A insanidade climática está a destruir a Europa

A invasão da Ucrânia pelos russos veio mostrar o quanto a Europa depende ainda dos combustíveis fósseis, do gás natural, do petróleo e até do carvão.

O gás natural é quase insubstituível nas centrais elétricas de ponta, chamadas a entrar quando a produção das outras é insuficiente para satisfazer o consumo. Por outro lado o gás também é necessário nalgumas indústrias e em usos domésticos, nomeadamente no aquecimento já que grande parte das habitações foi levada a converter-se para utilização do gás em vez de carvão ou gasóleo de aquecimento.

O petróleo também é insubstituível em várias indústrias e tão cedo os seus derivados não serão destronados nos transportes terrestres, aéreos e marítimos, sem esquecer o papel essencial que têm também na pesca e na agricultura.

O carvão, praticamente abandonado para usos domésticos, continua a ser necessário na siderurgia e em muitas centrais elétricas cujo fecho estava programado mas, devido à crise, não só se mantêm como se reativam as já encerradas e constroem-se novas.

Apesar disso, a UE insiste na necessidade da transição energética para energias “verdes” como o sol e o vento e, quiçá, a energia nuclear que agora é considerada “verde”, mas que tem vindo a ser abandonada por causa do problema do lixo nuclear e ainda por receio de catástrofes como as de Chernobil e Fukushima, para citar as mais recentes.

Mas é sabido que as energias consideradas verdes nunca poderão satisfazer por si só as necessidades de consumo. A nuclear porque está, como as centrais a carvão, vocacionada para funcionar na base do diagrama de carga, à potência próxima da nominal, sem paragens além das programadas para manutenção ou em casos de emergência; as centrais solares e eólicas não garantem potência e apenas impedem as outras de funcionar de forma económica, encarecendo a energia elétrica em geral. Mas todas elas apenas produzem eletricidade que não substitui os outros usos dos combustíveis fósseis.

A própria França, país europeu com mais centrais nucleares, irá a breve trecho enfrentar cortes de energia elétrica porque estas centrais não fazem as pontas, trabalham na base, estando algumas em manutenção programada.

Porém, a UE teima em abandonar os combustíveis fósseis e a propaganda, assente nas “alterações climáticas”, é secundada pelos meios de comunicação dominantes, “cientistas” seduzidos por financiamentos da ONU e seus aliados, e incluída nos programas escolares. A campanha global pelo clima provoca pânico nos jovens que exigem, nas suas manifestações “climáticas”, o fim imediato dos combustíveis fósseis porque libertam o perigoso gás CO2 (que garante a vida no planeta) para a atmosfera, supostamente o principal responsável pelo aquecimento do planeta para além do desejável, por sua vez fixado arbitrariamente em 1,5ºC nas inúmeras cimeiras e conferências climáticas.

Em nome do planeta, a UE impede a extração de combustíveis fósseis na Europa e mergulha de forma suicida numa crise a que chama de transição energética mas sem alternativas viáveis. Dada, porém, a dificuldade de armazenar a eletricidade verde, pensa-se em produzir com ela hidrogénio para depois este ser usado como combustível, o que implica larguíssimos investimentos e encarecimento da energia, mas conta-se com as ajudas da UE, nomeadamente dos planos de recuperação da Covid.

Entretanto, o mesmo mito das “alterações climáticas” está a dar origem a um novo estrangulamento económico e, certamente, a uma crise de alimentos na Europa. Trata-se agora de combater um outro gás de efeito estufa, o óxido nitroso (N2O) que provém da utilização de fertilizantes na agricultura. Isto está a revoltar os agricultores holandeses e alemães que fazem comboios de liberdade com os seus tratores e contestam as medidas governamentais que os impedem de produzir, estando mesmo previsto pelo governo o encerramento de 3.000 explorações, só na Holanda.

Isto não é nenhuma ação para salvar o planeta, é uma insanidade climática que nos mergulha numa crise energética, inflação, escassez de alimentos e retrocesso civilizacional. Estão a catapultar-nos de volta para a pré-história. Como se não bastasse a guerra na Ucrânia, a Europa ainda tem que suportar a loucura climática que muitas vezes serve para esconder interesses oportunistas. De facto, existe um projeto de construção de uma nova cidade que precisa de terrenos da Holanda, Alemanha e Bélgica e pode ser esta a razão oculta para as expropriações em curso. Existe mesmo um site de promoção do projeto da chamada tristate city.

Aquilo que foi ensaiado no Sri Lanka com resultados desastrosos, vai ser posto em prática na Europa e que Deus nos proteja se não conseguirmos desmascarar a tempo toda esta farsa das alterações climáticas antropogénicas!

Na senda do combate às “alterações climáticas”, medidas semelhantes às europeias estão a ser tomadas nos EUA com a chamada Lei da Inflação da administração Biden. Trata-se de um mega plano fiscal, climático e de saúde de 375 mil milhões de dólares que, alegadamente, se destina a reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Esta “bazuca” norte-americana será financiada com aumentos de impostos, quiçá aumento dos direitos alfandegários que não agradam à UE de Von der Leyen que promete resposta às “distorções” criadas pela Lei da Inflação de Biden.

Com a insanidade climática reinante, a Europa vai cavando a sua própria sepultura, espremida entre os russos e os americanos, e sem poder de negociação ou de resposta adequada.

Salve Caesar, morituri te salutant!


Henrique Sousa

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Sub-diretor do Inconveniente

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