A Sharia ocidental

O Ocidente vive tempos de fundamentalismo pseudo-científico suportado por grandes interesses económicos, políticos e estratégicos. Esse fundamentalismo é induzido nas mentes dos cidadãos com o apoio dos meios de comunicação dominantes, sendo os seus objetivos bastante claros, vide por exemplo o que se pretende atingir até 2030. E para alcançar esses objetivos, é preciso convencer as pessoas da sua necessidade urgente, inventando-se teorias que rapidamente são promovidas a verdades científicas com o beneplácito de uma comunidade de pseudo-cientistas que, por simpatia ou necessidade, corroboram essas verdades.

Nem o próprio Einstein poria as mãos no lume pelas suas teorias da relatividade que são, estas sim, verdadeiras teorias científicas falseáveis, podendo alguma experiência ou acontecimento deitá-las por terra a qualquer instante. Além disso, têm campos de aplicação mais ou menos reconhecidos e não explicam tudo. A teoria que explica tudo ainda não existe, apesar dos esforços dos cientistas para a desenvolver.

Assistimos à promoção de meras suposições ou hipóteses a verdades científicas inquestionáveis, sendo uma delas a famosa “teoria” do aquecimento global antropogénico. Há-de chegar o dia em que pôr em dúvida essa verdade fará daquele que se atreveu a expressar uma simples opinião um perigoso negacionista, que coloca em perigo a humanidade, quando na verdade aquilo que ele diz pode é pôr em perigo o alcance das metas previstas.

O mesmo se passa agora com a pandemia da Covid, onde a versão oficial – que vai da origem do vírus à segurança das vacinas, passando pela validade dos testes PCR ou outros e pelas medidas de combate como o uso de máscara, afastamento social, etc. – é-nos apresentada como a Verdade, sendo todas as opiniões divergentes classificadas como negacionistas. A cereja no topo do bolo é um certificado de vacina para uso interno que divide os cidadãos em duas categorias: os vacinados e os não vacinados ou que não querem fazer um teste de que duvidam. A própria vacinação está a ser imposta às pessoas por essa via chantagista, do género “ou te vacinas ou perdes o emprego” ou “se não tens vacina não podes entrar…”.

Admira-me a boa-vontade daqueles que aceitaram cumprir uma série de regras absurdas que lhes foram impostas sem se revoltarem, até porque o cumprimento das mesmas implicou em muitos casos deixarem de poder pôr comida na mesa. E admiro ainda mais todos quantos, na esperança do regresso à normalidade, se sujeitaram aos múltiplos testes que, mesmo podendo revelar uma falsa positividade, lhes impunham um confinamento obrigatório de 10 dias ou mais. Mas admiro ainda mais aqueles que, na última esperança da prometida normalidade, aceitaram tomar vacinas desenvolvidas em tempo recorde, algumas delas com tecnologia nunca antes testada em humanos. As campanhas de pânico dos governos e dos media dominantes tiveram aqui um papel decisivo. Os poucos que se revoltam são perigosos negacionistas, inimigos do povo.

Admito que a OMS (e seus ecos regionais), bem como os governos e as suas autoridades de saúde, tenham agido de boa-fé, tentando controlar algo para o qual ninguém estava preparado, nem mesmo eles, embora me cause muita estranheza a estratégia seguida. Estratégia essa que desde o início apostou na espera da vacina desaconselhando todo e qualquer fármaco preventivo ou até curativo (à exceção do paracetamol ou ibuprofeno) entretendo as pessoas com o lavar de mãos, álcool-gel, máscara e afastamento social e as mesmas arcando com as terríveis consequências económicas que esta estratégia acarretou.

