A matemática não corrobora as alterações climáticas antropogénicas

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A versão oficial acerca das alterações climáticas é simples e redutiva: defende que o planeta Terra está a aquecer por ação do Homem que liberta gases de efeito de estufa pela queima de combustíveis fósseis e outras atividades como a agricultura, a pecuária, etc.

Porém, o clima na Terra é o resultado de diversos fatores que nem os climatologistas compreendem perfeitamente. Mas a política abraçou a ideia do aquecimento global antropogénico porque vem ao encontro de diversos dos seus objetivos que vão da diminuição da dependência de combustíveis fósseis e imposição de energias verdes à redução da população mundial.

As provas que são fornecidas ao público acerca de um suposto aquecimento global de origem antropogénica passam por mostrar a correspondência entre a temperatura da Terra e os níveis de CO2, tido como o gás mais pernicioso. Sim, as curvas da concentração de CO2 e da temperatura na Terra são semelhantes desde há milhares de anos mas não se sabe o que ocorre primeiro.

Outra forma de nos provarem que é a ação do Homem a responsável pelo aquecimento global é utilizarem modelos de computador que se adaptam razoavelmente ao clima do passado para prever o clima no futuro. É como se os modelos nos fornecessem uma fórmula matemática do clima em função do tempo.

Para que os modelos climáticos se possam adaptar ao clima do passado, são considerados vários tipos de fatores, cada um com um certo peso sujeito a ajustes de modo a obter o resultado pretendido. Um desses fatores é a concentração de gases de efeito de estufa. Porém, trata-se de um fator que parte da premissa de que é realmente determinante, podendo não ser verdade. Nestes modelos de computador pode-se, em princípio, introduzir fatores irrelevantes, bastando para isso ajustar os restantes parâmetros para compensar o “ruído” introduzido pelo novo fator.

Mas a matemática tem outras ferramentas poderosas que podem ser usadas para determinar os fatores de relevo do clima, nomeadamente a temperatura na Terra. Para isso basta conhecer a evolução da mesma durante muitos anos (quantos mais, melhor).

Dessas ferramentas destacam-se a análise harmónica de Fourier e a transformada wavelet. Com estas ferramentas matemáticas é possível representar qualquer série de dados como uma soma de funções periódicas sinusoidais e determinar os seus parâmetros. Cada uma destas funções tem uma certa amplitude e um certo período e pode ser associada a um fenómeno que ocorre de forma cíclica, como por exemplo as variações da excentricidade da órbita da Terra, a translação da Terra, a atividade solar, a translação da Lua, etc.

A análise harmónica não consegue distinguir os micro-mecanismos eventualmente envolvidos que podem introduzir reforço positivo ou negativo mas dá-nos o resultado global do fenómeno. Por exemplo, se o Sol produziu um pequeno aumento na temperatura que faz derreter o gelo das calotes, este gelo deixa de radiar luz para o espaço e provoca uma subida extra de temperatura que vai aquecer mais os oceanos e este liberta CO2 que pode fazer aumentar mais a temperatura. De qualquer modo, a análise matemática mostra qual o fenómeno cíclico natural que desencadeou o processo.

Damos a seguir um resumo de um trabalho académico realizado em 2020 neste sentido pelos cientistas Horst-Joachim Lüdecke da Universidade de Ciências Aplicadas de Saarbrücken, Alemanha e Carl-Otto Weiss do Instituto de Pesquisa Científica do México de visita ao Physikalisch-Technische Bundesanstalt em Braunshweig, o instituto nacional de metrologia da Alemanha:

“O Sol como impulsionador do clima é repetidamente discutido na literatura, mas as provas são muitas vezes fracas. A fim de elucidar a influência solar, usamos um grande número de “proxies” de temperatura em todo o mundo para construir uma média de temperatura global G7 nos últimos 2000 anos. O espectro de Fourier do G7 mostra os componentes mais fortes como tendo períodos de ~1000, ~460 e ~190 anos, enquanto outros ciclos das “proxies” individuais são consideravelmente mais fracas. Os extremos de temperatura do G7 coincidem com o romano, medieval e apresentam o óptico, bem como o bem conhecido mínimo de 1450 DC durante a Pequena Idade do Gelo. Construímos por transformada inversa de Fourier uma representação de G7 usando apenas essas três funções sinusoidais, o que mostra uma notável correlação de Pearson de 0,84 com a média de 31 anos consecutivos do G7. Os três ciclos também são encontrados dominantes nas taxas de produção dos nuclídeos cosmogénicos induzidos pelo sol, o Carbono 14 e o Berílio 10, mais fortemente no período de ~190 anos sendo conhecido como o ciclo De Vries/Suess. Por análise wavelet, uma nova prova foi fornecida de que pelo menos o ciclo climático de ~ 190 anos tem uma origem solar.”

