A nova cassete

Há uma nova ideologia política de esquerda. Se no passado as pessoas, especialmente os jovens, se deixavam arrastar pelos ideais “altruístas” de esquerda que defendiam a luta de classes, o fim da exploração do Homem pelo Homem, o fim da exploração colonial e o fim do capitalismo, etc., hoje eles exigem o fim dos combustíveis fósseis e dos preconceitos, culpando o Homem e a sociedade de serem os responsáveis pelas alterações climáticas que estão a conduzir o planeta para o abismo, e pela opressão de minorias…

Uma vez que as causas que inspiraram anteriormente a esquerda se tornaram menos prementes porque a classe operária se aburguesou e a descolonização, bem ou mal, aconteceu, e os regimes capitalistas se mostraram melhores que os socialistas, havia que fabricar uma nova ideologia com propósitos “altruístas” que pudesse inflamar os ânimos e que servisse para levar algumas pessoas a continuar a apoiar a esquerda.

Com o esvaziamento das causas antigas, a nova esquerda colou-se a outras causas como o direito ao aborto livre e à eutanásia, inventou a homofobia, transfobia e outras fobias sexuais, luta por casas de banho mistas nas escolas, ideologia de género, fomento do racismo e combate ao homem branco, liberalização das drogas, defesa dos direitos dos animais e de minorias étnicas, etc..

Ao mesmo tempo, a esquerda vai levando a água ao seu moinho, brandindo a bandeira do igualitarismo: política de imigração aberta, subsídios a ociosos, salários mínimos cada vez mais próximos dos médios, contra os lucros e por uma maior redistribuição da riqueza, mais impostos sobre os que ainda podem pagar, etc., rumo ao socialismo, rumo à miséria.

O fracasso do PCP e a ascensão do BE podem ser explicados pelo facto do PCP não ter abraçado as causas fracturantes que deram protagonismo ao BE e alastraram para o PS. O PCP passou a ser o partido conservador de esquerda, enquanto o BE e o PS são agora os partidos “progressistas”, aqueles que defendem os novos oprimidos da sociedade capitalista, classista, fascista, homofóbica, transfóbica, racista, sexista, negacionista, etc. e, sobretudo, ameaçados pelas alterações climáticas antrópicas que é preciso combater.

O PCP não soube mudar a cassete para se adaptar aos novos tempos, esvaziou-se de causas mobilizadoras e entrou em morte lenta mas inexorável. Vamos ver quanto tempo é preciso para que as pessoas se fartem da nova cassete “progressista” com que são bombardeadas todos os dias.

Henrique Sousa

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Sub-diretor do Inconveniente

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