Alemanha pondera prescindir do gás russo

“A ministra da Defesa da Alemanha disse no dia 3-4-2022 que a União Europeia deve discutir a proibição da importação de gás russo depois das autoridades ucranianas e europeias terem acusado as forças russas de cometer atrocidades perto de Kiev” – pode ler-se na notícia do mesmo dia da Reuters.

“Tem que haver uma resposta. Tais crimes não devem ficar sem resposta”, disse o Ministério da Defesa, citando a ministra Christine Lambrecht, em entrevista ao canal de televisão alemão ARD.

Até agora, Berlim tem resistido aos apelos para impor um embargo às importações de energia da Rússia, dizendo que a sua economia e a de outros países europeus são muito dependentes delas. A Rússia fornece 40% das necessidades de gás da Europa.

O ministro da Economia, Robert Habeck, repetiu a posição do governo na noite de domingo no canal televisivo alemão ZDF, dizendo que a Alemanha está a reduzir a sua dependência da energia russa, mas não se pode livrar dela completamente de imediato.

A pressão, dentro e fora do governo, cresce no sentido de serem tomadas medidas mais radicais. Lambrecht disse que os ministros da UE tinham que discutir agora uma proibição, segundo um post do seu ministério no Twitter.

Já há algum tempo que a UE tem vindo a trabalhar em sanções adicionais, mas o comissário da economia, Paolo Gentiloni, disse no sábado que quaisquer medidas adicionais não afetariam o setor de energia.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse na noite do domingo, 3-4-2022, que os aliados ocidentais iriam acordar novas sanções à Rússia nos próximos dias.

A Ucrânia disse no dia 2-4-2022 que tinha assumido o controle total da região de Kiev, pela primeira vez desde que a Rússia lançou a sua invasão em 24-2-2022. O presidente da câmara de Bucha, uma cidade libertada a 37 quilómetros a noroeste da capital, disse que 300 moradores foram mortos pelo exército russo.

O Ministério da Defesa da Rússia negou a alegação, dizendo que as fotografias de cadáveres em Bucha eram “mais uma provocação” de Kiev.

Scholz pediu num comunicado que organizações internacionais como o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) tenham acesso às áreas afetadas para documentar de forma independente o que ele descreveu como atrocidades.

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Sub-diretor do Inconveniente

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