O gráfico acima representa a cinzento as temperaturas reais de que se extraíram as médias de 31 anos dadas a azul (como forma de eliminar ruídos devido a erros de medidas e causas menores). Acrescenta-se a curva a vermelho que resulta da sobreposição (soma) de três sinusóides representadas no gráfico inferior: a preto a curva com período de 1003 anos, a azul a de 463 anos e a verde a de 188 anos. A adaptação da curva vermelha com a azul é bastante perfeita e medida por um índice chamado “correlação de Pearson” que foi de 0,84 (notável), sendo 1 a adaptação total. A junção da quarta harmónica melhora ligeiramente a correlação para 0,85.

O resultado surpreendente de que o clima pode ser descrito (em média) por três ciclos naturais fundamentais destrói o mito das alterações climáticas antropogénicas, uma vez que o alegado efeito de estufa é apenas um fator de ruído entre outros que podem reforçar ou atenuar fatores fundamentais que determinam o clima global e que têm ocorrência cíclica com períodos de centenas e milhares de anos.


Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

Latest comments

  • O senhor Henrique Sousa afirma que não se sabe qual ocorre primeiro se o CO2 se a temperatura, mas hà cientistas que afirmam, com provas extraídas do gelo, que primeiro ocorre a subida de temperatura ou descida, e só depois o aumento ou diminuição do CO2 respectivamente, com uma diferença de 800 anos +/-.
    MUST WATCH This video destroys the loopy greens. Climate change is a hoax. Please share everywhere
    https://odysee.com/@Robert-Self:a0/MUST-WATCH—This-video-destroys-the-loopy-greens.-Climate-change-is-a-hoax.-Please-share-everywhere:6
    Excerto do film The Great Global Warming Swindle.
    https://www.youtube.com/watch?v=oYhCQv5tNsQ
    Interessante são os números
    Supplementing CO2 for Plant Growth
    https://www.youtube.com/watch?v=xgLGCH9ErVE
    AGA – Use of carbon dioxide in greenhouses
    https://www.youtube.com/watch?v=Lqfmm7DZpyg
    What if higher CO2 concentrations are actually good for plant growth?
    https://www.youtube.com/watch?v=jODIYw_5A40

      • Boa noite
        Falei sobre as estufas porque aí podemos quantificar, são experiências em ambientes controláveis, dá-nos alguma aproximação da realidade, enquanto que em termos planetários requer muitas décadas senão séculos para podermos fazer afirmações mais concretas e ainda estamos no inicio.
        Já li sobre os valores das experiências feitas com o gelo, mas esta net anda cada vez pior. Vou tentar ver se os encontro.
        Não sei quando ou se será possível deixar aqui mais alguma coisa, mas já li sobre a lua e os raios cósmicos que também podem influenciar o clima. Afirmam que os ciclos solares influenciam a chegada à atmosfera de mais ou menos raios cósmico, o que por sua vez também pode influenciar o clima.
        Uma curiosidade. Não sei se já ouviu falar dos sprites e jets
        https://www.youtube.com/watch?v=brh–gYjZts
        https://www.youtube.com/watch?v=A-SZryVqFHo

  • Sem assumir uma postura 100% categórica em relação á questão climatérica, realço dois pontos a ter em consideração:

    1 – Coincidência de fenómenos em simultâneo ou em sequência não comprova uma relação causa-efeito, se comprovasse poderíamos arrumar a questão e dar como provado que a maior libertação de CO2 pela actividade humana seria causa efectiva da subida da temperatura média do planeta, uma vez que ocorre em sequência.
    2 – O facto de ciclicamente a temperatura do planeta sofrer alterações, como é expectável num sistema sensível em equilíbrio precário, não invalida que a alteração do clima não possa ter uma razão fora desse ciclo. Caso contrário estamos a dizer, por exemplo e em absurdo, que temos um impacto de um cometa na Terra, uma super erupção volcânica ou um holocausto nuclear, e o clima não vai alterar-se porque não está nessa fase do ciclo.

    Por fim, não vejo em que é que o desconhecimento da ciência sobre a dinâmica completa do clima possa servir para tranquilizar-nos, ainda mais porque as alterações já são uma certeza, só se discute a causa.
    Sem prejuízo do que referi no ponto “1”, a crescente e continua perturbação provocada pelo Homem na superfície terrestre e na atmosfera e a crescente alteração da temperatura média deve deixar-nos pelo menos com “a pulga atrás da orelha” ao invés de confortavelmente instalados e cheios de certezas, até pelo desconhecimento que invoquei no parágrafo anterior.

      • Agradeço-lhe a disponibilidade de me responder.
        Os gráficos apresentados cingem-se á representação da temperatura, que comprovadamente tem ciclos, mas como esses ciclos não estão comparados com as concentrações de CO2/efeito de estufa, não podemos afirmar que não tem relação ou que não são causa ou efeito, apenas podemos dizer que a temperatura actual está acima das médias apresentadas para a suposta actual fase do ciclo. E é que também as concentrações de CO2 tem valores ciclícos, o que não impede que factores extraordinários possam exagerar ou pelo menos perturbar as concentrações de CO2.

  • Hydrogen Will Not Save Us. Here’s Why.
    https://www.youtube.com/watch?v=Zklo4Z1SqkE

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