Não é fácil dizer que esta estratégia é acertada ou não porque não houve outra para se comparar. O declínio da pandemia em número de mortes a nível mundial ainda não se verifica, as mortes aumentam linearmente com o tempo e poderão duplicar daqui a um ano se as vacinas não chegarem a todos os países. Até agora, o único efeito palpável das vacinas nos países mais vacinados foi a redução da mortalidade, embora haja indícios de uma nova subida da mortalidade com a perda da imunidade das vacinas e/ou aparecimento de variantes mais agressivas do vírus, cuja propagação não dá sinais de abrandar. Impõe-se uma mudança de estratégia com a introdução de fármacos, como sucedeu com o vírus HIV, porque a vacina não acaba com a pandemia, como já foi reconhecido pela própria UE. Daí que não se perceba a vacinação de todos os jovens, para quem a doença é muito benigna e sem se saber os seus efeitos a longo prazo, com a desculpa da proteção dos mais velhos já vacinados com duas doses e a caminho da terceira.

A catástrofe económica provocada pela pandemia exigiu a mobilização de recursos financeiros e planos de recuperação económicos a serem implementados nos próximos anos. Porém, o medo das alterações climáticas e a ânsia de uma revolução verde, digital e rentável, está a desviar os recursos financeiros postos à disposição por organismos centrais para projetos com fracasso pré-programado, como o do hidrogénio verde ou da transição digital, sem falar de projetos menores como bicicletas nas escolas, ciclovias, estacionamentos de bicicletas, e toda uma panóplia de projetos verdes e digitais de que só conhecemos a metade, ou nem tanto. E à boleia vão ainda os projetos adiados de aeroportos, comboios, pontes e sabe-se lá que mais.

Tudo isto é consequência de um fundamentalismo tão ou mais perigoso que o fundamentalismo islâmico e que nos irá impor uma lei Sharia toda ela baseada numa simples hipótese, a do aquecimento global antropogénico, que simboliza o Inferno para os pecadores que andam a estragar o planeta. Para garantirmos a salvação, temos que abdicar de combustíveis fósseis baratos e pagar muito mais por fontes de energia ditas limpas e que exigem uma exploração mineira intensa de terras e metais raros, um enorme desperdício de uma energia nobre como a eletricidade, que passa a ser convertida em combustível que se pode armazenar, para depois ser reconvertida em eletricidade com perdas colossais que vão encarecer ainda mais a energia dita verde.

A juntar à lei Sharia inspirada no aquecimento global, temos ainda o sanitarismo motivado não só por esta pandemia covídica como também pelo medo das doenças em geral, e que leva o poder a imiscuir-se na forma como comemos ou até como vestimos. A recente proibição de vários alimentos nas escolas é um exemplo de sanitarismo que se sobrepõe à educação que compete aos pais e educadores, e é imposto por um poder autoritário – por sinal o mesmo poder que, de forma prepotente, dita as regras que temos que seguir na pandemia e cujo incumprimento é sancionado com coimas elevadas. As regras da pandemia foram pensadas com a mesma sabedoria que as da proibição dos alimentos nas escolas, tirem-se daí as devidas ilações.

Também existe o sanitarismo de pacotilha que leva muitos jovens e os menos jovens aos ginásios para terem o corpo ideal. Mas um sentido de estética enviesado que hoje é moda, obriga as mesmas pessoas a estragar depois o seu corpo com tatuagens horríveis… Não critico, cada um sabe de si, mas não gosto e causa-me até repulsa ver um matulão ou matulona cheios de músculos mas tatuados dos pés à cabeça. Faz-me lembrar bárbaros, vikings… ou talibãs!

Não bastassem as alterações climáticas e os sanitarismos, vemo-nos ainda confrontados com outras manias como a “teoria” de que o consumo de carne é prejudicial porque a pecuária causa a emissão de gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global do planeta. E, na sua boa-fé, muita gente se torna vegetariana ou vegan para salvar o planeta.

Também temos leis que, de não escritas, vão passando a normas sociais e a leis que privilegiam minorias anti-sociais, a imposição oficial nas escolas de certas ideologias como a de género, dos direitos dos animais, do direito ao aborto, etc..

