A guerra do gás V

Em notícia de 16-5-2022, a agência Reuters diz que a Comissão Europeia esclarece as empresas da União Europeia como podem pagar pelo gás russo, sem violar as sanções do bloco contra a Rússia – segundo orientação atualizada sobre o assunto, visto pela Reuters.

A Comissão dissera, no mês passado, que as empresas europeias podiam pagar o gás russo sem violar as sanções da UE contra Moscovo, mas apenas se observassem certas condições, depois da chantagem da Rússia para que os compradores estrangeiros passassem a pagar o gás em rublos ou vissem o seu fornecimento cortado.

Em orientação atualizada, compartilhada com os países da UE no dia 14-5-2022, e vista pela Reuters, a Comissão confirmou a orientação anterior de que as sanções da UE não impedem as empresas de abrir uma conta num banco indicado, podendo assim pagar pelo gás russo – desde que o façam na moeda acordada nos contratos existentes e declarem a transação como concluída quando for paga nessa mesma moeda.

Quase todos os contratos de fornecimento que as empresas da UE têm com a gigante russa de gás Gazprom estão em euros ou dólares.

A Rússia cortou, em abril, o fornecimento de gás à Polónia e à Bulgária por se recusarem a cumprir a exigência de pagamento em rublos. Vários governos da UE e grandes importadores têm procurado mais clareza de Bruxelas sobre se podem continuar a comprar gás, com que aquecem as suas casas, produzem eletricidade e alimentam fábricas em toda a Europa.

A orientação diz ainda que as empresas devem fazer uma “declaração clara” dizendo que, quando pagam em euros ou dólares, consideram que as suas obrigações sob contratos existentes devem ser cumpridas.

Deve-se entender que “os pagamentos nessa moeda descarregam definitivamente o operador económico das obrigações de pagamento nos termos desses contratos, sem qualquer ação adicional do seu lado, no que diz respeito ao pagamento”, afirma o documento.

Ao encerrar as suas obrigações com o depósito em euros ou dólares, a empresa pode “evitar” [contornar] a transação ao nível do banco central russo, que se encontra sob sanções, e que estaria envolvido na conversão dos euros em rublos.

O decreto do presidente Vladimir Putin diz que uma transação só seria considerada completa depois da conversão da moeda estrangeira em rublos.

A Comissão não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre o assunto.

E assim continua a guerra do gás, onde a União Europeia coloca o banco central russo sob sanções, ainda que este seja substituído por um certo banco russo que, possivelmente, e segundo notícias anteriores, é o banco da própria Gazprom, que por sua vez não enfrenta sanções da UE e funciona como intermediário para chegar ao banco central russo.

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Sub-diretor do Inconveniente

Latest comments

  • É só aldrabices. Querem dar uma imagem de pudicos (para disfarçar que contribuíram para o conflito, e vassalagem a quanto obrigas) e depois entalam-se. Estas sanções cada vez mais parecem uma guerra contra as populações europeias e americanas.
    E o urânio russo para as centrais nucleares americanas? Não vão ser sujeitas a sanções?… lol
    Mas não podemos esquecer que a forma correcta para estimular a paz é fornecendo armamento… depois vem a factura…

  • Não tem a ver directamente com o tema em causa, mas acabei agora dia 20-05-2022, 00h 40 de ver a entrevista do major general Carlos Branco na CNN.
    Finalmente alguém que faz, ou tenta fazer, uma análise sobre as causas da guerra russia/ucrânia.
    Fica também evidente a falta de conhecimentos do entrevistador sobre o tema. Consequência da vergonhosa desinformação/manipulação dos meios de comunicação social tradicionais.

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