Acabar com o carbono que é fonte de receitas?

Os crentes na hipótese do efeito de estufa causado pelo CO2 resultante da queima de combustíveis fósseis, que é 3,225% do total das emissões mundiais anuais, defendem que se abandone por completo a sua utilização.

Preconizam ainda os “climatistas” que as nossas necessidades energéticas serão satisfeitas com o recurso às energias renováveis e, agora também, à energia nuclear por ser quase isenta de emissões de carbono, passando à categoria de energia “verde”.

Acontece que a energia nuclear é incompatível com energias renováveis porque estas distorcem de tal forma a procura que a energia nuclear se torna economicamente inviável. Ou, em alternativa, as energias renováveis tornam-se pouco atractivas por terem de ser armazenadas sob a forma de gases como o hidrogénio ou a amónia ou através de bombagem. São necessários investimentos astronómicos, além de haver redução dos rendimentos dos aproveitamentos renováveis.

Podemos portanto prever que um sistema produtor baseado em elevadas potências de renováveis, mesmo que complementado com a energia nuclear, vai conduzir a preços exorbitantes da electricidade. Mas é esta via que está a ser trilhada com cada vez mais teimosia por parte dos nossos governantes (e de outros países).

Mas de onde vêm as enormes verbas necessárias para fazer a apregoada transição energética? Verbas da União Europeia desviadas para os investimentos e, veja-se a ironia, dos impostos sobre os combustíveis fósseis! É aquilo que se pretende eliminar que acaba por fornecer as receitas necessárias para ser dispensado?

Por um lado espera-se que o aumento provocado pelos impostos reduza o consumo de algo cuja procura se sabe que não é elástica. É o mesmo que aumentar os impostos sobre o pão ou a água na esperança que o consumo destes bens essenciais diminua. Por outro lado, se se deixar de usar combustíveis fósseis, acaba-se uma fonte de receitas importantíssima. Como substituir estas receitas se já não houver combustíveis fósseis?

Vai ser, com elevada certeza, substituída com impostos sobre as energias alternativas, isto é, electricidade mais cara para todos e para tudo, incluindo para a mobilidade eléctrica que visa substituir a de combustão interna.

Ou seja, haverá real vontade (e necessidade) de abandonar os combustíveis fósseis ou andamos apenas a ser iludidos com uma ideia em que nem “eles” acreditam e só serve para nos sacar mais dinheiro para pagar a energia, venha ela de onde vier? É que a nossa contribuição para o aquecimento global antrópico (admitindo que existe), segundo o Our World in Data, vai em 2 milésimos de grau centígrado!


Henrique Sousa

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Sub-diretor do Inconveniente

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