A arte de empobrecer sem saber

O Governo socialista anunciou, em 15-2-2021, a criação e distribuição de um cartão electrónico com um plafond para pagamento de bens essenciais. O novo cartão destina-se sobretudo às vítimas dos sucessivos estados de emergência e confinamentos e, em particular, aos trabalhadores precários ligados às actividades turísticas, restauração e eventos.

Portugal vai recorrer ao Fundo Europeu de Auxílio a Pessoas Mais Carenciadas para financiar o programa. Não deixa de ser sintomático o facto de ser um Governo socialista a ter de recorrer à ajuda europeia para mitigar a pobreza e a miséria, geradas por políticas inimigas do investimento e da criação de riqueza. O Governo segue o padrão habitual: estender a mão à solidariedade europeia.

A fome alastra e atinge milhares de portugueses a quem a opção governativa pelos confinamentos e restrições de movimentos impede de trabalhar.

A inépcia do Governo agrava a situação dos portugueses que querem trabalhar, mas a quem o Governo nega o exercício desse direito fundamental. A vacinação marca passo e Portugal corre o risco de ser o último país da UE a adquirir a imunidade de grupo, dada a lentidão com que o plano de vacinação vai sendo cumprido.

Os portugueses deviam interrogar-se por que razão os países que se libertaram do jugo soviético, e que tinham um PIB (Produto Interno Bruto) muito mais baixo do que Portugal antes da adesão à UE, não necessitam de recorrer a programas de auxílio europeu para os mais carenciados.

Os esquerdistas, uma vez no Governo, são uma máquina bem oleada de criação de pobres. Exímios em estoirar a riqueza produzida, seja pelo saque fiscal, seja pelo roubo puro e simples, os esquerdistas sabem que quanto mais pobres criarem mais votos recolhem e mais subsídios europeus exigem.

Não fosse o auxílio europeu, Portugal estaria já em plena bancarrota. A quarta dos últimos 46 anos. Todas elas da responsabilidade de governos de esquerda. Os 13.944 M€ que o nosso país vai receber da UE, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência, entre 2021 e 2026, vão ser estoirados a subsidiar os pobres que os socialistas criaram, assegurar os salários dos funcionários públicos e aposentados e manter as empresas públicas falidas em funcionamento. Dois terços do dinheiro são para ser estoirados pelo Estado.

Entretanto, a dívida pública de Portugal atingiu os 264.4 mil milhões de euros: 132% do PIB. A manterem-se estas políticas ruinosas, o futuro dos portugueses será a continuação do empobrecimento e a estagnação económica. Mais uma legislatura socialista e Portugal corre o risco de ser o país mais pobre da UE.

O fracasso das políticas económicas do Governo socialista é evidente. Custa a crer que os portugueses ainda não tenham visto que o socialismo está a empobrecer o país e a reduzir as liberdades e direitos constitucionais.

Uma das razões para a cegueira dos portugueses é o papel dos média tradicionais na propaganda a favor do Governo. Os socialistas e os extremistas de esquerda estão nas televisões a toda a hora e recolhem dos jornalistas e comentadores a máxima simpatia. Não há perguntas incómodas e as mentiras ficam por escrutinar. Os 15 milhões de euros, dados pelo Governo, em 2020, aos jornais e televisões, foram suficientes para “comprar” a adesão e simpatia dos média. Em 2021, serão mais 15 milhões de euros. De 15 milhões em 15 milhões, assistimos, sem indignação, a uma espécie de nacionalização dos media.

Os portugueses deixam-se manipular. Os média fazem-lhes crer que não há outro caminho. O empobrecimento é uma evidência, mas os portugueses são levados a acreditar que as políticas socialistas evitam o pior. Estamos mais pobres mas os média fazem-nos pensar que não. Os 15 milhões de euros atirados para cima dos jornais e televisões são o preço a pagar pela anestesia geral aplicada aos portugueses pelos média tradicionais e comentadores amestrados.


Ramiro Marques

* O autor usa a norma ortográfica anterior.

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  • Totalmente verdade!

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