A Ciência é herética

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Freeman Dyson foi professor de Física no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton. Os seus interesses profissionais foram a matemática e a astronomia. Entre os seus muitos livros destacam-se Perturbando o Universo, Infinito em Todas as Direções, Origens da Vida, De Eros a Gaia, Mundos Imaginados, O Sol, o Genoma e a Internet, Mecânica Clássica Avançada, entre outros títulos, palestras, artigos, etc..

Julgamos que esta breve apresentação de Freeman Dyson, nascido no Reino Unido em 1923, naturalizado americano e falecido a 28-2-2020 aos 96 anos em Princeton, é suficiente para que possamos classificá-lo como um grande cientista dos últimos 100 anos. Além de cientista era também um futurista com sólidas hipóteses baseadas na investigação.

Este grande cientista defendia que a verdadeira ciência precisa de hereges, porque a ciência não se faz por consenso nem por votação e muito menos pode ser decretada por elites ou por ideologias como agora se faz com as chamadas alterações climáticas.

Sempre que se argumenta que a ciência climática pode estar a empolar o efeito de estufa, os climatistas perguntam invariavelmente: “Então todos os cientistas do IPCC estão errados?”. Em primeiro lugar, e como defende Freeman Dyson, não há consensos em ciência. Logo, o argumento de que a maioria dos “cientistas” concorda com uma ideia, não vale em Ciência. E quem são esses cientistas do IPCC? Fizeram todos declaração de interesses?

“Tenho orgulho em ser um herege. O mundo precisa sempre de hereges para desafiar as ortodoxias predominantes. Como sou herege, estou acostumado a estar em minoria. Se eu pudesse persuadir todos a concordar comigo, eu não seria um herege.” – disse Dyson neste artigo e palestra, também disponível em vídeo.

Um verdadeiro cientista como foi Freeman Dyson precisa questionar, duvidar dos consensos e não abraçar qualquer hipótese que não se pode pôr à prova, como exige o método científico. Sobre as alterações climáticas, destacamos apenas algumas passagens mas recomendamos a leitura de todo o texto.

“O tema principal desta peça é o problema das alterações climáticas. Este é um assunto controverso, envolvendo política e economia, bem como ciência. A ciência está inextricavelmente misturada com a política. Todos concordam que o clima está a mudar, mas há opiniões fortemente divergentes sobre as causas da mudança, sobre as consequências da mudança e sobre possíveis remédios. Estou promovendo uma opinião herética, a primeira de três heresias que discutirei…”

“Estou aqui a opor-me à santa irmandade de especialistas em modelos climáticos e à multidão de cidadãos iludidos que acreditam nos números previstos pelos modelos de computador.”

“O mundo real é lamacento e confuso e cheio de coisas que ainda não percebemos. É muito mais fácil para um cientista sentar-se num prédio com ar condicionado e correr modelos de computador, do que vestir roupas de inverno e medir o que realmente está a acontecer lá fora nos pântanos e nas nuvens.”

“Não há dúvida de que partes do mundo estão a ficar mais quentes, mas o aquecimento não é global.”

“… os problemas são grosseiramente exagerados. Eles retiram dinheiro e atenção a outros problemas que são mais urgentes e mais importantes, como a pobreza e as doenças infecciosas e a educação e saúde públicas, e a preservação de seres vivos em terra e nos oceanos, para não mencionar problemas fáceis, como a construção oportuna de diques adequados em torno da cidade de Nova Orleans.”

Sem negar o papel do dióxido de carbono no eventual aquecimento do planeta, Dyson faz esta afirmação:

“O número que vos pedi para fixar [um centésimo de polegada] é o aumento da espessura, em média superior a metade da área terrestre do planeta, da biomassa que resultaria se todo o carbono que estamos a emitir pela queima de combustíveis fósseis fosse absorvido. O aumento médio na espessura é de um centésimo de polegada por ano.”

“Concluo deste cálculo que o problema do dióxido de carbono na atmosfera é um problema de gestão da terra, não um problema de meteorologia.”

“É pelo menos uma possibilidade a ser seriamente considerada, que a China pode tornar-se rica pela queima de carvão, enquanto os Estados Unidos [e ocidente em geral] podem tornar-se ambientalmente virtuosos acumulando solo superficial [biomassa], com o transporte de carbono das minas na China para o solo na América fornecido gratuitamente pela atmosfera, permanecendo constante o balanço de carbono na atmosfera.”

“Quando ouço os debates públicos sobre as alterações climáticas, fico impressionado com as enormes lacunas no nosso conhecimento, a escassez das nossas observações e a superficialidade das nossas teorias.”

A razão fundamental pela qual o dióxido de carbono na atmosfera é criticamente importante para a biologia é que há tão pouco dele. Um campo de milho crescendo em plena luz solar no meio do dia consome todo o dióxido de carbono num metro [de altura] do solo em cerca de cinco minutos. Se o ar não fosse constantemente agitado por correntes de convecção e ventos, o milho pararia de crescer.”

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Sub-diretor do Inconveniente

Latest comments

  • Pois de facto há quem considere a Ciência uma religião, com dogmas e a questão da transição proposta na Europa e no governo de Biden, é uma questão de impossibilidade que favorece a RPC apoiada pelo WEF, um grupo de religiosos de facto, não pelo que defendem apenas, mas pelo que os une.
    O lixo que já existe dos carros eléctricos, da mentira das autonomias ou a forma como é apresentada, induz em erro os que os podem comprar e depois se arrependem, se precisam deles para trabalhar, a coisa ruirá quando o cobre se esgotar, quando as eólicas deixarem de ser eficazes tornando impossível a manutenção das mesmas em muitos países, são coisas que não necessitam de grandes conhecimentos para perceber que será mais uma utopia atirada para o lixo da história.
    Nunca sabemos tudo, por mim, falo tenho sempre dúvidas sobre as verdades tidas como absolutas e imutáveis, é como o eixo da terra e a sua inclinação variável, sabendo que a Terra existe num Universo complexo e ainda por decifrar.

  • Sei, mais uma vez que estou a desviar-me da sua publicação, mas penso que vai achar interessante. É uma guerra que acompanho à uns anos.
    O progressivo controle da alimentação. Neste caso das sementes, que acaba por ser da alimentação também.
    Who controls the world’s food supply?
    https://www.dw.com/en/agriculture-seeds-seed-laws-agribusinesses-climate-change-food-security-seed-sovereignty-bayer/a-57118595
    Patents on plants threaten farmers
    https://www.dw.com/en/patents-on-plants-is-the-sellout-of-genes-a-threat-to-farmers-and-global-food-security/a-49906072

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