resposta tradicional. O Rockefeller disse-lhe que ele era um burro e depois explicou-lhe; Nós a Fundação Rockefeller financiamo-lo por duas razões. (1) porque havia uma parte da população que ainda não pagava impostos e (2) porque assim os miúdos vão para as nossas escolas e desta forma podemos molda-los, desde idades muitos tenras. Já não têm as mães a educa-los. O estado agora é a sua família.
    Aaron Russo Great Interview by Peter Boyles 2006
    https://www.youtube.com/watch?v=lGmgfITDwmk
    (*) 55:49
    .
    Entrevista de G. EDWARD GRIFFIN a Norman Dodd (não encontrei o original)
    https://www.youtube.com/watch?v=gyBrd74EJ-g

deixe um comentário