A verdadeira sensação de segurança

Há muitas coisas que dão sensações de segurança, mas que talvez não sejam noticiadas por simples impossibilidade material: não caberiam nos jornais. Uma delas é o incomensurável tamanho do descrédito desta rede criminosa, incluindo jornais que reportam matérias como perfeitos veículos de propaganda das autoridades, sem questionarem as contradições básicas e patéticas a que se prestam.

Refiro-me à famosa “falsa sensação de segurança” que há mais de um ano invade permanentemente as nossas casas pelo televisor, apelando a que não usemos máscaras, luvas, testes rápidos, todo o tipo de medicamentos, apps… tudo parece dar uma sensação “falsa” de segurança.

Agora, tomar a pica? Ver televisão? Ler a imprensa dominante? Será que não haverá sensação de segurança mais verdadeira do que confiar a nossa saúde a agentes desinformativos?

Já todos certamente repararam que para a Organização Mundial da Saúde e Direção-Geral da Saúde tudo pode dar falsa sensação de segurança, exceto a pica experimental da indústria farmacêutica, legalizada à pressa por se tratar de uma “emergência”, e a propaganda do medo que, segundo a própria OMS, já levou à morte de duas a três vezes mais pessoas (por falta de cuidados de saúde) do que as mortes atribuídas ao coronavírus.

Com efeito, o novo “direito contra a desinformação“, a servir para algo, deveria proteger-nos deste chorrilho de mentiras a que somos expostos diariamente pela indústria de audiências. Mas como o objetivo é precisamente defender o poder instalado desse escrutínio, este artigo de opinião não demorará muito até ser censurado como “ameaça aos processos de elaboração de políticas públicas e a bens públicos“, pelos censores do costume (verificadores de factos e monopólios digitais).

A pica surge, então, como a verdadeira sensação de segurança por que todos esperavam. Todas estas autoridades, sustentadas por um jornalismo adulador e cão-de-guarda, e por políticos interessados unicamente em manter a popularidade até às eleições, fizeram de tudo para moldar a perceção das populações a aceitar a bendita injeção. Mesmo desde antes de ter sido produzida: o terreno foi muito bem preparado. Aguarda-se agora a implementação da obrigatoriedade facultativa (chantagem).

Pessoalmente não tenho nada contra picas: eu próprio cumpri à risca o Plano Nacional de Vacinação e ainda tive de tomar picas extras devido às alergias de que sofro. Mas não me peçam para ser mais um “aceitacionista” de uma clara campanha desinformativa, cujo intento principal não é a saúde das pessoas, mas o financiamento de um capitalismo selvagem e irresponsável de mega-empresas e a centralização de poder nas elites ocidentais.

Como não sou idiota útil nem negacionista, não nego a instrumentalização deste vírus para servir infindáveis projetos de poder, incluindo a criação de uma nova ideologia de apartheid sanitário, de tipo fascista, que condiz o regime político com a nossa economia fiscalizadora e voltada para os grandes. Porque os vírus, infelizmente, ainda não têm poder para acabar com a mentira como meio para atingir as mais mesquinhas e sórdidas finalidades das paixões humanas, como a ganância por poder.

Já estamos calejados com o impacto da corrupção, pelo menos em Portugal. Mas a ideia que tenho é que o investimento em propaganda foi de tal ordem superior ao da saúde, que as pessoas parecem ter ficado convencidas disso. Ou seja, que, de repente, a falsa sensação de segurança transformou-se em verdadeira: “os políticos estão a fazer o que podem”, “não queria estar no lugar deles”, “não é hora de criticar e criar divisionismo”, “o inimigo é o vírus, não são eles”, “temos de tomar a vacina, por nós e pelos outros”. Ouve-se isto um pouco por todo o lado, como um coro de papagaios expostos a um ecrã televisivo 24 horas por dia.

Fico perplexo – é a normalização da distopia – ao constatar que a sensação de segurança das massas vem aumentando progressivamente desde há um ano. No entanto, somos censurados e chamados “negacionistas” de cada vez que nos opomos aos poderes governamentais e de organizações internacionais não-eleitas ou criticamos as medidas de gestão e controlo das populações.

Todo e qualquer agente ou instituição que use esse truque verbal, carimbando quem se oponha à narrativa dominante com um rótulo equiparado a “nazi”, manifesta apenas a sua vigarice autoritária. No fundo, no fundo, querem que confiemos neles, os guardiães da verdade, os salvadores do mundo, os nazis que chamam nazis a quem os contradiz. Eis a verdadeira sensação de segurança.


Maciel Rodrigues

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Latest comments

  • Há uma medida de saúde pública que aconselho aos mais doentes e idosos, não vejam os canais nacionais, nenhum, muito menos a informação e a animação então é de chorar.
    Se puderem vejam canais sobre a natureza, ouçam música, mas por favor não vejam os canais de televisão nacionais, todos! Aumentam o risco de AVC ou Enfarte do miocárdio de forma drástica. São terrorismo público.

  • Pois eu divirto-me imenso com as “cambalhotas” da “libelinha” da DGS, ou da Martinha do MS, e até mesmo do chefe da banda Marcelo !
    Só ao fim de 1 ano de pandemia conseguiram por em funcionamento um método “quase científico” para tomada de decisões : a dita matriz de risco !
    Serviu para fundamentar a cerca sanitária em Odemira e mais umas quantas freguesias do Portugal profundo.
    Entretanto o estado de emergência passou a estado de calamidade, mas o PR teve o cuidado de esclarecer que em caso de descontrolo seria sempre possível aplicar restrições a nível local. Só não disse que Lisboa não segue as regras do resto do país!
    Quando Lisboa ultrapassa os valores de referência da matriz de risco, nem pensar em aplicar cercas sanitárias (isso é para saloios, bimbos ou alentejanos), por isso apareceu logo um “especialista” a querer fazer um upgrade à matriz de risco, e aquilo que era válido há 1 mês agora já não serve para nada!

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