A verdade prevalece sempre

“Da verdade, nada sabemos, porque a verdade está num poço”.
(Tradução minha do Inglês).
Diogenes Laertius. Lives of eminent philosophers. R.D. Hicks, Ed.

A verdade foi atirada para um poço e a mentira passeia-se pelo mundo, luzindo as roupas imaculadas daquela. E quando a verdade emerge do poço onde a tentam afogar, muita gente recusa vê-la porque está escandalosamente nua. Prefere-se a mentira, coberta de lindos tecidos, adornada com brilhantes joias, exuberante nas cambiantes de cor que expõe e misteriosa nas sombras que a protegem. A mentira oculta a sua origem e deixa o seu rasto de ilusões e manchas sobre as vítimas seduzidas pelo seu canto hipnótico. Todavia, com a ajuda indispensável do tempo, a verdade acaba por prevalecer. A verdade nua, natural, crua, sem abafos, véus e nuances, imutável sob qualquer perspetiva ou ângulo, despojada de disfarces e isenta de desculpas.

No IИCONVENIENTE, não deixamos passar, sem o devido relevo, que o juiz Carlos Alexandre venceu mais um processo. Desta vez, era ele o arguido, acusado de atrocidades profissionais e jurídicas, por José Sócrates, descontente com o juiz natural que lhe calhou, pretendendo – honni soit!… – um magistrado artificial que lhe aliviasse as culpas, recusasse as diligências do Ministério Público e atrasasse, por venalidade e preguiça, o processo até à prescrição.

O motivo desta vingança foi o comportamento exemplar do juiz que cumpriu heroicamente o seu dever perante a pressão enorme da estrutura política e da administração judicial politico-dependente. Sofreu ele, em representação da Nação, o opróbrio dos ataques encomendados dos editores e comentadores dos média sistémicos, e até a ignomínia deste processo que o Conselho Superior de Magistratura favoreceu. Apesar do comportamento do juiz ter sido absolutamente legal e o procedimento de atribuição do processo ser indiferenciado. No final, provou-se completamente a lisura e normalidade dos procedimentos e o comportamento irrepreensível do juiz. A sua vitória é também a do povo que apoia a independência judicial e exige a responsabilização dos agentes da corrupção de Estado que custou e continua a custar a bolsa e a vida de tantos portugueses e faz do País o sétimo mais pobre da União Europeia.

A independência, o rigor e a coragem, do juiz Carlos Alexandre, bem como dos procuradores e inspetores no processo Marquês (tal como na caso Face Oculta e noutros anteriores e posteriores, como no processo EDP) teve um efeito pedagógico notável no exercício de cargos do Estado: os políticos não são imunes e o seu roubo é punível. Podem depois os processos arrastarem-se no garantismo, baloiçarem no vai-vem dos recursos, a canga política fazer amochar quem tem a responsabilidade da carga e até alijar-se o peso das acusações com leis à medida, como no caso de abuso sexual de crianças da Casa Pia. Mas o roubo do Estado e o abuso do poder tornou-se mais arriscado e a indignação do povo um perigo maior. Obrigado, juiz Carlos Alexandre!


António Balbino Caldeira

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  • Faço minhas as suas palavras Sr. António Balbino Caldeira, e, infelizmente, presto aqui a minha homenagem ao juiz Carlos Alexandre. Digo infelizmente porque é mau sinal quando temos que elogiar alguém por ter feito apenas o seu trabalho e a sua obrigação, não devia ser motivo de destaque, mas, infelizmente, é.
    Quanto ao titulo da crónica, tem uma grande dose de ingenuidade, é mais o desejo de uma pessoa idealista do que uma realidade factual.

  • A QUEIXA CRIME DE MANUEL ALEGRE CONTRA MIM manuel alegre / tenente coronel Brandão Ferreira
    https://novoadamastor.blogspot.com/2011/01/exs-camaradas-amigos-e-conhecidos.html

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