Quer queiramos, quer não, a sociedade ocidental está a criar as suas próprias leis Sharia, com contornos diferentes das islâmicas mas igualmente fundamentalistas. Trata-se de leis Sharia destinadas a ambos os sexos, perdão, a todos os géneros. São leis centradas na salvação do planeta e não em Alá ou nos profetas. Os nossos talibãs e ‘taliboas’ invadem as televisões e atacam a nossa massa cinzenta, ou infiltram-se no poder e fazem leis de acordo com as da Sharia ocidental.


Henrique Sousa

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  • A respeito de alguns dos temas abordados no artigo, há perguntas simples que ainda não vi serem respondidas e que são cruciais. A primeira é a de saber que área de terreno é necessária em painéis solares para alimentar com energia elétrica uma região como a da Grande Lisboa (ou Porto, Braga, Coimbra…). Outra é a de saber como gerar energia alternativa se durante um inverno o Sol ficar encoberto durante um mês. Ou se, como acontecceu na Alemanha no inverno passado, nevar e a neve cobrir totalmente os painéis solares durante vários dias. Outra é de saber se essa área, a ser ocupada com os painéis solares, pode ser utilizada para outras actividades e que actividades. E que vida selvagem pode albergar. O mesmo se pode perguntar para as turbinas eólicas . Em relação a estas últimas podemos ainda perguntar quantas aves selvagens (falcões, águias, cegonhas, rolas…) estimam que serão mortas anualmente pelas pás desses moinhos. Só para começar com perguntas óbvias que qualquer aluno da escola primária poderia fazer.

    É preciso ainda ter em atenção que, ao contrário do que muita gente pensa, não é possível utilizar toda a energia emitida pelo Sol (e não é possível devido a coisas tão prosaicas como as Leis Fundamentais da Física, a que temos que juntar o efeito de Albedo provocado pelo planeta e respectiva atmosfera), para gerar calor e depois energia.

    Podemos ainda perguntar como obter os materiais necessários para a construção dessas infraestruturas, se o objectivo é acabar ou, no mínimo, diminuir drasticamente a actividade mineira. Outra questão é a de saber o que fazer com os plásticos e metais dessas estruturas depois do fim da sua vida útil.

    Sobre a produção agrícola também há umas perguntas que se deveriam estar a fazer. Sem produção intensiva e uso de pesticidas, qual a área de terra precisaríamos para alimentar os 7.8 biliões de seres humanos mais os respectivos animais de estimação (hoje em dia muito referidos como os nossos “familiares patudos”). Que espaço ficaria destinado aos ecossistemas naturais ou sem presença humana? E que redes logísticas, amigas do ambiente, poderíamos ter para fazer chegar essa produção a preços suportáveis para aqueles de menores rendimentos.

    No início do séc. XVII a população mundial era de cerca de 600 milhões de pessoas. Admitindo que hoje, com mais conhecimento cientifico e novas técnicas agrícolas amigas do ambiente, talvez fosse possível alimentar três vezes aquele valor. 1.8 biliões de pessoas. Ou até o dobro disso. 3.6 biliões. E as restantes? Que propõem os ativistas do clima? Estarão eles próprios dispostos a dar o exemplo e sujeitarem-se às soluções que propuserem? Desde logo, para diminuir o consumo de energia, reduzirem a utilização dos seus telemóveis e computadores para 10% do que hoje utilizam?

    Quanto ao resto, gostaria de recordar um vídeo gravado em 1984 e cujo link envio de seguida:

    https://www.youtube.com/watch?v=Y9TviIuXPSE&t=1825s

    Ou numa versão mais resumida:

    https://www.youtube.com/watch?v=Z1EA2ohrt5Q

    Estamos a viver hoje as consequências de algo posto em prática à 100 anos. Enquanto durou a guerra fria ainda nos foi possível irmo-nos defendendo. Depois da queda do Muro de Berlim (construído para evitar que as pessoas fugissem e não para evitar que entrassem nos paraísos socialistas, é bom sublinhar), as democracias ocidentais acharam que tinham ganho e o resultado está à vista.

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