A culpa é do… motorista

O Ministério Público de Évora arquivou a queixa contra o ex-ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita, do governo socialista, e o seu chefe de segurança no caso do atropelamento mortal do trabalhador Nuno Santos, da empresa que fazia limpeza da via, pelo carro em que seguia o ministro ao km 77,6 da A6, sentido Estremoz-Évora, perto de Azaruja, em 18-6-2021, noticiou a 11-5-2022 o Nascer do Sol.

O Ministério Público já havia deduzido acusação contra o motorista do carro, Marco Pontes, agente da PSP.

Portanto, pode concluir-se:

  1. O motorista Marco Pontes seguia a 163 km/hora, e na faixa da esquerda da autoestrada, em desobediência ao ministro, que sempre terá dado instruções ao motorista e ao seu chefe de segurança para que fosse cumpridos: o limite de velocidade, que os carros circulassem pela faixa da direita da estrada (salvo em ultrapassagem), e que jamais violassem o Código da Estrada;
  2. O ministro não se apercebeu da velocidade média excessiva do veículo;
  3. E nem sequer reparou que a viatura circulava pela faixa da esquerda de uma autoestrada com muito baixa circulação;
  4. O ministro da Administração Interna tutelava a PSP, força de segurança na qual o motorista agente Marco Pontes servia, mas isso não lhe dava o poder de dar ordens ao agente que o conduzia;
  5. Quem manda no carro em que viaja um ministro é… o motorista, ainda que, como neste caso, aquele seja o seu superior hierárquico;
  6. Os motoristas dos carros dos ministros não estão acima da lei;
  7. O princípio da Magna Carta Libertatum, de 1215, de que o governante se obriga à lei que emite, não é aqui aplicável. Não se pode confundir a Inglaterra com Portugal, o rei João Sem Terra com o poderoso ministro Cabrita e muito menos a monarquia de matriz constitucional com o socialismo…

Partilhar

Latest comments

  • “O motorista Marco Pontes seguia a 163 km/hora…”Não será antes, 163km/h no momento do embate?
    Este país não é a república das bananas, essa já ficou lá para trás à uns bons anos. As tropelias são tantas que a ditadura já nem pesa…

    • Eh,eh, eh…. pelo contrário! Durante o regime do reviralho republicano e depois da data da perfídia, é que a república das bananas vigorou e vigora (!) em Portugal, como este artigo e outros de igual qualidade técnica nos demonstram…., o povo é o mesmo!
      Em finais dos anos 40, um veículo que desceu a Av. J. Ant. Aguiar ao chegar à Rotunda onde o trânsito era controlado por um polícia sinaleiro não respeitou o sial de paragem que este lhe tinha feito. O sinaleiro apitou, o carro parou e aquele interpelou o motorista perguntando-lhe porque não tinha cumprido a ordem que deu. O moorista respondeu-lhe que levava o Sr. Presidente do Conselho de Ministros e que ia com pressa. O Sinaleiro respondeu-lhe que nesse caso, deveriam ter levado um batedor à frente afim de terem prioridade, o que não foi o caso! O passageiro nem falou/contestou enquanto o sinaleiro passou a multa. Posteriormente o passageiro (Prof. Olivera Salazar) pagou do seu bolso a multa e convocou o sinaleiro bem como o chefe da respectiva esquadra para São Bento, onde os agraciou com um louvor, em virtude do sinaleiro ter cumprido a Lei.
      Pequenas diferenças que fazem mossa e explicam muuuuita coisa!

  • Caro Miguel Martel.
    Depois de reler o que escrevi, reparei que pode ser interpretado como afirma. Peço desculpa, não foi essa a minha intenção.
    Estava antes a lembrar-me dos tempos do guterres e do sócartes. Penso até que foi guterres que afirmou uma vez que isto não era a república das bananas e mais tarde sem querer ou não, avisou-nos que isto era um pântano e que o país era/tornou-se ingovernável.
    Franco é que disse que fascismo era a união entre o poder económico e político.
    Hoje o país é uma coisa amorfa. Ditadura disfarçada (das piores), cosa nostra e vassalagem acéfala.
    Li um estudo, penso que foi tese de mestrado de uma estudante brasileira, à uns 10/15 anos, formada em história, que versava sobre os judeus que fugiram da europa na 2ªGG e passaram por Portugal em direcção ao Brazil. Sabemos que o senhor Salazar não permitiu que ficassem no país.
    Uma das coisas que a senhora disse que muito a admirava e não conseguia perceber, foi porque nenhum desses judeus (ela entrevistou mais de 100), denegriu, desrespeitou, ou falou mal dele. Todos, embora alguns discordando da decisão, falaram dele com cordialidade, respeito e até que compreendiam tal decisão.
    Entre aquilo que conta e o que tenho lido, o senhor Salazar foi um estadista quer queiramos, gostemos ou não.

Post a Reply to Carlos2 Cancel Reply